Suserania's Weblog

31, 03, 2008

Todos por um

dante 

Eles eram os Guardiões da Coroa.

Não havia, em todo o reino, cargo mais cobiçado e respeitado.

Quatro homens. Nobres entre nobres. Todos honrados, altruístas, orgulhosos.

Todos, menos um.

Não havia, em todo o reino, cargo mais árduo e extenuante em suas obrigações. 

Quatro homens. Guerreiros entre guerreiros. Todos fortes, imponentes, destemidos.

Todos, menos um.

Não havia, em todo o reino, cargo mais perigoso.

Quatro homens.Todos mortos.

Todos, menos um.

“Irônico”, pensou Dante. Ao contrário de suas suspeitas, a verdadeira face da conspiração não estava próxima ao trono.

Era o próprio trono.

“Contente-se com a glória de um fim misericordioso, diante de sua rainha”. O olhar de Lady Alice era frio, inflexível, assim como sua voz. Dante conhecia bem aquela expressão de absoluta ausência de emoção, talhada sob séculos de tradicional e rígida educação nos rostos de pedra da família real. Lady Alice jamais demonstrava o que sentia – fosse organizando um baile, movendo as intrincadas engrenagens da política entre os feudos durante a longa guerra pela independência ou, como agora, apontando uma besta carregada para seu ex-cavaleiro.

No entanto, não era difícil para Dante vislumbrar, por trás da máscara impassível, o quanto Lady Alice estava furiosa.

Tudo teria saído perfeito – se Dante tivesse caído, como seu três companheiros, ao tentar proteger o rei da emboscada que sua própria consorte havia arquitetado para dar cabo, a um só tempo, de um regente pífio e de um marido que lhe provocava asco. Os quatro fiéis guardiões teriam morrido como heróis, sem que a trama jamais fosse descoberta. E, antes mesmo de encerrado o luto oficial, a resignada rainha poria um fim à revolução, entregando de bom grado a liberdade e a vergonha de seu povo em troca da cama e dos cofres do Imperador.

Mas Dante sobrevivera. Apenas para atrasar-lhe os planos – ainda que provisoriamente. Ele sempre havia sido insolente.

“Uma morte rápida e pouco dolorosa é mais do que você merece, por sua estupidez”, declarou Lady Alice, apontando a arma com ambas as mãos, ousando demonstrar um breve resquício de descontrole. “Vire-se de costas!”

“Então, minha rainha não tem coragem de me olhar nos olhos, ao me matar” – grunhiu Dante, virando-se devagar. “Sinto-me genuinamente honrado”

“Um pouco tarde para que encontres a honra que nunca tiveste.”

“Declaração curiosa, partindo de uma adúltera e assassina…”

“CALE-SE!”. A haste metálica estalou levemente nas mãos da rainha, denunciando aos ouvidos de Dante que o mecanismo encontrava-se pronto para disparar. “Caminhe até a janela… devagar”.

“Estava pensando”, interrompeu o cavaleiro. “Em que momento você resolveu trair a seu povo? Antes ou depois de trair ao seu rei?”

“Estamos numa guerra, Dante”. Ele poderia jurar que a voz da rainha subitamente tornara-se menos ríspida, até mesmo relaxada. Sim, ela sabia exatamente o que estava fazendo. Não, ela não agia sob ameaça do Imperador. Não sentia nenhum medo. Nenhum remorso. “Eu avisei que você não poderia confiar em ninguém… um conselho que não excluía nem mesmo a mim”.

Dante deu mais um passo, ainda de costas para Lady Alice, posicionando os pés com precisão discreta o bastante para que a traidora não percebesse seu próximo movimento. 

Se eu confiasse em você”; disse ele, o sorriso malicioso convenientemente oculto; “Teria lhe dito antes que sempre carrego duas lâminas…”

A adaga longa e pontiaguda cruzou o ar antes que Lady Alice pudesse esboçar qualquer reação, senão de surpresa e dor, antes de tombar. Dante era o mais franzino dos espadachins. Mas nunca errava. 

“Três de Espadas”, disse ele. E então retirou do bolso uma carta de baralho enquanto caminhava, calmamente, até o corpo inerte daquela a quem havia jurado proteger com sua própria vida. “Coração partido, caos e traição. Foi o que esta carta me disse quando questionei sobre seu encontro com os Cavaleiros, esta manhã. Mas eu já sabia. Por isso, Três de Espadas. E não Quatro. A minha não estava entre elas…

Dante deixou cair a carta sobre a mancha de sangue que agora encharcava o tapete diante de Lady Alice, perdendo-se no úmido veludo púrpura. Tomou de volta seu sabre e sua adaga, antes de deixar o castelo pela última vez. O povo do reino, que agora estava livre para lutar pelas próprias armas, jamais entenderia.  Talvez fosse melhor assim.

Quatro homens. Nobres entre nobres.

Todos honrados.

Todos fortes.

Todos mortos.

Todos, menos um.

Texto por: Alexandre Satana – O Dragão de Latão

30, 03, 2008

Video-Game de Papel

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Andei observando o nosso cenário “RPGistico” atual, e percebi uma crescente quantia de adaptações e sistemas destinados a se aproximar dos jogos de RPG Eletrônico.

Isso muito me incomoda, uma vez que o RPG (RolePlaying Game), ou jogo de interpretação de papeis, é bem diferente disso que está sendo pregado nos novos sistemas. Nos tempos áureos do antigo AD&D o que mais importava não eram os números nem o poder, mas sim a interpretação do personagem, a forma como resolvias os problemas propostos pelo mestre.

Lembro de ter visto uma série de campanhas em que ao avistarem algo se movendo pela floresta ou caverna, eles, os personagens dos jogadores, não se importavam em saber o que havia por lá e nem quem era: simplesmente partiam para o ataque com carga total – tal como nos vídeo-games.

Mas nos esquecemos que nos vídeo-games é impossível atacar os possíveis aliados: o jogo bloqueia essa possibilidade para que não destrua a estória e o desenrolar do jogo. Já no RPG de papel, ou RPG convencional, não existe esse bloqueio grotesco e pouco interpretativo e os jogadores acabam por destruir uma campanha inteira, pois o único objetivo é adquirir mais e mais poder sem terem o menos discernimento dos elementos que compõem a estória.

Felizmente existem sistemas diferenciados, como os da linha Storyteller e Daemon, que valorizam muito a interpretação, não importando quantas vezes os personagens entraram em combate, mas sim quantas soluções inteligentes tiveram para as dificuldades impostas pelo mestre.

Mas, para tristeza geral, o sistema mais popular e mais jogado atualmente não segue essa linha de raciocínio. No D&D, o personagem ganha experiência ao final de cada combate e, assim, consegue tornar seu personagem mais poderoso – sem dizer que as magias e classes usadas por ele facilitam ainda mais essa semelhança com os jogos eletrônicos. Não é a toa que o D&D tem mais de três séries de jogos eletrônicos.

Agora, não vamos confundir o D&D com o D20 System, pois eles são diferentes e existem adaptações em que ele é melhor utilizado, tornando o jogo mais interpretativo como no: Star Wars D20.

“Não deixemos de jogar o D&D por não ser tão interpretativo como os outros, mas sim tentar interpretar um pouco mais nossos personagens”

Texto por: Baldoos Vanguard

29, 03, 2008

Paternidade e RPG

Não sei se vocês notaram, mas a maioria dos jogadores em quanto monta um personagem, normalmente colocam como parte dele um pai poderoso de alguma forma, na verdade é até curioso como dezenas e mais dezenas de personagens possuem pais poderoso de um poder de certa forma intangível, agora me pergunto, por que diabos isso sempre acontece?
Eu tenho várias frentes de pensamento e uma delas me diz que talvez seja o fato de que alguns personagens passam aos personagens uma coisa chamada projeção, se ele colocar em seu background, um pai que era um personagem habilidoso eles conseguirão tornar-se poderosos e habilidosos como querem, afinal certas coisas ainda ficam enraizadas dentro de nossa cabeça, tal pai, pal filho e por aí vai indo.
Até ai tudo bem, embora seja um saco ver um grupo de seis personagens com pais fodões que mudaram o curso da história na terra, o problema é e se a causa for uma coisa mais pessoal, da natureza do próprio jogador?
Atirem em mim uma pedra quem não conhece, amigo, parente sem pais separados, ou quem sabe você mesmo leitor do tópico.
Separação deixa marcas em qualquer um que tenha o minimo de apego pela família, ver tudo o que você se acostumava ir pelos ares e virar areia, e isso entra no subconsciente do jogador, fazendo isso.
Então seria o conceito do jogador com pai foda, uma espécie de válvula de escape, para que o jogador sinta que é capaz de suprir sua carência de uma figura paterna em quem se espelhar, quem sabe.
Já joguei um bocado de vezes, aliás, estou dentro desse mundo já faz um bom tempo e vi essa situação se repetir várias vezes, e desconfio que quanto mais ausente é a figura paterna na vida do jogador, mais vezes o pai fodão destruidor e exércitos vai surgir.
Não venho aqui fazer uma cruzada contra os pais fodões do rpg, venho pensando em que se o personagem tem um pai fodão, deve ter uma história particular com ele, coisas que os bardos não cantam pelas ruas, e uma personalidade quem sabe até não tão trovadoresca, pais com existência, com historia, com personalidade e que ensinaram coisas únicas ao personagem, não só como fazer a progressão perfeita para liquidar inimigos poderosos com um estalar de dedos.
O mais engraçado é que esse lado familiar também é puxado de formas variadas dependendo da atmosfera em questão, afinal é raríssimo ver uma mesa de vampiro em que o personagem tenha família, mesmo que este tenha sido abraçado recentemente, normalmente ele é um cão sem dono, pagando de lobo solitário, talvez porque, assim como na realidade as pessoas tem medo de perder entes queridos, na ficção (neste caso o rpg) o jogador também reflita isso, afinal eu também não atiraria a própria mãe num mundo cheio de perigos ocultos.

Até mais espero que eu tenha escrito isso direito, obrigado

Voltando ao outro lado do espelho

Texto por: Lord Lauren

27, 03, 2008

Frase do Dia – 27/03/2008

“As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos.”

(William Shakespeare)

William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, 23 de Abril de 1564 — Stratford-upon-Avon, 23 de Abril de 1616)[1] foi um dramaturgo e poeta inglês, amplamente considerado como o maior dramaturgo da Língua inglesa e um dos mais influentes no mundo ocidental. Suas obras que permaneceram ao longo dos tempos consistem de 38 peças, 154 sonetos, dois poemas de narrativa longa, e várias outras poesias. Suas obras são mais atualizadas do que as de qualquer outro dramaturgo. Muitos de seus textos e temas, especialmente os do teatro, permaneceram vivos até aos nossos dias, sendo revisitados com freqüência pelo teatro, televisão, cinema e literatura. Entre suas obras é impossível não ressaltar Romeu e Julieta, que se tornou a história de amor por excelência e Hamlet, que possui uma das frases mais conhecidas da língua inglesa: To be or not to be: that’s the question (Ser ou não ser, eis a questão)

Fonte: Carlos Nogueira

Os Contos Secretos de Ivan Maldovan – Um espírito em uma pedra – Parte 3: A Primeira vítima

pedra

”As sebes tem secado… e nenhum pássaro canta…”

Há dias tenho escutado essas mesmas palavras em meus sonhos… um único sonho que se repete todas as noites…
Uma imagem sem foco que desenha a silhueta de uma mulher virada de costas para mim que tristemente diz tais palavras e ao terminá-las ela volta-se para mim e antes que possa ver seu rosto… eu acordo!

Estava sentado às margens do lago da verdade, quando senti a presença de meu pai…
- Desde o dia que chegou, há quinze anos, você não tem dormido em outro lugar senão às margens desse lago, meu filho… Você sabe que este lago é perigoso, até mesmo para você…
- O que pode haver de tão perigoso na verdade? Este lago apenas mostra a verdade… a verdade que queremos dizer… a verdade que queremos esconder… a verdade que nem sabemos existir…
- Que essa seja uma decisão sua, então! Mas não foi por isso que vim aqui… Ivan… está na hora de você conhecer sua primeira vítima!
Você precisa voltar para Fenice, lá… procure por Isabelle… mas não se preocupe em procurá-la! Entenda filho, as pessoas fúteis fazem muito barulho para esconder o vazio. Agora vá… você saberá o que fazer…

Assim, parti para Fenice, e a cada passo que dava, minha aparência mudava… minha pele tornava-se mais alva, meus cabelos tornavam-se loiros avermelhados, e uma armadura prateada formava-se…
A ilusão estava pronta e faltava apenas um detalhe…

Quando cheguei nos limites da floresta, um belo cavalo me aguardava, eu sabia que aquele cavalo também se modificara, eu já o vi antes, ele sempre estava correndo pela floresta e selvagem eram seus olhos…

Mas agora ele estava calmo, talvez precisasse de um propósito e ao pensar nisso ele olhou para mim e inclinou-se fazendo uma reverência, e entendi que ele se oferecera para me ajudar. E então deixamos a Floresta dos Desesperados…

Ao chegarmos em Fenice, pude ouvir aos longes gritos e gargalhadas que vinham do centro da cidade. Seguindo o conselho de meu pai, fui guiado pelos os gritos…

Fenice não havia mudado muito, mas agora havia mais casas e alguns membros da nobreza haviam fixado residência lá… Ainda na Floresta dos Desesperados soube pelos corvos que alguns membros da nobreza eram enviados para vilas menos desenvolvidas, algumas vezes para estabelecer a ordem, outras vezes para cobrar impostos, em ambos os casos sempre levando uma pequena leva de cavaleiros formando uma pequena milícia consigo.

Mas havia também nobres que eram enviados por representar certa “ameaça” para a nobreza e ao próprio rei, e esses eram enviados sem milícia alguma. E percebi que a última situação era a que mais representava o estado da nobreza que se instalara em Fenice…

Ao chegar ao centro da cidade, vi que aquela praça em frente à pequena capela ainda permanecia a mesma e naquela época nem poderia imaginar que aquela praça seria palco para o julgamento e condenação de muitas bruxas alguns anos depois…

Mas agora três jovens, filhos de nobres, “brincavam” com uma camponesa de vestimenta simples e suja… Eles a cercaram e a puxavam e a beijavam a força e logo empurravam para o colega ao lado que repetia os gestos e gargalhavam enquanto a camponesa chorava formando uma cena deplorável.

Penso como é incrível que algumas pessoas guiadas pelo modismo ou inspirados pela vontade de um líder são capazes de fazer tanto mal a outros… Pela simples justificativa de não possuírem vontade própria. Inocentes seriam por desproverem de vontade própria? Não, é a resposta que tenho. Porque sempre há a escolha…

Mas entre a inocência e a culpa, eu culpo o líder, pois sem ele, não haveria motivação e nem um guia para esses malditos. E nessa situação a líder era uma jovem nobre que próximo daquela cena ria de tudo! E antes que pudesse interferir… Ela disse:
- chega! Parem! Bastian! Alphonse! François! Agora estou entediada!
A ordem foi obedecida prontamente, eles jogaram a camponesa num lamaçal e retornaram para próximo da jovem nobre.
- O que houve Isabelle? Agora que estávamos começando a nos divertir!
- É verdade! disse o outro, A roupa dela já estava praticamente se desfazendo!
- Sim! Agora que ia começar a verdadeira diversão! Concluiu o terceiro.

Olhando com desprezo para a camponesa, ela continuou…
- Eu já cansei dela, todas essas camponesas ridículas são assim, frágeis e só sabem chorar! Não vejo onde estaria a diversão nisso tudo! E outra…

Nesse momento, ela olha para mim e diz:
- não estamos sozinhos… Houve quem tivesse coragem de apreciar tudo isso… mas por não ter reação alguma, parece não se importar…
- e não me importo! Disse. Apenas concordo com vossas palavras… há algo mais divertido que estuprar miseráveis camponesas! Gostaria de saber o que seria?

Ao dizer isso, Isabelle mostra entusiasmo, e caminha em minha direção. Seus criados apenas olham sem saber como agir…
- Isabelle… aonde você vai? Um deles pergunta.
- vão embora! Estou farta de vocês! Finalmente encontrei alguém que mostra ser digno de minha presença!

Inclinei minha cabeça gentilmente agradecendo ao elogio, e desci de minha montaria. Ela se aproximou, e ajoelhei diante dela beijando sua mão.
- De onde vens, nobre cavaleiro? Daqui é que não é, pois duvido que aqui vivas sem que notado o tivesse!
- falas com demasiada audácia para uma moça tão jovem… disse sorrindo.
- talvez devesse pedir desculpas se minha curiosidade não fosse tão impetuosa… ela disse sorrindo também.
- mas quanto ao que me perguntas, venho de longe… de um lugar que acredito que desconheças…
- Hum, que mistério! pareces ser bem misterioso… gostaria de descobrir até onde vão tantos mistérios…
- se assim desejas, então a levarei comigo…
- E qual seria seu nome, nobre cavaleiro? Preciso saber o nome do ser que irá me seqüestrar… ela disse sorrindo.
- Me chamo Ivan, milady… e apenas meu primeiro nome será informação suficiente.
- Ivan? Engraçado você se chamar Ivan… ela fala enquanto o sorriso desaparece de seu rosto.
- E porque haveria graça? Demonstro leve preocupação.
- Por nada… por favor… me leve daqui…

Nunca saberei se foi a ilusão que a encantou, ou se foi o tédio pela mesmice que trazia o desespero que ela vivia dia após dia que a fez vir tão prontamente, sem medos ou incertezas… o fato é que ela me olhava com familiaridade como se já nos conhecêssemos e senti que nossos destinos estavam estranhamente entrelaçados…

Subimos em meu cavalo e partimos… mas ao sairmos de Fenice, percebi que ela não sorria mais…
- O que houve, milady?
- Nada, milord… é apenas o alívio que sinto por não precisar fingir mais…
- se é o que sentes… então sei onde devo levá-la… sei onde fingimento é algo desnecessário…
Ela me abraçou forte e voltou a sorrir enquanto íamos para a Floresta dos Desesperados…

(continua…)
Texto por: Mario Nakamura

26, 03, 2008

Frase do Dia – 26/03/2008

“…O segredo é não correr atrás das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você…”

(Mário Quintana)

 

Mário Quintana (Alegrete, 30 de julho de 1906 — Rio de Janeiro, 5 de maio de 1994), foi um poeta brasileiro autor de Rua dos Cataventos, O Espelho Mágico e O Aprendiz de Feiticeiro, entre outros. Considerado o poeta das coisas simples e com um estilo marcado pela ironia, profundidade e perfeição técnica, trabalhou como jornalista quase que a sua vida toda. Traduziu mais de cento e trinta obras da literatura universal, entre elas Em busca do tempo perdido de Marcel Proust, Mrs. Dalloway de Virginia Woolf, e Palavras e sangue, de Giovanni Papini.

Em 1940 lançou o seu primeiro livro de poesias, A rua dos cataventos, iniciando a sua carreira de poeta, escritor e autor infantil. Em 1966 foi publicada a sua Antologia poética, com 60 poemas inéditos, organizada por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, e lançada para comemorar seus 60 anos, sendo por esta razão o poeta saudado na Academia Brasileira de Letras por Augusto Meyer e Manuel Bandeira, que recita o poema Quintanares, de sua autoria, em homenagem ao colega gaúcho. No mesmo ano ganhou o Prêmio Fernando Chinaglia da União Brasileira de Escritores de melhor livro do ano. Em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis, da ABL, pelo conjunto da obra.

Fonte: Carlos Nogueira

Um espírito em uma pedra – Parte 2: Um acordo selado com sangue

Conto

…Eu estava perdido, perdido em lágrimas de desespero, e naquela floresta as sombras se moviam, e nenhum passaro cantava.

E mesmo a forte sangria, mesmo minha carne dilacerada, nada disso importava agora, e a paz da morte iminente foi trazida por uma leve brisa, como uma despedida deste mundo, mas nada disso me consolava.

Não foi necessário muita espera para que encontrasse meu destino. Porque logo, os sons dos meus gritos agonizantes ecoaram por toda a floresta, cortando o atordoante silêncio e atraindo várias sombras distorcidas entre as árvores…

Assim, pedi para que minha vida fosse ceifada, e meu sofrimento terminado. Não havia esperanças em meu semblante, apenas clamava a morte… e nesse pedido, um lobo apareceu, e torci para que ele atendesse minhas súplicas.

Ele se aproximou lentamente, olhou-me dos pés à cabeça, circundou-me algumas vezes, quando, quase sem forças, estendi minha mão em sua direção. E antes que desmaiasse de dor, pude ouvi-lo dizer:

“E Enfim, deparo-me com Ivan, filho de Heian, e por ele, despeço-me dando as boas-vindas e um longo adeus”.

Acordei… Estava em uma casa, mais parecida com uma cabana, uma cabana vazia e esquecida pelo mundo. E olhando para fora percebi que ainda estava dentro da Floresta dos Desesperados.

Não havia dor, medo, ou angústia… O mundo continuava a girar, e tudo parecia silencioso e fascinante. Agora via o mundo com outros olhos, tudo era muito fantástico, minha visão não se limitava mais à visão humana… Agora, podia ver os espíritos, e as sombras de outrora, agora haviam formas, todos eram seres maculados, amaldiçoados, perdidos e esquecidos pelo mundo, limitados a suas dores e lamentos.

Mas, inesperadamente, a porta se abriu e alguém entra calmamente olhando para mim e comentou:
- Vejo o quanto cresceu e o homem que se tornou, meu filho.
Ainda sem palavras, apenas observava meu pai olhando para mim com ar surpreso. Quando ele continuou:
- Sinto muito em ser direto no motivo que vim aqui, e me perdoe por não me estender em minhas explicações. Mas o tempo é injusto e você é requisitado com urgência… Por isso espero que entenda em breve quando tudo fizer mais sentido…
Filho, eu temia por você, pelo destino que escolhi para meu tão amado filho. Eu sabia que você se apaixonaria e se entregaria a algum amor proibido, você tem o meu sangue, fazeis parte dos últimos apaixonados desta era e sabia que você a levaria ao único lugar que você se sentiria seguro.
Foi por isso que quando você ainda era um garoto, eu te trouxe para Fenice, para que esse fosse o único lugar seguro para você, para que assim, algum dia, você se refugiasse aqui… e a proximidade daquela cidade com esta floresta não foi nenhuma coincidência. A casa dos mil destinos precisava de um guardião, e esta floresta precisava de um algoz, e eu escolhi você.
Felizmente e infelizmente ao mesmo tempo, tudo aconteceu conforme planejado, e você caiu na teia do destino que teci para você.

Surpreso e inconformado tentei argumentar, mas meu pai passava uma tranqüilidade inexplicável e assim ele continuou…
- Você pode me odiar agora pelo que planejei para você, mas somente sendo o algoz desta floresta você terá poder para se vingar. E como o sangue que corre em suas veias eu sei que anseias por vingança! Agora venha… você é esperado…

Ainda confuso com tudo que ouvira, segui meu pai para fora da cabana, e percebi que por fora, não era uma cabana, mas sim uma casa com detalhes impecáveis e precisos, parecia nova e bem diferente do que havia dentro dela e na entrada da casa havia um grande cristal de quartzo transparente entalhado rusticamente e que tinha a minha altura, e logo a porta se fechou, e ao se fechar, meu pai se virou e voltou-se para a casa e parecia retornar àquela mesma porta, quando perguntei:
- O senhor vai voltar a cabana? Como assim? Porque voltaríamos ao mesmo lugar?
Então, ele disse:
- Não vamos para aquela cabana… Vamos para outro lugar… Esta, meu filho, é a casa dos mil destinos, e ela pode nos levar a qualquer lugar, inclusive ao lugar em que é esperado, portanto, fique calmo, tudo será explicado… no tempo certo.
Assim, ele abriu a porta novamente, e entramos…

Ao entrar, tudo estava muito escuro e meu pai não respondia a meus chamados, mas uma força sobrenatural impelia-me a continuar, então segui e ao dar meus primeiros passos, feixes de luzes vindo de várias direções iluminaram o local e me vi em um palácio ancestral e em frente a um altar antigo, com fortes traços de esquecimento. E no centro havia uma esfera que flutuava no ar e brilhava uma incessante luz azul, uma luz que me chamava.

Cheguei próximo do altar, e os lobos apareceram e curvaram-se diante de mim, abrindo espaço para que eu me aproximasse da esfera. Fiquei na frente daquela esfera e a toquei com minhas duas mãos, e pude sentir…o mundo.

Era como sentisse o fluxo da vida passar por mim, como se naquele momento fizesse parte do mundo como as árvores ou as pedras, quando ouvi a voz do meu pai dentro de mim que dizia:
“És agora, Ivan, O algoz desta floresta, um espírito preso a uma pedra…”
Enquanto ele falava, me senti levado para dentro daquele cristal de quartzo que ficava em frente à casa e agora seu telhado era colorido e possuía todas as cores já descobertas. Então, meu pai continuou…

“…Estás condenado assim a vagar por 100 anos para que sua alma seja salva e assim possa descansar, mas até este dia, ceifarás almas… almas maculadas, almas desperdiçadas… Almas sem sentido, almas sem propósito…almas fúteis, almas perdidas em sua própria podridão…

Receberás assim, o poder de coletar essas almas condenadas em seu sábio julgamento. E para isso terás o poder de modificar-se, poderás adquirir a forma que quiseres pelo tempo que for necessário para que você conduza a alma até esta floresta e aqui condene-a!
…Ficarás retido a esta pedra ao lado da casa dos mil destinos até que esta floresta seja ameaçada ou alguma alma seja escolhida, enquanto isso guiarás àqueles que buscam esta casa… muito há para lhe ser ensinado… e seu aprendizado começa agora!”

Quinze anos foram necessários para que aprendesse sobre todos os mistérios daquela floresta, e sobre os segredos da casa dos mil destinos. E após esses intermináveis dias, recebi a visita de meu pai, ele foi até mim e disse: “Filho, é hora de conhecer sua primeira vítima…”.

(continua…)

25, 03, 2008

Frase do Dia – 25/03/2008

“Ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar; e ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender.”

(Blaise Pascal)

 

Blaise Pascal . (Clermont-Ferrand, Puy-de-Dôme, 19 de Junho de 1623 – Paris, 19 de Agosto de 1662). Filósofo, físico, matemático e escritor francês.

Fonte: Calor Nogueira

Um paladino, um destino, um caminho e varias escolhas – Parte 02

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Antes que pudessem terminar o seu treinamento o grupo de aventureiros teve que ser enviados para uma missão dentro do reino para já fazer os preparativos para uma fuga caso a horda orc chegasse ao Reino de Anathoray. A missão era de ir a cidade localizada ao lado oposto da possível invasão orc para que preparasse para que esta servisse de rota de fuga para todos os habitantes, este local se chama O porto de Thanes.

Chegando lá o grupo conversou com o patrono da cidade e descobriu que teria que estar liberando uma rota subterrânea, mas esta nos dias de hoje era ocupada por um grupo de bandidos.

O Paladino havido para combater o mal resolve ir se adiantando enquanto deixava o swasbucker conversando e elaborando planos com o patrono da cidade. Ao se aproximar do local a onde estaria a entrada para o subterrâneo encontra-se uma igreja em culto a Maya. O Paladino resolve conversar com o clérigo residente e coletar mais algumas informações adicionais sobre os bandidos que se encontram no subterrâneo sobre a igreja.

Na conversa com o clérigo descobre que ele já havia conseguido uma aproximação com o povo que vivia no subterrâneo, que eles entregavam as suas crianças para o clérigo para educá-los, enquanto ainda se sub-viviam nos subterrâneos.

Clérigo: “Eles vivem lá meramente por questões de falta de opção de moradia e trabalho. Passam necessidade e têm receio de vir a superfície por causa do preconceito que a sociedade tem conta eles.”

O Paladino continuava ouvindo, enquanto o clérigo colocava as crianças para fora e o swasbucker entrava na igreja. Neste momento o clérigo continuou.

Clérigo: “Para trazer eles para fora para tentarmos isolá-los e convencidos disto e que vai ser um dos complicantes. Parece que a ultima vez que eles saíram, pelo menos da ultima vez, havia um grande festival.”

O swasbucker já havia planejado junto ao patrono do porto de Thanes a festa para atrair os nossos ilustres visitantes, então de comum acordo todos começam a preparar a festa para que ela aconteça.

Tudo acontece na maior paz e as informações sobre quem seriam os lideres começa a chegar aos ouvidos de nossos intrépidos aventureiros, cada um tem um plano para tentar isolar os membros do grupo de bandidos. O Paladino tenta através de um torneio separar um deles, que no final fica apenas o Paladino e este guerreiro dos bandidos. Mas antes que acontecesse o combate a mascara do plano dos nossos aventureiros cai e tudo vem à tona, sendo feito uma distração com fogos de artifícios o grande mago do grupo faz com que todos sejam transportados para os subterrâneos, os bandidos e os nossos heróis.

Após os sustos do acontecido, tanto dos fogos como do teletransporte, os aventureiros resolvem avançar para explorar e localizar os bandidos. Só que eles percebem que houve um problema só estava o Paladino e Swasbucker, se entre olharam, mas resolveram continuar, não tinham mais que fazer e tinha que continuar e resolver este problema que tinha só crescido. Os combates aconteceram e os dois aventureiros tiveram grandes problemas ao decorrer do tempo, ganharam ajuda do Clérigo da igreja do Porto de Thanes e ate mesmo do grande mago do grupo.

Estes resolveram se dividir de acordo com a situação do grupo, o swasbucker  e o Paladino com a sua prisioneira foram para o lado externo da estrutura enquanto o grande mago foi enfrentar o ultimo desafio que era um outro mago extremamente poderoso.

Após algumas recomendações e a utilização de sua cura sagrada o Paladino resolve entrar novamente na estrutura para ir atrás do grande mago do grupo, a qual considerava um grande amigo. A cada momento que entrava na estrutura ele percebeu explosões, pequenos deslizamentos e faíscas de energia. Chegando a sala aonde se originava todos estes sons e luzes, o Paladino força a porta sem grandes resistências e vê o seu amigo e grande mago Brian caindo com uma estocada de uma espada. Furioso estende as suas asas e voa furiosamente em direção do grande mago, este que se alto clamava de Merlin. Este mago lança uma bola de energia tentando impedir o avanço do Paladino que desvia para ver que vem uma bola gigantesca de fogo em sua direção so dando o tempo para lançar a sua espada de ametista com toda a sua força cravando o mago Merlin na parede ao fundo. Mas antes que o Paladino seja consumido pelas chamas e sendo transformado em cinzas ele vê Brian se ergue e brandir palavras furiosas.

Brian: “Maldito, pensa que um mago pé-rapado como você poderá destruir a Brian Luckhard?”

Neste momento parte da gigantesca bola de fogo e consumida, mas não deixando de provocar danos máximos no Paladino que ainda consegue ver a existência sendo rompida pelo poder que Brian esta imitindo.

(continua…)

24, 03, 2008

Frase do Dia – 24/03/2008

“Não pode ser seu amigo quem exige seu silêncio ou atrapalha seu crescimento”

(Alice Walker)

Alice Malsenior Walker (nasceu dia 9 de fevereiro de 1944, em Eatonton, Georgia, Estados Unidos da América); escritora de origem afro-americana; famosa pelo livro A Cor Púrpura (The Color Purple).

Fonte:  Carlos Nogueira

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