Suserania's Weblog

30, 03, 2008

Video-Game de Papel

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Andei observando o nosso cenário “RPGistico” atual, e percebi uma crescente quantia de adaptações e sistemas destinados a se aproximar dos jogos de RPG Eletrônico.

Isso muito me incomoda, uma vez que o RPG (RolePlaying Game), ou jogo de interpretação de papeis, é bem diferente disso que está sendo pregado nos novos sistemas. Nos tempos áureos do antigo AD&D o que mais importava não eram os números nem o poder, mas sim a interpretação do personagem, a forma como resolvias os problemas propostos pelo mestre.

Lembro de ter visto uma série de campanhas em que ao avistarem algo se movendo pela floresta ou caverna, eles, os personagens dos jogadores, não se importavam em saber o que havia por lá e nem quem era: simplesmente partiam para o ataque com carga total – tal como nos vídeo-games.

Mas nos esquecemos que nos vídeo-games é impossível atacar os possíveis aliados: o jogo bloqueia essa possibilidade para que não destrua a estória e o desenrolar do jogo. Já no RPG de papel, ou RPG convencional, não existe esse bloqueio grotesco e pouco interpretativo e os jogadores acabam por destruir uma campanha inteira, pois o único objetivo é adquirir mais e mais poder sem terem o menos discernimento dos elementos que compõem a estória.

Felizmente existem sistemas diferenciados, como os da linha Storyteller e Daemon, que valorizam muito a interpretação, não importando quantas vezes os personagens entraram em combate, mas sim quantas soluções inteligentes tiveram para as dificuldades impostas pelo mestre.

Mas, para tristeza geral, o sistema mais popular e mais jogado atualmente não segue essa linha de raciocínio. No D&D, o personagem ganha experiência ao final de cada combate e, assim, consegue tornar seu personagem mais poderoso – sem dizer que as magias e classes usadas por ele facilitam ainda mais essa semelhança com os jogos eletrônicos. Não é a toa que o D&D tem mais de três séries de jogos eletrônicos.

Agora, não vamos confundir o D&D com o D20 System, pois eles são diferentes e existem adaptações em que ele é melhor utilizado, tornando o jogo mais interpretativo como no: Star Wars D20.

“Não deixemos de jogar o D&D por não ser tão interpretativo como os outros, mas sim tentar interpretar um pouco mais nossos personagens”

Texto por: Baldoos Vanguard

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