A FESTA DO SOL
Um Marco da Tradição Meridional
Uma das mais belas festividades que o mundo conhece é realizada nos Andes peruanos a cada ano, para celebrar o início do Ano Novo no Hemisfério Sul. A Festa do Sol –ou Inti Raymi em quéchua–é celebrada na data de 24 de Junho, poucos dias após o Solstício. Não por coincidência, é o mesmo dia do Natal do Hemisfério Norte, a 24 de Dezembro, que nasceu da festa dedicada ao deus solar Mithra, considerando as diferenças das Estações entre ambos os Hemisférios.
Por que razão não se marca a data nos próprios Solstícios de Inverno, a 21 de Dezembro no Hemisfério Norte, e a 21 de Junho no Hemisfério Sul? Sucede que o dia de 24 representa o recomeço do percurso solar e o aumento dos dias, após ter ficado o Sol aparentemente “três dias parados” na transição de ciclos, fato este comumente observado nos mitos solares e nos relatos bíblicos, sinalizando o “Sol invicto”. Tampouco é casual a coincidência da data com a da Festa de São João, quando se acendem fogos para incitar ou para anunciar o fortalecimento das “luzes” do mundo.
Nos Andes, milhares de pessoas se reúnem para celebrar esta grande Festa que é um verdadeiro patrimônio cultural da humanidade, atraindo turistas e peregrinos de todo o mundo, revivendo esta tradição milenar que certamente os Incas herdaram de outras culturas.
Atualmente está havendo um grande movimento de restauração da cultura pré-colombiana, e Cuzco está se mobilizando até ao nível administrativo para recuperar muito de sua antiga face, inclusive devolvendo os nomes incaicos de suas ruas e reconstruindo a Plaza de Armas onde ficavam o Palácio do Inca e o Templo do Sol, o Coricanha. A antiga bandeira incaica de arco-íris (simbolizando entre outras coisas ao setenário saturno-solsticial) já havia sido incorporada, e agora a cidade adotou também o símbolo do Sol-criança, afirmando a simbologia natalina de uma forma muito plena. Este disco solar foi a única peça de ouro que sobreviveu do espólio do Coricancha, cujo revestimento de placas de ouro foi retirado para (debalde…) pagar o resgate do imperador incaico Atualpa.
O culto ao Sol no Peru é, porém, anterior à cultura inca e remonta à civilização de Tiwanaco, com sua famosa “Porta do sol”, onde os esotéricos também se reúnem para realizar celebrações na época do Solstício do Equinócio. E se acendem fogueiras como na Cuzco pré-colombiana, quando o Inca mandava apagar todos os fogos do Império, simbolizando o momento de suprema obscuridade para o mundo que é todo o final de Era. Com a chegada do dia, e após os sacrifícios realizados, um novo fogo era acendido e distribuído a todos, sinalizando uma nova dispensação da luz e a renovação de tudo.
ta legal esse treco