Suserania’s Weblog

30, 04, 2008

Um paladino, um destino, um caminho e varias escolhas – Parte 08

 

Paladino

Chegando em frente da cidade, após passarem o portal, o grupo de aventureiros se depara com uma situação totalmente caótica e descontrolada. Pessoas correndo, fugindo, gritando em total desespero. Tentando fugir de um pesadelo que ao longe se ouve seu rugir e suas pesadas passadas.

Podia se vê ao longe a passada pesada da movimentação da horda com as suas armas e seu apretechos de guerra em direção a cidade e a conquista do reino, ali séria o ponto em que a batalha estava total e iminente. O grupo sabia que teria pouco tempo para retirar as pessoas dali, fortificar a cidade para o combate e ainda ganhar tempo para chegada do exercito do reinado.

Brian e Ivan preparam uma substância utilizando um pergaminho dado pela rainha para fortificar as defesas da cidade, tudo baseado no seu fogo primordial. Conjuram e preparam a esta substância que devera ser jogada nos muros, enquanto isso os outros estão retirando gradualmente as pessoas da cidade e preparando os poucos soldados que ainda se encontram na cidade. Na maioria destes soldados são novos e inexperientes, dava para ver em seus olhos a total e completa inexperiência em combates e ainda mais a este nível em que a cidade vai enfrentar.

O Dante e o paladino estavam retirando todos dos muros mais externos, colocando eles em rotas de fuga e recolhendo o maior número de armamentos para serem usados no combate e armar as tropas que estariam ali defendendo. Quando são chamados por um miliciano para chegar aos muros.

Se aproximando do muro, os dois conseguem ver os magos lançando uma substancia enegrecida com uma essência mágica nos muros. Desta forma parecia que eram mais solidas e fortes que fez que os que ficariam para lutar se sentiram um pouco mais aliviados e prontos para lutar em defesa de suas vidas e de suas terras.

Suspirando fundo o paladino sai da cidade e vai para frente da muralha, acompanhado pelo Dante – Swasbucker, que se posicionam esperando a chegada dos outros companheiros e a entrada da horda. Mas quando percebem só aparece o mago para lutar ao lado deles.

Paladino: “Que foi que houve com Brian? Cadê ele?”

Ivan: “Ele disse que ia terminar de retirar a população da cidade, mas devíamos começar sem ele.”

Paladino: “Agora realmente ficou muito complicado, vamos ter grandes problemas para enfrentar esta multidão toda, vai ser realmente complicado fazer isso. Não temos poder suficiente para demorar muito tempo na frente deles.”

Dante: “Vixi assim tenho certeza que vamos passar desta para melhorar e bem rápido.”

Ivan: “Que isso, eu estou aqui. Vamos conseguir isso.”

Mas era nítido entre os aventureiros o nervosismo e o grande problema que eles tinham em mãos. Suas chances não melhoravam com o tempo, quando perceberam no horizonte se posicionava toda a horda e suas maquinas de guerra, que se organizavam para atacar a cidade.

No mesmo instante o mago Ivan começa a preparar as suas magias de proteção, o Swasbucker Dante prepara as suas armas e aquece para seus movimentos rápidos para o combate e o Paladino já ativa a sua aura da coragem, se transforma com o poder de sua montaria aumentando ainda mais a chance de combate e vitoria.

As catapultas se preparam para avançar e os orcs começam a lentamente avançar, os três aventureiros avançam em direção da horda para combatê-los o maximo que puder para sobreviver a esta situação.

O mago Ivan dispara uma bola de fogo em uma das catapultas destruindo a mesma e matando alguns orcs que estavam na catapulta e perto dela. Tanto o paladino e o Dante pulam enfrentando os orcs que avançam derrubando alguns durante este primeiro embate.

No mesmo momento os orcs retalharam o ataque, disparam as outras 3 catapultas, duas acertaram os muros. Tremeram, mas agüentou a primeira leva dos ataques, os orcs começam a correr em direção da muralha enquanto alguns ficam lutando com os aventureiros. Os orcs que correm em direção as muralhas são recebidos a flechadas, mas ainda assim por serem poucos defensores não conseguem segurar a todos que chegam aos muros e começam a escalar o mesmo.

Os aventureiros se desviavam o como podiam dos ataques dos orcs e revidavam na medida do possível, derrubando alguns, ferindo outros e fazendo com que a primeira leva recuasse. Enquanto Dante e o Paladino eliminava os orcs no corpo a corpo o mago Ivan lançava as suas mágicas para atrasar os ataques na muralha e destruir mais uma das catapultas. Que ainda resistiam aos ataques das grandes catapultas.

Por incrível que parece a primeira leva conseguiu ser rechaçada e enviada de volta as suas fileiras, mas os soldados da cidade já estavam exaustos e na sua maioria mortos, a próxima leva entraria na cidade não dando chance alguma a eles.

As catapultas estavam destruídas e fora de combate, agora so restavam eliminar o restante da horda e seus generais. Ao finalizar este pensamento, o grupo que respirava e retomava fôlego, vê tomando a frente das fileiras dos orcs um Orc Shaman. Este ostentava uma identificação de general e entra urrando ferozmente aos céus.

Orc Shaman

Texto por: Fenrir, Christian Alencar

Frase do Dia - 30/09/2008

“Você nunca conhece realmente as pessoas. O ser humano é mesmo o mais imprevisível dos animais. Das criaturas.”

(Hilda Hilst)

Hilda de Almeida Prado Hilst mais conhecida como Hilda Hilst, (Jaú, 21 de abril, 1930 Campinas, 4 de fevereiro de 2004) foi uma poeta, escritora e dramaturga brasileira. Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), formando-se em 1952. Foi na universidade que conheceu sua melhor amiga, a escritora, Lygia Fagundes Telles. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas, onde hospedou diversos escritores e artistas por vários anos. Ali dedicou todo seu tempo à criação literária.

Como interpretar um personagem diferente de você?

Muita gente quer fazer um personagem que é bem diferente dele mesmo. Eu sempre fiz isso, mas era fácil, porque eu simplesmente dava vazão à Besta interior. Mas como fazer quando se trata de interpretar características que você simplesmente não possui?

Existem duas situações aqui: na primeira você é um mestre, que tem um personagem não jogador para trabalhar no jogo, na segunda situação, você é um jogador com um personagem que possui atributos que você não tem.

Quando se é o mestre é muito fácil resolver esse problema. Como eu sempre digo: não existe uma só maneira de resolver isso, daí a mania de mostrar tudo com exemplos: um cientista do Mal, com o dobro do seu QI, pode ser interpretado simplesmente com o cientista descobrindo todos os planos do grupo de aventureiros do Bem que quer frustrar os planos dele. Um agente secreto inimigo com charme demais conseguirá mulheres demais e estará nas festas de todos os lugares, sem muito esforço. Como eu disse, é fácil.

Mas quando se trata de um personagem muito diferente do jogador é diferente: o cara não tem como saber os planos de antemão ou coisa assim. O que poderia ser feito pelo mestre é dizer que os testes de manipulação são mais fáceis para o personagem se ele tem grande valor em manipulação, ou o que quer que seja, de acordo com o sistema ou tipo de personagem, mas isso não ajuda com a interpretação.

Quando falamos em interpretação, pouco pensamos em coisas como AD&D, mas a verdade é que a interpretação têm sua parcela de importância nesses sistemas também. Ainda que não sejam fundamentados em interpretação, esses sistemas simplesmente perderiam o sentido se um paladino agisse como ladino e o ladino como mago.

O que o cara tem de fazer é o que qualquer ator faz: laboratório, pesquisa mesmo. Vá ver filmes. Quer ser paladino? Assista Coração de Dragão! Quer ser ladino? Assista Zorro! Quer ser um vampiro noviço, que tem uma família de vampiros e uma organização que também funciona como a Camarrila, mas não quer algo manjado? Vai assistir ao Guardiões da Noite (Night Watchers) correndo! O segredo é encontrar um personagem que é o que você está procurando. Se o personagem é conhecido em quadrinhos, vá ler. Depois vá assistir ao filme se já adaptaram.

Esse “estudo” está longe de ser chato ou coisa assim. Você vai ver que é muito bom conhecer mais os tipos humanos, assistir a filmes diferentes, entender as coisas por outra ótica, essas coisas. Você pode inclusive se espelhar em, alguém que você conhece, não tem nada de mais. Eu já fiz isso!

Texto por: Ricardo “Cão Babão”

29, 04, 2008

PERSONALIDADE DO MINIATURISTA

Louco… Sonhador… Detalhista… Perfeccionista… Uma criança que não cresceu…

Muitos serão os adjetivos que podem caracterizar um miniaturista ou um colecionador. Muitos particularmente preferem se auto proclamar “Sonhadores”… Pois quando o miniaturista está às voltas com a montagem de sua Casa de Bonecas, Maquete, Veleiro ou qualquer outra mini-construção, flutua para uma outra dimensão… A mente voa… Vai a lugares e tempos antigos, épocas de ritmos diferentes… Nada de celulares… PCs… Internet então… ha, nem se fala…

Montando partes de sua miniatura, percebe-se como é relaxante… um verdadeiro hobby anti-stress… A gente fica feliz… imensamente feliz… plenamente feliz… É uma viagem com a imaginação por salões de bailes, antigas tradições, carruagens puxadas por cavalos… quase um Conto de Fadas…

Sim, há algo de infantil em tudo isso, mas não diz a sábia filosofia popular que nada melhor do que manter viva a criança dentro de cada um de nós???

Abaixo, seguem algumas “charges” enviadas por nossos internautas e que mostram com muito bom humor, mas uma clareza de visão absoluta, como funciona a mente do miniaturista…

Papo entre duas amigas miniaturistas:
- Oh Céus, construi uma mesa mas as pernas ficaram tortas!!!
- Não esquenta, joga uma manta por cima que vai ficar parecendo tudo reto.


Algumas Leis de Murphy do Miniaturismo:
- O pé da cadeira que você tinha intenção de encurtar… era o outro.
- Toda vez que o processo de construção está indo bem… a cola escorre.
- Seus minipregos perdidos serão achados por alguém… que anda descalço.
- Quando o papel de parede adere bem… está torto. E quando ele está no prumo perfeito… aparecem bolhas.
- A magnitude da besteira é diretamente proporcional ao custo da minipeça ou minikit.


Um amigo miniaturista mandou sua linda casa em estilo vitoriano para ser feita a montagem da instalação elétrica. Preocupadíssimo com o que poderia acontecer ao seu tesouro, expôs suas preocupações aos amigos, que prontamente (e muito sarcasticamente) tentaram tranquilizá-lo:
- Não se preocupe tanto!!! Afinal se tudo der errado, e a casa ficar muito esburacada, você sempre poderá transformá-la em uma casa pré-histórica, e nas paredes colocar papéis com motivos rupestres. Aconselhou um “amigo”.
- Ou então, transformá-la em cenário de guerra, a gente põe uns soldadinhos de chumbo, vai ficar perfeito!!! Disse o outro.

Fonte: Miniaturas do Brasil

Frase do Dia - 29/04/2008

“As pessoas sempre põem a culpa nas circunstâncias por serem quem são. Não acredito em circunstância: os indivíduos de sucesso são aqueles que saem e procuram as condições que desejam; e, se não as encontram, criam-nas.”

(George Bernard Shaw)

George Bernard Shaw (26 de julho de 1856 - 02 de novembro de 1950). Escritor irlandês, vencedor do prêmio Nobel de literatura em 1925. Filho de uma tradicional mas empobrecida família protestante, foi de início instruído por um tio, mas rejeitou a educação escolar e aos 16 anos empregou-se em um escritório. Adquiriu amplo conhecimento artístico graças à mãe, Lucinda Elizabeth Gurly Shaw, e às freqüentes visitas à National Gallery da Irlanda.

Decidido a se tornar escritor foi morar em Londres (1876), porém por mais de dez anos seus romances foram recusados por todos os editores da cidade, assim como a maior parte dos artigos enviados à imprensa. Tornou-se vegetariano, socialista, orador brilhante, polemista e fez as primeiras tentativas como dramaturgo.

Meu mestre não me deixa jogar os dados

Os próprios livros dizem que há situações em que os jogadores não devem saber o resultado de suas jogadas. É uma recomendação que pode ser verificada muito facilmente e que eu explicarei como funciona.

Esta cena descreve muito bem a situação, que é deveras avassaladora!

O personagem “ladrão”, fugindo de um troll das florestas, se esconde em uma gruta. Ele acredita estar completamente seguro, quando na verdade está com a bunda de fora da caverna. Como “ladrão” tem ABSOLUTA CERTEZA de que se esconde bem, pois já conseguiu escapar de poucas e boas assim em diversas ocasiões, ficará parado, enquanto o troll se aproxima perigosamente da sua bunda indefesa…

O que aconteceu aqui foi o seguinte. O jogador pode até saber o que vai acontecer de errado com o personagem, mas o personagem não, porque para este, ele sempre está bem escondido, de modo que ficará imóvel, para o que der ou vier, até que o perigo passe ou até ser tarde demais, mas não fará mais nada, porque não sabe que “algo” o espera.

Enquanto mestre eu já permiti que os jogadores fizessem jogadas desse tipo, mas depois cobrei a atuação adequada.

1º exemplo: Qwerty faz uma pesquisa e “descobre” que os cães não olham para o céu. Qwerty acredita piamente nisso, mas o jogador sabe que não é verdade. Ainda assim, Qwerty vai comunicar o fato para os seus colegas de equipe que lhe sacanearão, e ele tomará isso como ofensa pessoal. Como podem duvidar das capacidades cognitivas de Qwerty, O Brilhante? Secretamente, Qwerty bola um plano de invasão que levará em conta seu novo conhecimento sobre os cachorros, que já está fadado ao fracasso desde o início.

2º exemplo: Itacolomy, pajé de 8º nível, faz uma poção de cura, mas falha miseravelmente no seu teste, o que vai possivelmente resultar na morte de seu paciente. Ainda assim, Itacolomy vai administrar a “cura”, pois jura que é o único jeito do seu amigo sair dessa.

O que aconteceria se a jogada do pajé fosse vista por todos? No mínimo o paciente iria se recusar a tomar seu remédio direitinho porque o jogador sabia demais, o que prejudicaria a atuação, aja visto que o paciente procurou ajuda do pajé em primeiro lugar. O jogador sabe que o seu personagem vai morrer, mas o personagem quer mais é beber o veneno!

Resumindo: há situações em que o personagem não tem como saber se suas habilidades são suficientes, até que tudo comece a fracassar. Daí, sim, pode-se pedir um novo teste ou mudar de tática. O melhor nesse caso é (atenção, hein, dica do Mestre!) ter sempre um plano de contingência, daí quando tudo mais falhar, é hora do Plano B!

Texto por: Ricardo “Cão babão”

28, 04, 2008

Um paladino, um destino, um caminho e varias escolhas – Parte 07

Paladino

Voando o mais rápido possível para reinado o Paladino vai pensando em que tudo já aconteceu ate aquele momento e dentro do seu coração ainda bate angustiado pelas derrotas e as suas incapacidades de conquistar. Seu futuro não era claro, nem tão promissor como esperava que fosse quando saiu do lar dos dragões de ametista.

Já chegando perto do reinado, ao final do horizonte ele tenta identificar o que séria uma embarcação que nunca tinha visto antes. Mas como ambos se encaminham para lados opostos não possibilita a sua identificação afinal.

De volta à casa da rainha ele volta a se reunir com os seus companheiros que o cumprimentam e perguntam como foram as coisas lá pelas suas terras. Ele fica meio evasivo de responder o que aconteceu em sua terra e tenta se esquivar perguntando como estão as coisas por ali e como anda o treinamento.

Brian chama a todos para se reunir urgentemente com ele, a rainha e os generais, pois parece que finalmente a horda começa avançar em cima do reinado humano.

Todos correm para a sala de reunião, chegando lá já vêm todos os generais do reino conversando e discutindo sobre o que fazer para com o avanço do exercito da horda. Os generais informam que as suas tropas estão mais ao sul e levara um tempo para que eles cheguem a tempo para o combate antes que destruam praticamente tudo.

Brian: “Sugiro o seguinte, vão para junto dos seus exércitos e avancem para a capital o mais breve possível, enquanto isso eu e estes guerreiros vamos evacuar o Maximo de cidades. Em ultimo caso entraremos em combate com eles de forma de distração.”

Todos se entre olham, ficam preocupado com a colocação de Brian, mas concordam que não vão ser de muita ajuda senão o fazerem aquilo, ali suas forças serão realmente diminutas e fracas. Os generais se despendem e saem para junto as suas tropas. Enquanto isso a rainha pede que Brian e o resto do grupo fiquem ali, pois ainda tinham por menores a conversar.

Rainha: “Sei que finalmente chegou a tempestade que circulava o nosso reino, a que estávamos nos preparando para tanto, mas não esperava que fosse chegar tão rápido e nos pegar tão desprevenidos” – ela faz uma pausa e caminha ate uma janela próxima – “As nossa milícias já estão removendo as cidades próximas para a nossa cidade e outras estão levando pela rota de fuga que foi concebida por vocês em sua ultima missão, fico grata por isso.Mas ainda temos coisas urgentíssimas a fazer agora, vocês vão ter que ir para uma cidade a mais ou menos meio dia de viagem daqui a cavalo, lá vocês vão ter que fortificar as defesas e remover o povo de lá. A Horda estará vindo por la, tentem ganhar o maior tempo possível, este será o local que estaremos combatendo com eles. Este será também o ponto em que as nossas tropas estarão chegando e se aproximando.”

Brian: “Mas minha rainha esta cidade nem e tão fortificada e sua posição não e tão estratégica.”

Rainha: “Isto e verdade Brian, mas será o ponto que teremos chance de fazer alguma coisa para detelos antes de chegar aqui em nossa capital e ganharmos tempo de dar combate a eles. Usem estes pergaminhos para criarem muralhas mais resistentes, o seu fogo primordial e do Ivan serão mais do que necessários para isso. Vão agora, preparassem e boa sorte.”

Todos vão pegar os seus equipamentos e se encontram minutos depois na sala de reunião, aonde Brian terminava de abrir uma passagem para a cidade aonde será a sua próxima missão.

(Continua…)

Mestre: Ame ou deixe-o

O mestre tem a prerrogativa de ser o Senhor do jogo, o chefão, o que manda e desmanda, o Juiz, o Júri e o Carrasco. Ainda assim, não se deve ser um Senhor cruel, o que levaria a uma revolução equivalente à Revolução Francesa na mesa de jogo, terminando com o fim do mestre em termos de jogo.

Houve um tempo em que era costume se chamar o mestre de Deus. Isso aparecia inclusive em alguns RPGs, como o brasileiro Monstros. Isso porque o mestre cria o mundo, a história, os inimigos, controla o tempo e essas coisas. Até mesmo os deuses que aparecerem no jogo são controlados por ele.

Mas com o passar do tempo todos os jogadores começaram a entender as regras e a mestrar de vez em quando ao menos. Como todos entendiam as regras, ou a maneira de ser dos mestres, vez em quando entravam em desacordo com eles, da mesma maneira que os Titãs faziam com os Deuses do Olimpo.

O que acontece é que, dessa vez, o mestre é o que está mestrando, não alguém que já foi mestre e que agora está jogando. Não importa se a regra diz o contrário: se o mestre faz isso valer para todos, inclusive para os monstros, todos estão em pé de igualdade e o mestre até deve ouvir os seus comentários a respeito, mas no final a decisão é dele e não dá para jogar sendo contestado eternamente. Seu personagem é profissional e tudo mais, mas ocorre que às vezes “merdas acontecem”.

Com um profissional dos bons é difícil acontecerem erros, pode ser inclusive que isso nunca tenha acontecido com trapezistas do Cirque du Soleil, por exemplo, mas um dia vai acontecer… além disso, eles são os melhores do mundo, o que é bem diferente do que acontece com o seu personagem. O seu personagem é um dos melhores, mas deixe seu bárbaro lutar com alguém como o Conan, considerado o maior guerreiro da Era Hiboriana, para que se veja a diferença…

…e as coisas dão errado para ele também!

Ainda assim, você deve saber que existem sistemas que dizem que ao errar o personagem sabe, o que inviabiliza aquelas jogadas que o mestre faz pelo jogador, a fim de que este não saiba o destino do personagem. Beleza, mas o mestre pode decidir mudar isso. Ele é o mestre, afinal.

Se você não concorda com isso, vá mesmo atrás de um mestre mais ligado às regras, mas saiba que aí vai ser mais difícil ele quebrar o seu galho quando necessário, como naquelas situações em que o seu personagem não necessitaria fazer um teste. E acredite: já aconteceu comigo de me lascar todo porque alguém decidiu fazer um teste desnecessário e eu, como todos os bônus a favor, tive uma falha. Essa falha poderia ter sido evitada se o mestre simplesmente dissesse “OK, você consegue isso sem problemas”, mas eu cobrei dele uma jogada para potencializar os efeitos e deu no que deu.

É melhor ver com o mestre essa questão e deixar ele fazer as coisas do jeito dele. Assim fica mais fácil pedir para ele quebrar o seu galho de vez em quando. Se o jogo está fluindo, tanto faz se ele ou você joga os dados, se você vai se safar ou não é aleatório.

…mas se te incomoda de verdade, saia fora. Você tem de se divertir!

Texto por: Ricardo “Cào babão”

27, 04, 2008

“Quem eram os Celtas?” - Parte 2

2 – Relatos de Júlio César sobre os Gauleses

Segue abaixo parte de um texto escrito por Júlio César (retirado de “Comentários Sobre a Guerra Gálica”) onde o autor relata de forma direta como era a sociedade gaulesa vista por ele durante suas incursões. Isto pode ajudar a melhor entender esta misteriosa e curiosa civilização:

(…) Dois são em toda Gália os gêneros de homens, que são tidos em alguma conta e estimação. (…) Mas destes dois gêneros um é o dos druidas, o outro, o dos cavaleiros. Aqueles que entendem nas coisas sagradas, cuidam dos sacrifícios públicos e particulares, e explicam as doutrinas e cerimônias da religião: a eles acode grande número de adolescentes com o fim de instruir-se, e esses são tidos em muita estimação. Pois os druidas decidem de quase todas as contendas públicas e particulares; e, se comete-se crime, ou perpetra morte, se disputa-se sobre herança, ou limites, julgam e estabelecem recompensas e castigos; se algum particular ou povo recusa sujeitar-se à decisão, lançam-lhe interdito na participação aos sacrifícios; o que é entre eles pena gravíssima. Os que assim incorrem no interdito, são tidos por ímpios e celerados, todos se apartam deles, fogem do seu acesso e conversação, para que não recebam dano com a comunicação, nem se lhes faz justiça, quando a solicitem, nem participam de honra alguma. A todos estes druidas porém preside um, que exerce a suprema autoridade. Morto este, ou lhe sucede o que sobressai em dignidade, ou se há muitos iguais na hierarquia, é eleito pelo sufrágio dos druidas: algumas vezes também disputam a preeminência pelas armas. Estes, em certo tempo do ano juntam-se em lugar consagrado nas fronteiras dos Carnutes, que se reputam no centro de toda a Gália. Para aqui se dirigem todos os que têm pleitos, e sujeitam-se às suas decisões e sentenças. Supõe-se haver sido esta doutrina deparada na Bretanha, e dali transmitida à Gália; e ainda agora os que desejam estudá-la fundamentalmente, lá vão as mais das vezes aprendê-la.


Costumam os druidas abster-se da guerra, e não pagam os tributos a que estão sujeitos os mais Gauleses; gozam da isenção da milícia e da imunidade de todos os encargos. Excitados por tais vantagens, muitos são os que os procuram para instruir-se na sua ciência, seja por livre vontade, seja mandados por seus pais e parentes. É fama que aprendem aí grande número de versos (e alguns há que gastam vinte anos neste estudo); mas não se permite escrevê-los, sendo que em tudo mais, ou se trate de negócio público, ou particular, usam de caracteres gregos. Parece-me que assim o instruíram por duas razões: a primeira, evitarem que a sua doutrina se espalhe pelo vulgo; segunda, não deixarem os que a prendem, de cultivar a memória, fiados nos escritos; pois acontece ordinariamente, que com o socorro destes omitem muitos o cuidado de decorar, e o cultivo da memória. Fazem sobretudo acreditar que as almas não perecem, mas passam, depois da morte, de uns para outros corpos, e com isso julgam incitar-se principalmente ao valor, desprezando o medo da morte. Discorrem também muito sobre os astros e seu movimento, sobre a grandeza do mundo e a da terra, sobre a natureza das coisas, sobre a força e poder dos deuses imortais e transmitem os discursos à mocidade.
Outro gênero é o dos cavaleiros. Estes, quando é necessário, e ocorre alguma guerra (o que antes da chegada de César quase todos os anos costumava a suceder, ou para empreenderem correrias, ou para repelirem as dos vizinhos), vão todos à guerra, e como cada um mais sobressai em nobreza e haveres, tanto mais guarda-costas e clientes têm em torno de si. Nisto fazem consistir todo seu crédito e poder.


Toda a nação dos Gauleses é mui dada a superstições e por isso os que são acometidos de enfermidades graves, andam nas batalhas, e correm perigo, ou imolam vítimas humanas, ou prometem imolá-las; pois, a não se dar vida de homem por vida de homem, não julgam placável o poder dos deuses imortais; e estatuem sacrifícios públicos deste gênero. Alguns há que forma simulacros de descomunal grandeza, cujos membros tecidos com vime enchem de homens vivos, e aos quais lançado fogo, expiram homens abrasados pelas chamas. Reputam mais agradáveis à divindade os sacrifícios dos que são surpreendidos em furto, roubou, ou algum delito, mas, a falta destes, descem também aos sacrifícios dos inocentes.
Adoram principalmente ao Deus Mercúrio. Muitos são simulacros, que dele possuem: consideram-no como inventor de todas as artes, o guia dos caminhos e jornadas, o maior protetor no ganho de dinheiro e no comércio. Veneram depois dele a Apolo, Marte, Júpiter, Minerva. Destes têm quase a mesma opinião, que as mais nações: isto é, que Apolo expele as doenças, Minerva transmite os princípios dos artefatos, Júpiter tem o império dos céus, Marte preside à guerra. A este, quando se propõem pelejar, votam as mais das vezes o que hão de tomar na guerra; imolam, depois de vencerem, os animais tomados, e depositam os mais objetos da presa num lugar. É de ver em muitas cidades montões destes objetos acumulados em lugares consagrados; e quase nunca acontece em si o que tomou, ou tirar o que foi depositado, sendo que gravíssimo suplício com torturas está reservado a este crime.

Todos os Gauleses se apregoam descendentes de Dite (Plutão), segundo lhes é transmitido pelos druidas. Por isso calculam a divisão do tempo, não pelo número dos dias, mas pelo das noites e contam-se os dias natalícios, e os princípios de meses e anos de modo que o dia vem sempre depois da noite. Nos mais usos da vida quase que só diferem dos outros povos em não consentir que seus filhos se aproximem deles em público, senão quando têm crescido a ponto de poder suportar o encargo da milícia, pois reputam indecoroso que o filho de idade pueril esteja em público na presença do pai.
Ao dinheiro que, a título de dote, trazem as mulheres com que casam, juntam os maridos, feita a estimação, outro tanto de seus bens com os dotes. De todo este dinheiro faz-se um assento conjuntamente, e vai-se acumulando o rendimento. Àquele dos dois cônjuges que sobrevivem, pertence à parte de um e outro com o rendimento de todo o tempo decorrido até então. Os homens têm, na qualidade de maridos, direito de vida e morte sobre suas mulheres, assim como na de pais, sobre seus filhos; quando morre algum pai de família de ilustre linhagem, reúnem-se os parentes do morto, e se há suspeita sobre a morte, põem as suas mulheres a tormento dos escravos, e se se descobre que existe crime, fazem-nas perecer pelo fogo com todo gênero de torturas. Os funerais dos Gauleses são proporcionalmente a seu estado de cultura magníficos e suntuosos; todos os objetos, que amaram em vida, compreendidos os animais, são lhes lançados na fogueira; e pouco antes deste tempo os escravos e clientes, que constava lhes haverem sido caros, eram igualmente queimados nos funerais.

As cidades que passam por melhor reger-se, têm estabelecido nas leis, que se alguém souber da parte dos povos vizinhos por boato ou fama alguma coisa que interesse à república, o participe ao magistrado, sem comunicá-lo a qualquer outro; pois tem-se reconhecido que homens imprudentes e sem experiência se deixam aterrar por falsos rumores, e impelir ao crime tomando resoluções precipitadas sobre negócios da maior importância. Os magistrados ocultam o que parece reservado, e comunicam à multidão o que reputam conveniente. Dos negócios de Estado não é permitido falar, senão em pública assembléia.

26, 04, 2008

“Quem eram os Celtas?”

Mapa

1 – Introdução


“A Gália está toda dividida em três partes (…) a terceira pelos que em sua língua se chamam celtas, na nossa gauleses” – Júlio César em “Relatos Sobre a Guerra Gálica”.

Os dados para conhecimento da história celta, das origens até o seu desaparecimento como civilização individualizada, encontram-se em textos históricos da Antigüidade grega e romana, assim como em contribuições da arqueologia, da antropologia e da lingüística. No entanto, grande parte dos dados existentes permanece hipotética, em face da pouca unidade da organização política dos celtas e da existência de documentos originais sobre as primeiras fases de sua história.


Reconhece-se hoje que sua história se estendeu por cerca de dois mil anos, aproximadamente de 1800 a.C. até o final do séc. I d.C., compreendendo cinco períodos principais: o primeiro, de 1800 a 1200 a.C., é o da individualização dos celtas entre os demais grupos indo-europeus, com habitat inicial a sudoeste da Alemanha e depois diversos outros pontos da Europa ocidental e central; o segundo, de 1200 a 750 a.C., é marcado pelas invasões celtas até o sul da França e Espanha, crescente domínio das técnicas do bronze, da agricultura, habitação e cerâmica. O terceiro período, aproximadamente de 725 a 480 a.C., incluindo a chamada era de Hallstratt, traz a implantação do começo da civilização céltica do ferro, que se estende da atual Tchecoslováquia até a Grã-Bretanha, envolvendo a Áustria, o sul da Alemanha, o oeste da França e da Espanha. É a fase em que se consolidam os traços particulares da cultura e da civilização célticas, ao mesmo tempo em que essas absorvem influências decisivas, quer resultantes das invasões cimérias, quer do intercâmbio comercial com os gregos e etruscos no Mediterrâneo. É ainda nesse período, a partir do século V a.C., que os celtas adquirem verdadeira autonomia nacional.


De 480 até a metade do séc. II a.C., o quarto dos grandes períodos de sua história, os celtas expandem-se para leste até a Ucrânia, chegam à Grécia e Ásia Menor, ocupam toda a Gália, boa parte da Itália e da Espanha, indo em grandes vagas humanas para a Grã-Bretanha. É o apogeu conhecido como civilização de La Tène, que se ergue sobre fortes impulsos de crescimento econômico, tendo por protagonista uma aristocracia formada pelo conteúdo com os países mediterrâneos: deixou os traços de sua passagem em ricas sepulturas encontradas na França e na Alemanha, dentro das quais objetos de ouro e cerâmica revelam o adiantamento artesanal e artístico alcançado, bem como a viva influência das culturas grega e etrusca, assimilada, porém, com originalidade.
O último período assinala-se entre o início do séc. II a.C. e o ano 100 d.C.: é a fase de decadência e recuo dos celtas, minados pela desunião de suas tribos e pelo assédio dos exércitos romanos, que acabaram por submetê-los, depois de se apossarem do Piceno, da Gália, da Gália Cisplatina, da Península Balcânica, da Espanha e da Grã-Bretanha, restando apenas a Irlanda como última importante sobrevivência do império celta. No entanto, a sobrevivência cultural se firmara com relevo em diferentes campos, sobretudo no da língua, em que os celtas conseguiram unidade relativamente duradoura e que melhor se pôde estudar com objetividade.


As línguas celtas: Como parte integrante do complexo indo-europeu, intermediado o tronco ítalo-celta, depois cindido no itálico e no celta, as línguas celtas podem ser compreendidas em dois grupos principais: o do celta continental, representado pelo gaulês, que se falou na Europa central e na Ásia Menor antes da era cristã; e o do celta insular, que se reparte em dois subgrupos: o gaélico ou goidélico, a que pertencem o irlandês, o escocês e o manx (dialeto da ilha de Man), e o britônico, formado pelo câmbrico ou galês, o bretão — que chegou ao maciço Armoricano a partir das ilhas Britânicas — e o córnico, extinto, falado na Cornualha (Cornwall).


Religião: Definir e descrever precisamente a religião dos celtas, também chamada druidismo, não constitui tarefa simples. A escassez das fontes e as dúvidas que pairam sobre o valor de muitas, não autorizam conclusões definitivas. O grande número de povos celtas, desde a Ásia Menor até a Península Ibérica e as ilhas Britânicas, é também um obstáculo ao conhecimento do que lhes é comum e exclusivo. Além disso, a presença dos romanos, principalmente na Gália e na Bretanha, ocasionou grandes transformações na cultura desse povo, particularmente na sua religião, na qual nomes e ritos foram alterados. Também não se pode menosprezar a destruição de documentos causada pelos expurgos impostos pela igreja na Idade Média. Ademais, a natureza dos documentos é muito diversa, variando conforme a tribo de que provêm.


Pelo testemunho de fontes secundárias (informações dos geógrafos gregos), sabe-se algo do ritual do culto dos celtas gauleses, porém nada de sua mitologia. Entretanto, no caso dos celtas da Irlanda, a mitologia não se perdeu inteiramente, em virtude de os documentos serem posteriores ao desaparecimento da primitiva religião. Assim, elementos lendários e épicos constituem as únicas fontes do patrimônio mítico daquela cultura.
Ao que parece, a idéia central do druidismo era de que da união da deusa Mãe-Terra com o deus tribal procedia ao vínculo da tribo com seu território, simbolizando e garantindo a prosperidade da descendência, do gado, da agricultura, bem como o sucesso na guerra.Com o fenômeno das mudanças sociais, com a diferença de status, concentrando-se o poder em mãos de chefes ou grupos, surge a tendência para a adoção de deuses maiores, mas não há registro de um sistema hierárquico, como entre os romanos, os quais, entretanto, identificaram com os nomes de seus deuses principais alguns dos deuses celtas. Coexistia o culto dos animais e da natureza com o dos deuses-heróis, de algum modo identificado com o culto dos ancestrais. As festividades relacionavam-se com as estações, basicamente a do frio e a do calor. O calendário celta se relacionava com a agricultura, destacando-se como festas principais Samhain (1º de novembro) e Beltane (1º de maio). Realizavam em grande escala sacrifícios animais e humanos, utilizando-se, para estes caixões de carvalho nos quais eram queimadas as vítimas.


Arte: Devem-se aos celtas as manifestações mais ricas e mais realizadas da chamada “arte bárbara”. Trata-se principalmente de objetos pequenos e de uso cotidiano. Os celtas eram, nesse sentido, acentuadamente práticos, não separando utilidade e beleza. Via de regra, desenvolveram acima de tudo uma arte do metal, predominantemente do bronze e do ouro, mas também da prata. Nesse campo, orientavam-se por três finalidades prioritárias: a militar (todo armamento dos guerreiros: espadas, carros, punhais, pontas de lança, capacetes, escudos), a doméstica (envolvendo um sem número de recipientes para servir comida, bebida, etc.) e a do adorno pessoal, reunindo jóias e adereços de toda espécie, como colares, brincos, braceletes, fivelas, cintos, anéis e ainda peças de toucador, como espelhos espelhos e navalhas.

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