Suserania's Weblog

29, 03, 2008

Paternidade e RPG

Não sei se vocês notaram, mas a maioria dos jogadores em quanto monta um personagem, normalmente colocam como parte dele um pai poderoso de alguma forma, na verdade é até curioso como dezenas e mais dezenas de personagens possuem pais poderoso de um poder de certa forma intangível, agora me pergunto, por que diabos isso sempre acontece?
Eu tenho várias frentes de pensamento e uma delas me diz que talvez seja o fato de que alguns personagens passam aos personagens uma coisa chamada projeção, se ele colocar em seu background, um pai que era um personagem habilidoso eles conseguirão tornar-se poderosos e habilidosos como querem, afinal certas coisas ainda ficam enraizadas dentro de nossa cabeça, tal pai, pal filho e por aí vai indo.
Até ai tudo bem, embora seja um saco ver um grupo de seis personagens com pais fodões que mudaram o curso da história na terra, o problema é e se a causa for uma coisa mais pessoal, da natureza do próprio jogador?
Atirem em mim uma pedra quem não conhece, amigo, parente sem pais separados, ou quem sabe você mesmo leitor do tópico.
Separação deixa marcas em qualquer um que tenha o minimo de apego pela família, ver tudo o que você se acostumava ir pelos ares e virar areia, e isso entra no subconsciente do jogador, fazendo isso.
Então seria o conceito do jogador com pai foda, uma espécie de válvula de escape, para que o jogador sinta que é capaz de suprir sua carência de uma figura paterna em quem se espelhar, quem sabe.
Já joguei um bocado de vezes, aliás, estou dentro desse mundo já faz um bom tempo e vi essa situação se repetir várias vezes, e desconfio que quanto mais ausente é a figura paterna na vida do jogador, mais vezes o pai fodão destruidor e exércitos vai surgir.
Não venho aqui fazer uma cruzada contra os pais fodões do rpg, venho pensando em que se o personagem tem um pai fodão, deve ter uma história particular com ele, coisas que os bardos não cantam pelas ruas, e uma personalidade quem sabe até não tão trovadoresca, pais com existência, com historia, com personalidade e que ensinaram coisas únicas ao personagem, não só como fazer a progressão perfeita para liquidar inimigos poderosos com um estalar de dedos.
O mais engraçado é que esse lado familiar também é puxado de formas variadas dependendo da atmosfera em questão, afinal é raríssimo ver uma mesa de vampiro em que o personagem tenha família, mesmo que este tenha sido abraçado recentemente, normalmente ele é um cão sem dono, pagando de lobo solitário, talvez porque, assim como na realidade as pessoas tem medo de perder entes queridos, na ficção (neste caso o rpg) o jogador também reflita isso, afinal eu também não atiraria a própria mãe num mundo cheio de perigos ocultos.

Até mais espero que eu tenha escrito isso direito, obrigado

Voltando ao outro lado do espelho

Texto por: Lord Lauren

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