Suserania's Weblog

29, 08, 2009

Diga adeus às dívidas

O cenário de crédito fácil e farto, anterior à crise global, deu um sinal de alerta a todos: o brasileiro não tem habilidade para lidar facilmente com suas dívidas. Pior. Se o endividamento aumenta, ele fica nervoso, dorme mal, gasta horas tentando desatar o nó do cheque especial, do cartão de crédito e do financiamento de longo prazo. Muitas vezes, se vê em uma sinuca de bico e não percebe que a situação afeta diretamente o seu desempenho profissional. Um estudo iniciado no ano passado pelo professor William Eid Junior, da Fundação Getulio Vargas, mostra a importância do equilíbrio financeiro dos funcionários na produtividade da empresa. A pesquisa, feita com 135 funcionários da própria fundação, mostrou que empregados endividados são os que apresentam maiores índices de faltas e atrasos. Além disso, usam os recursos da empresa para buscar soluções para seus problemas. O professor William observa que essa é a nova preocupação do mundo corporativo no Brasil. Nos Estados Unidos, a questão já é bem antiga. Pesquisas de universidades americanas indicam que 70% da população do país vive esperando o próximo pagamento e os problemas financeiros são a primeira causa de estresse no trabalho. Segundo levantamento da agência de notícias Reuters, cada funcionário em situação financeira difícil custa 7 000 dólares por ano às empresas, pois não se dedica o suficiente ao trabalho. No Brasil os números também surpreendem. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Inadimplência de Pessoa Física, criado pela Serasa e que reúne quatro índices — cheques devolvidos, títulos protestados, sistema financeiro e cartões de crédito —, a taxa de maus pagadores cresceu 10,4% de janeiro a junho deste ano. “A forte expansão do crédito elevou o endividamento dos consumidores”, diz Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa Experian, em São Paulo.

Diante desse cenário, algumas companhias estão criando políticas de gestão financeira para os funcionários. “Dispor de equipes de especialistas para reorganizar a vida financeira de um colaborador e liberá-lo para pensar a favor da própria empresa é uma saída inteligente”, diz William Eid. Desde o final do ano passado, a operadora de telefonia móvel Vivo tem uma equipe de economistas e financistas responsáveis por achar soluções viáveis ao endividamento de seus funcionários. A iniciativa faz parte de um programa maior chamado Vivo Amigo, que dispõe também de advogados, psicólogos e assistentes sociais. “Foram cerca de 150 atendimentos só na área financeira de novembro para cá. Todos os casos foram encaminhados e resolvidos”, diz Michel Daud, diretor de saúde e qualidade de vida da Vivo e responsável pelo projeto. Veja como se livrar dos problemas mais comuns.

“ESTOU NO VERMELHO. O QUE FAZER?”

O mineiro Leandro Freitas Furtado, de 27 anos, está desempregado há seis meses e tem uma dívida amarga. No ano passado, quando estava empregado como administrador hoteleiro, ele financiou a compra de um carro no valor de 36 000 reais. Deu uma entrada de 12 500 reais e parcelou o restante em 24 prestações de 1 400. Após pagar a sexta parcela ele perdeu o emprego. “Tenho um saldo devedor de 19 500 reais e uma poupança guardada de 11 500.” Ele ainda vai receber quatro parcelas do seguro-desemprego no valor de 870 reais. “Pensei em pegar o dinheiro e abater as parcelas dos próximos meses e assim ganhar tempo. Até lá espero estar em condição para terminar de pagar as dívidas”, diz. A analista de investimentos Carla dos Santos, sócia da CDS Brasil Soluções Financeiras, em São Paulo, alerta que não é possível saber quanto tempo Leandro ficará desempregado. Por isso, ela sugere que ele venda o carro, liquide as dívidas e compre um veículo de menor valor. Com o dinheiro da poupança e do seguro-desemprego, ele pode ficar sem trabalhar por mais um ano, até encontrar outra recolocação profissional.

“COMO ME ORGANIZO AGORA QUE TENHO UM FILHO?”

Outra jovem que está endividada é Melissa Mafra, de 29 anos, assistente de negócios numa seguradora. Ela é casada e tem renda familiar de 3 600 reais, mas viu as despesas duplicarem ao adotar uma criança. “Acabamos parando no cheque especial e ficamos com a fatura do cartão de crédito atrasada”, diz. Além das despesas como água, luz, alimentação e telefone, ela também paga o financiamento de uma moto, de um carro, um empréstimo em banco e seguro do automóvel. Para ajudá-la nesta situação, o especialista Augusto Sabóia, de São Paulo, recomenda um planejamento financeiro light. Ele sugere a venda do carro ou a troca por outro de menor valor. Com o que sobrar da venda do automóvel ela deve continuar pagando o financiamento da moto e tentar liquidar as dívidas do cartão e do cheque especial. Sobraria apenas o empréstimo bancário. Depois de organizar as finanças, ela deve guardar pelo menos 20% do que ganha todos os meses. Esse valor pode ser usado no futuro para pagar a escola do filho ou um aperfeiçoamento profissional do casal. “Vocês devem ter uma reserva de pelo menos 15 000 reais caso percam o emprego”, diz Augusto Sabóia.

“POR QUE NÃO CONSIGO GUARDAR DINHEIRO?”

Já a empresária carioca Rosane Santos, de 50 anos, não consegue organizar a vida pessoal com a mesma facilidade que gerencia a vida profissional. Com uma renda mensal de 10 900 reais, ela não tem dinheiro guardado. Tudo o que ganha Rosane gasta no cartão de crédito e depois começa a usá-lo de novo. “Por onde começar a me disciplinar se já sei que o que vou ganhar no mês está todo comprometido?” O administrador financeiro Erasmo Vieira, de Belo Horizonte, diz que nunca é tarde para implantar o controle das finanças. O primeiro passo é fazer um diagnóstico da situação. Colocar em uma planilha seus ganhos e todos os gastos. A partir daí, é possível saber em que economizar. As receitas de Rosane são de 10 900 reais, mas os gastos são de 10 745. Erasmo aconselha que ela liquide todas as dívidas e passe a fazer compras somente a vista. É importante começar a fazer um plano de previdência e ter uma reserva financeira que garanta sua vida de três a seis meses. “Mudar a vida financeira depende somente da atitude e do comportamento de Rosane em relação às finanças, para garantir um bom futuro financeiro”, diz Erasmo Vieira.

Autora: Roseli Loturco

Site: Revista Você SA

Charge do Jornal Acritica

28, 08, 2009

Irlanda

O isolamento geográfico da Irlanda, a verde Erin dos poetas, conferiu a essa ilha um interessante e peculiar legado cultural.

A história recente da República da Irlanda, marcada pelas lutas de independência e por dificuldades econômicas, determinou a emigração de grande número de irlandeses para a Grã-Bretanha e os Estados Unidos.

A Irlanda, também conhecida pelo nome irlandês de Eire, ocupa a maior parte (70.285km2) da ilha situada a oeste da Grã-Bretanha, da qual está separada pelo mar da Irlanda e pelo canal de São Jorge a distâncias que variam entre 18 e 193km. O restante da ilha é ocupado pela Irlanda do Norte, parte integrante do Reino Unido. Geografia física Geologia e relevo. A maior parte do solo irlandês é fértil, formado por depósitos sedimentares de origem glacial. Nas montanhas há rochas de formação antiga, como quartzitos, granitos e ardósia. A região baixa do centro da ilha tem solo calcário. O relevo irlandês é constituído por uma zona interior de planícies, com altitudes que variam entre 60 e 120m. Menos de 15% do território irlandês alcança altitude superior a 200m. O ponto culminante é o pico Carrantuohill (1.041m), localizado na cordilheira Macgillicuddy. A única falha na montanhosa orla marítima estende-se na direção norte a partir de Dublin, ao longo da costa leste. Na costa ocidental, extremamente recortada, as montanhas de Donegal, Mayo e Kerry avançam sobre o oceano, separadas por largas e profundas baías. Clima. O clima sofre a influência dos ventos suaves do sudoeste e das águas temperadas da corrente do Golfo. Os meses mais frios são janeiro e fevereiro, com média de 5o C; os mais quentes, julho e agosto, com média de 15o C. As temperaturas são praticamente invariáveis em toda a ilha, mas a incidência de chuvas varia muito: enquanto na região oeste, mais exposta aos ventos úmidos do Atlântico, a precipitação anual é de 2.500mm, no leste, mais resguardado, a média é de 750mm. As nevadas são freqüentes somente nas montanhas.

Hidrografia.

O rio mais extenso do país é o Shannon, com 259km, que drena uma vasta área das planícies centrais e forma em seu curso uma série de lagos. Outros cursos importantes são o Slaney, o Liffey e o Boyne, no leste; o Nore, o Suir e o Barrow, no sudeste; o Blackwater, o Bandon e o Lee, no sul; e o Clare e o Moy no oeste. Flora e fauna. Quase toda a vida animal e a vegetação da ilha provêm de migrações posteriores às glaciações, originárias do norte da Europa. A vegetação natural predominante é de árvores de folhas perenes, como carvalhos e faias. São abundantes os bosques de coníferas, introduzidas pelo homem. Não é grande a variedade de espécies animais, e só aves e dois tipos de pequenos roedores, além de um tipo de lagarto, são nativos. Não há cobras, o que, segundo antiga lenda, se deve à intervenção milagrosa de são Patrício, padroeiro da ilha.

População

Ao longo de sua história a ilha foi invadida por celtas, escandinavos, normandos, ingleses e escoceses. Mesmo assim, a população irlandesa é uniforme do ponto de vista étnico. A língua nacional e primeira língua oficial, segundo estabelece a constituição, é o irlandês, que se assemelha ao gaélico, do norte da Escócia; o inglês é reconhecido como segunda língua oficial. Todos os documentos oficiais são publicados em ambas as línguas. O irlandês foi amplamente falado até à época da Grande Fome, na década de 1840, quando ocorreu a emigração em massa. A partir daí o uso decaiu, até 1922, quando após a configuração da Irlanda como estado livre, o ensino do irlandês passou a fazer parte do currículo escolar. A população domina os dois idiomas, mas na prática o inglês é mais utilizado. Fato de especial relevância para a estrutura demográfica do país é a forte tendência à emigração. As taxas são tão elevadas que, segundo estimativas, na segunda metade do século XX, metade dos nascimentos de irlandeses ocorreu fora das fronteiras do país. Além da capital, Dublin, a outra cidade importante é Cork. (Para dados demográficos, ver DATAPÉDIA.)

Economia

A atividade econômica se processa mediante um sistema misto, com intervenção do estado em ampla gama de setores, entre os quais a aviação comercial, as estradas de ferro e de rodagem, o rádio, a televisão, a geração e distribuição de eletricidade, a indústria do açúcar e a refinação de petróleo. Agricultura, pecuária e pesca. A atividade agropecuária, que já foi o principal esteio econômico, ainda ocupa papel relevante. A maior parte do solo é empregado para pastagens e feno. Graças principalmente ao clima, que favorece o crescimento dos pastos, é possível alimentar o gado durante quase todo o ano. O modelo de exploração mais usual é a granja familiar. No sul predomina a produção de leite; no interior a criação de gado para abate, e nas regiões leste e sudeste a plantação de cereais. Além do gado bovino, são também extensas as criações de ovelhas, principalmente nas regiões montanhosas. A maior parte da produção do setor provém da criação de gado bovino, seguida de leite e carne de porco. Outros produtos importantes são cevada e trigo, frangos e ovos, lã e batata. A produção de beterraba é suficiente para abastecer a indústria açucareira. Na segunda metade do século XX, os planos estatais de reflorestamento fizeram triplicar a área dos bosques. Depois da segunda guerra mundial, as más condições do mercado externo dificultaram o desenvolvimento da agricultura irlandesa, mas a situação melhorou a partir de 1973, com a entrada do país para a Comunidade Européia. A pesca marítima é pouco desenvolvida; pesca- se mais em rios, para captura, principalmente, de salmões, enguias e trutas.

Energia e mineração.

A Irlanda depende fortemente das importações de matérias-primas minerais e de fontes de energia (carvão e petróleo). O país não é rico em recursos minerais. Exploram-se jazidas de prata, chumbo, zinco, gesso e barita. Na década de 1980 foi iniciada a exploração de petróleo e de gás natural no mar, mas a produção obtida até meados da década de 1990 era ainda insuficiente para proporcionar uma redução significativa da dependência externa.

Indústria.

Ao longo do século XX, a política econômica do governo irlandês apresentou diversas orientações: depois de uma fase inicial de marcado protecionismo para a indústria, que dificultou o desenvolvimento e a capacidade de exportação, a partir da década de 1950 foram implantados vários programas de abertura, com redução de impostos e financiamento de projetos destinados a fomentar a criação de indústrias e a tornar mais competitivas as já existentes. As mudanças tiveram resultados positivos. No final do século XX, a maior parte da força de trabalho estava empregada no setor industrial, maior responsável pela pauta de exportação, que compreende basicamente alimentos enlatados, cervejas, roupas, calçados, maquinaria, metais, cristais, aparelhos elétricos e remédios.

Finanças e comércio.

Toda a economia nacional é dirigida pelo Banco Central da Irlanda, responsável pela moeda. Embora não realize operações diretas, influi sobre os bancos comerciais — Bank of Ireland e Allied Irish Banks, estatais, Ulster Bank e Northern Bank, subsidiários de bancos de compensação londrinos. Há uma sucursal da Bolsa de Londres em Dublin. A entrada da Irlanda na Comunidade Européia significou um estímulo para a economia, pela possibilidade de aumento das exportações. O principal parceiro comercial da Irlanda é o Reino Unido: quase metade de suas importações procedem desse país, e é para ele que se destina aproximadamente um terço das exportações irlandesas. O turismo desempenha papel importante na economia. Nas últimas décadas do século XX o setor ampliou-se notavelmente, graças sobretudo ao esforço do Instituto Irlandês de Turismo, que incentivou a construção de hotéis e de áreas de lazer e esporte. Transportes e comunicações. A rede irlandesa de estradas de rodagem é muito extensa, por causa da dispersão das populações rurais. A empresa estatal Sistema Irlandês de Transportes (Córas Iompair Eireann) exerce o controle financeiro das empresas de transporte ferroviário e de ônibus urbanos e interurbanos. Em 1984 foi inaugurado em Dublin um sistema de transporte ferroviário elétrico ultra-rápido.

Os portos mais importantes são os das costas leste e sul, devido à proximidade com a Grã-Bretanha e a Europa continental, especialmente Dublin, o maior porto do país, Waterford e Cork. A empresa estatal British and Irish Steam Packet Company transporta passageiros, carga e veículos entre os portos irlandeses e britânicos. Dublin, Shannon, Knock e Cork têm aeroportos internacionais. Todas as emissoras de rádio e televisão da Irlanda são operadas pela Radio Telefís Éireann, entidade autônoma financiada pela venda de concessões e de tempo publicitário. A maior parte do país pode sintonizar as emissoras britânicas. (Para dados econômicos, ver DATAPÉDIA.)

História

Pescadores e caçadores constituíram o primeiro contingente humano conhecido da Irlanda, por volta do ano 6000 a.C. Do neolítico, iniciado três mil anos mais tarde, há o testemunho de 300 tumbas, possivelmente pertencentes a comunidades agrícolas. Na idade do bronze (c.2000 a.C.) encontram-se vestígios de migrações continentais. A transição da idade do bronze para a do ferro está escassamente documentada. Existem poucos indícios na Irlanda da cultura européia de Hallstatt. O período de La Tène, associado à chegada dos celtas, está representado por esculturas e outros trabalhos em metal. A Irlanda céltica era organizada politicamente em mais de uma centena de pequenos reinos independentes, denominados thuatha. Os “cinco quintos”, Ulster, Meath, Leinster, Munster e Connaught (posteriormente Connacht) constituíram a Irlanda dividida do princípio da era cristã. Os reinos lutaram durante anos pela hegemonia da ilha, quando se destacaram, como mais poderosos, os de Ulster e Connaught. Na segunda metade do século IV, grupos de aventureiros irlandeses saquearam a costa ocidental da Inglaterra, onde o poder do Império Romano declinava paulatinamente. São Patrício, aprisionado numa dessas incursões, na primeira metade do século V, propagou a fé cristã por todo o país, de tal forma que por ocasião de sua morte a população da ilha já tinha sido definitivamente conquistada pela nova religião. Foram construídos mosteiros por toda a Irlanda, o que contribuiu para o enriquecimento da cultura céltica. Os noruegueses invadiram a Irlanda pela primeira vez no ano 795. Inicialmente atacaram as áreas costeiras e depois ocuparam toda a ilha. A ocupação dos escandinavos na Irlanda durou aproximadamente 200 anos, período em que estabeleceram fortificações e pequenos reinos. Seu domínio, no entanto, ficou praticamente reduzido ao comércio e à fundação de cidades, com o conseqüente enriquecimento da civilização irlandesa. Foram eles que deram ao país o nome de Eire.

Dominação inglesa.

A desunião política do país, governado por vários reis em meio a conflitos constantes, facilitou a intervenção de Henrique II da Inglaterra. Depois de invadir e estabelecer sua soberania sobre toda a ilha, reformou a igreja da Irlanda e afirmou seu poder pelo Tratado de Windsor, de 1175, pelo qual passaram a vigir as leis inglesas. Entre os séculos XIV e XV ocorreu um retrocesso do domínio inglês. Novo tratado reafirmou o poder da coroa mediante a criação de três novos condados anglo-irlandeses, os de Desmond, Kildare e Ormonde. No século XVI ocorreu notável reflorescimento da língua, da legislação e da cultura irlandesas. Nesse mesmo século, os condes de Kildare conseguiram o controle político de todo o país. A execução de Thomas de Kildare, que se opunha à ruptura de Henrique VIII da Inglaterra com a Igreja Católica, em 1537, provocou uma sublevação na Irlanda. O filho de Kildare, Thomas Fitzgerald, foi também morto, o que acarretou o fim do condado. Henrique VIII foi reconhecido como rei da Irlanda e ordenou o confisco das terras dos rebeldes. Entre 1547 e 1553, sob o reinado de Eduardo VI, instaurou-se na Irlanda uma política de reconciliação religiosa, mas o protestantismo foi aceito apenas pelos funcionários ingleses. Maria Tudor, que reinou de 1553 a 1558, restaurou o catolicismo como religião oficial. Três grandes rebeliões se sucederam na Irlanda durante o reinado de Elizabeth I da Inglaterra, em conseqüência dos Estatutos de Supremacia e Uniformidade, aprovados em 1559 pelo governo inglês. Tais dispositivos limitavam a prática do catolicismo na ilha e procuravam reimplantar a supremacia da Igreja Anglicana. No século XVII, sob Jaime I da Inglaterra, as terras do condado de Ulster confiscadas aos rebeldes foram distribuídas entre os súditos ingleses e escoceses de religião protestante, mediante um sistema de colonização que discriminou severamente os irlandeses. Essa situação conduziu a um levante geral em 1641, só dominado 11 anos mais tarde, pelas forças de Oliver Cromwell. Um ano depois, a Irlanda integrou-se ao regime republicano de Cromwell, junto com a Escócia e a Inglaterra. Posteriormente, os irlandeses apoiaram a restauração dos Stuart. Carlos II, que de 1660 a 1685 foi o soberano de Inglaterra, Escócia e Irlanda, favoreceu a tolerância religiosa, mas os protestantes intransigentes firmaram posição contra tal política. Depois da derrota de Jaime II e das forças irlandesas frente a Guilherme III, em 1690, o país passou por um período de miséria e perseguições, e a situação só se abrandou no século XVIII. As tentativas de alcançar a autonomia provocaram a revolução de 1798, dirigida por uma sociedade secreta denominada Irlandeses Unidos. Para fazer frente ao separatismo da ilha, o governo inglês unificou a estrutura do estado e fundou, em 1801, o Reino da Grã-Bretanha e Irlanda.

Independência.

Durante o século XIX, o descontentamento estendeu-se para todos os setores da sociedade irlandesa. Daniel O’Connell organizou um movimento popular de caráter nacionalista e em 1829 conseguiu para os católicos irlandeses o direito de acesso à maior parte dos cargos públicos. No período entre 1846 e 1848, a fome e uma epidemia de tifo assolaram o país. Os numerosos emigrantes que se estabeleceram na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos difundiram um importante movimento nacionalista de independência, o Sinn Féin. Depois de prolongados esforços para conseguir a autonomia do país, em 6 de dezembro de 1921 foi assinado um tratado pelo qual a Irlanda tornou-se estado livre, mas como domínio do soberano inglês. Além disso, parte do Ulster (Irlanda do Norte) permaneceu anexada ao Reino Unido. Eamon de Valera, líder dos nacionalistas republicanos, tentou conseguir a independência total. Vitorioso nas eleições de 1933, promulgou a constituição de 1937, pela qual a Irlanda passou a ser denominada Eire e se desvinculou da monarquia britânica. Durante a segunda guerra mundial, o governo irlandês manteve uma política de neutralidade, apesar dos ataques aéreos alemães a Dublin e das pressões do presidente Franklin Roosevelt, dos Estados Unidos. Com a derrota de De Valera nas eleições de 1948, os republicanos foram substituídos no poder por um governo de coalizão encabeçado pelo nacionalista John A. Costello. Em 1949, o Reino Unido reconheceu a independência da Irlanda, mas declarou que os seis condados da Irlanda do Norte, de maioria protestante, não poderiam ser cedidos à república sem o consentimento dos irlandeses do norte. De Valera foi novamente primeiro-ministro de 1951 a 1954, e de 1959 a 1973 ocupou a presidência da república. Em 1985, os governos irlandês e britânico assinaram um acordo pelo qual a Irlanda reconhecia a união da Irlanda do Norte com a Grã- Bretanha. Em troca, o governo irlandês passou a ter um papel consultivo na administração da Irlanda do Norte. Entretanto, essa medida não foi suficiente para pôr termo às tentativas dos católicos da Irlanda do Norte de separar-se do Reino Unido.

Instituições políticas

A Irlanda é uma democracia constitucional parlamentar, cuja constituição, promulgada em 1937, pode ser emendada por referendo. O presidente da república é o chefe de estado, eleito por voto popular direto, com mandato de sete anos e possibilidade de uma única reeleição. Desempenha suas funções com a ajuda do Conselho de Estado. O chefe do governo é o primeiro-ministro (taoiseach). O Parlamento (Oireachtas), bicameral, é formado pela Câmara dos Representantes (Dáil) e pelo Senado. O Dáil conta com 166 membros eleitos por sufrágio universal a cada cinco anos; o Senado é integrado por sessenta representantes, escolhidos da seguinte forma: 11 indicados pelo primeiro-ministro, seis eleitos pelas universidades irlandesas e 43 eleitos para representar os diversos grupos econômicos, profissionais e culturais. O sistema judiciário é constituído por tribunais distritais em cada condado, e pela Suprema Corte, que é o juizado de última instância. Os juízes são designados pelo presidente da república e, salvo em casos de incapacidade ou delito, exercem o cargo até a aposentadoria ou morte. Não existem corpos policiais locais. A Guarda Civil, criada em 1922, é a força pública de âmbito nacional, cujo comandante responde diretamente ao ministro da Justiça. Parte da Guarda Civil é empregada em investigações e capturas, trabalha à paisana e quando necessário, armada. O restante trabalha de uniforme e desarmado. O serviço militar é voluntário. Oficiais das três armas participaram de diversas missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Oriente Médio, Zaire e Chipre. As três forças políticas mais importantes do país são o Fianna Fáil, republicano; o Fine Gael, nacionalista, e o Partido Trabalhista. A divisão administrativa estabelece quatro províncias (Leinster, Munster, Connacht e Ulster), subdivididas em 27 condados, governados pelos conselhos de condado, eleitos periodicamente por sufrágio universal. Sociedade A administração dos serviços de saúde está a cargo das repartições locais, sob a supervisão do Ministério da Saúde. Salvo nos casos de crianças ou de grupos sociais desfavorecidos, o custo dos benefícios é pago. O ensino primário é gratuito, obrigatório e em sua maior parte religioso (católico). Quase todo o ensino secundário é privado. As universidades mais importantes são a de Dublin (Trinity College) e a Nacional da Irlanda. O sindicalismo, de longa tradição no país, exerce importante papel na sociedade. As negociações coletivas entre trabalhadores e empresas são mediadas pelo Tribunal do Trabalho. O catolicismo é professado pela quase totalidade da população, com outros grupos religiosos claramente minoritários, como presbiterianos, metodistas e judeus. Não há religião oficial, e a liberdade religiosa e de consciência está assegurada pela constituição. (Para dados sobre sociedade, ver DATAPÉDIA.)

Cultura

Uma das características mais notáveis da Irlanda é que um país de dimensões territoriais tão reduzidas tenha produzido um tão grande número de grandes escritores, como Jonathan Swift, Oscar Wilde, James Joyce, William Butler Yeats, George Bernard Shaw e Samuel Beckett, os três últimos ganhadores do Prêmio Nobel de literatura.

Tanto a literatura quanto o teatro se desenvolveram sob a influência de duas línguas, o inglês e o irlandês. Como a Irlanda fez parte da Inglaterra durante quase 800 anos, os escritores irlandeses de expressão inglesa são considerados muitas vezes escritores ingleses. É o caso de Swift, George Augustus Moore, Joyce, Beckett, do poeta Yeats e dos dramaturgos Oliver Goldsmith, Richard Sheridan, John Millington Synge, Wilde e Shaw. São numerosas as instituições que se dedicam ao fomento da cultura popular irlandesa. Algumas são de caráter esportivo, como a Associação Atlética Gaélica; outras estão voltadas preferencialmente para o uso intensivo do idioma local, como é o caso da Liga Gaélica. Existem ainda a Royal Irish Academy, dedicada às ciências; a Royal Hibernian Academy, que dá apoio às belas-artes; a Royal Dublin Society, que promove as artes e ciências e o aperfeiçoamento da agricultura, e a Royal Irish Academy of Music.

26, 08, 2009

Agressividade

-Eu ataco ele!
-Vou matar o monstro!
-Acerto ele com a minha espada!

Quem costuma jogar RPG certamente já ouviu (e disse) estas frases. Situação corriqueira durante partidas. Inofensiva para os participantes, preocupante para alguns pais, observadores e religiosos que não conhecem o jogo.

Motivo da preocupação: tais frases soam agressivas, podem incentivar a violência.

Será mesmo?

Deduções como essa partem da falta de conhecimento sobre psiquismo humano. Moralismo barato desprovido de conhecimento científico. Entender o ser humano, suas reais motivações, sonhos e desejos, é uma tarefa árdua. As pessoas não são aquilo que queremos ou achamos, são o que são.

Fomos educados com base em conceitos nem sempre verdadeiros: “O ser humano nasce bom”, “Crianças não têm maldade”, “Podemos reprimir toda nossa agressividade”. Mentiras.

Gostando ou não, nós somos humanos. A agressividade faz parte de nossa natureza. Na verdade ela é necessária para a sobrevivência humana.

Surpresos? Estaria eu fazendo apologia a violência? Nada disso.

O conceito de agressividade foi deturpado, principalmente pelo nosso ensinamento ocidental dualista: ou é bom ou é mau. Agressividade corresponde a um tipo de energia com potencial para destruir e transformar. Quando o homem primitivo caçava para se alimentar estava se valendo da agressividade. A criança que chora, alertando sua mãe da fome, também. Sempre que enfrentamos uma situação difícil usamos a agressividade para “destruir” o problema. A violência, agressividade voltada para destruir o outro ser humano, esta sim é perigosa e deve ser combatida.

Alguns acreditam que se a agressividade for totalmente reprimida ela nunca se tornará um ato violento. Novamente mentira. A psicologia prova, e posso garantir por experiência própria como terapeuta, que negar a própria agressividade, além de ser impossível, resulta em diversos tipos de doenças. Essa energia encontrará outras formas de se manifestar: dores de cabeça, dores no corpo, pesadelos, baixa da resistência corporal contra doenças e outros males.

Em alguns casos, pessoas aparentemente calmas, foram na verdade boa parte de suas vidas reprimidas. Além de problemas somáticos acima citados, tais pessoas podem exibir o famoso “estado limite”: quando explodem, não xingam apenas, atacam fisicamente. Um rompante de fúria incontrolável. Não raramente, este estado de fúria resulta em tragédias.

Recordar, repetir, elaborar. Superamos nossa agressividade aceitando sua existência e trabalhando-a de forma positiva. Uma das formas de trabalhar esta agressividade é por meio de jogos simbólicos.
O RPG oferece uma excelente plataforma para este fim.

O mestre narra uma cena em que um monstro aparece. Cada jogador então pensa e visualiza a criatura. Concreta, os jogadores conhecem o monstro. Muitas vezes sabem suas estatísticas de jogo, aparência mais comum, poderes e fraquezas. Já, no plano simbólico, individual, o monstro adquire um significado diferente para cada jogador. O que as pessoas desconhecem é que este significado não é racional, mas sim resultado de uma vida psíquica, experiências e forças que nós não dominamos: o inconsciente.

Nosso inconsciente é formado por desejos, sonhos e fantasias. Nele não existem limites ou regras. Trata-se da parte mais selvagem, primitiva e insaciável de nosso psiquismo.

Ao criar a figura do monstro, ou qualquer oponente fictício do jogo, abre-se um espaço para que esta energia psíquica agressiva possa se manifestar de forma saudável. Então os jogadores atacam com espadas, magias e socos, na verdade não um monstro, mas sim as figuras de seu universo inconsciente.

Isso é maravilhoso, pois quando o inconsciente é severamente reprimido o sujeito adoece (como já foi posto anteriormente). Sobre este inimigo virtual é depositado parte dessa energia agressiva, que todos possuímos, por mais que tentemos negar. Dessa forma, ao depositar as frustrações, raiva e golpes nestes seres imaginários, o potencial de violência das pessoas envolvidas no jogo diminui aqui na vida real. Algumas abordagens da psicologia, como a gestalt terapia, por exemplo, se valem de recursos parecidos para trabalhar questões pessoais mal resolvidas causadoras de sofrimento.

Vencemos nossos monstros interiores os enfrentando e não fugindo deles.

Forte abraço

Jônatas D. P. Leite
Psicólogo – CRP 06/ 95224

(PS: Gostou desse artigo? Se a resposta for sim, participe dos grupos “RPG no Divã” e “RPG Contra a Violência”)

25, 08, 2009

Sinopse: O CIRCO

Durante sua noite de estreia na cidade de Lagoa Verde, o “Gran Circo Cantelli” Circo foi totalmente destruído em um trágico incêndio. A lotação estava esgotada e as perdas humanas foram irreparáveis. Os personagens-jogadores, artistas do Circo criados como irmãos, escaparam por pouco mas perderam tudo – inclusive seus amados “pais”; Lorenzo Cantelli, dono e apresentador do circo, e a esposa dele, Laura.


Investigações posteriores à tragédia resultaram em evidências pouco conclusivas, apontando para um incêndio criminoso. Pela pressão da opinião pública, o julgamento foi claramente tendencioso: os artistas sobreviventes foram julgados culpados sem apelação e condenados à morte. Porém, na noite anterior à execução, os personagens recebem na cadeia a visita de um mensageiro. Sem maiores detalhes, o homem lhes recomenda calma, garantindo que serão poupados graças a interferência de um “benfeitor” – que, na hora certa, irá se revelar e solicitar a “retribuição” do favor.


No dia seguinte, “novas evidências” surgem. Uma segunda audiência é convocada e tem como consequência o drástico abrandamento da pena dos de incendiários e assassinos, eles são considerados culpados apenas por negligência – por não terem tomado as medidas preventivas necessárias para combater um incêndio daquelas proporções. A pena capital é reduzida a cinco anos de trabalhos comunitários, em regime semi-aberto, para que os artistas tentem compensar uma parte dos prejuízos causados pelo incêndio – e não poderão deixar as fronteiras de Lagoa Verde nesse período.

Quatro anos se passam. O “benfeitor” envia uma nova mensagem – e avisa aos personagens que eles serão são libertados um ano antes do previsto.

O benfeitor quer um encontro. É hora de descobrir alguns segredos – e retribuir o favor…

Autor: Alexandre Santana, “Dragão de Latão”

Imagem do dia – 25/08/2009

24, 08, 2009

FÉRIAS – EMPREGADO DOMÉSTICO

PERÍODO AQUISITIVO DE FÉRIAS A PARTIR DE 20.07.2006

A Lei 11.324/2006 alterou a Lei 5.859/1972, dispondo que o empregado doméstico terá direito a férias anuais remuneradas de 30 (trinta) dias com, pelo menos, 1/3 (um terço) a mais que o salário normal, após cada período de 12 (doze) meses de trabalho, prestado à mesma pessoa ou família.

A norma aplica-se para períodos aquisitivos de férias iniciados após 20.07.2006.

PERÍODO AQUISITIVO DE FÉRIAS ATÉ 19.07.2006

Excetuando o Capítulo referente a férias, não se aplicavam aos empregados domésticos as demais disposições da Consolidação das Leis do Trabalho, conforme art. 2 do Decreto 71.885/1973 (Regulamento do Empregado Doméstico), para os períodos aquisitivos até 19.07.2006.

O art. 3 da Lei 5.859/1972, na redação anterior dispunha:

“O empregado doméstico terá direito a férias anuais remuneradas de 20 (vinte) dias úteis após cada período de 12 (doze) meses de trabalho, prestado à mesma pessoa ou família”.

Portanto, até 19.07.2006, o período de férias do doméstico era de 20 dias úteis. A partir de 20.07.2006, com a nova redação dada pela Lei 11.324/2006, o período será de 30 (trinta) dias corridos.

AVISO DE FÉRIAS

O empregador deverá pré-avisar o empregado doméstico quando sairá de férias, assim devendo anotar na CTPS o período referente ao gozo das férias.

No que se refere a férias proporcionais quando o doméstico for demitido sem justa causa ou quando pedir demissão com mais de 1 ano, o empregador, por cautela, deverá pagar, uma vez que há controvérsias a respeito do assunto e algumas jurisprudências têm se manifestado neste sentido; no caso também deverão ser acrescidas de 1/3 constitucional.

COMO CALCULAR AS FÉRIAS

A partir de 20.07.2006

Quando temos no mês de gozo de férias número de dias diferente de 30 (trinta) devemos proceder o cálculo pelo número exato do mês, ou seja, fazer a divisão do salário por 28, 29, 30 ou 31 conforme o caso. Procedimento que, se não observado, irá gerar pagamentos incorretos de férias.

O empregado perceberá, durante as férias, a remuneração que lhe for devida na data da sua concessão.

A remuneração é proporcional, sempre, para atender a este dispositivo da CLT, senão vejamos:

Se dividirmos o salário do mês por 30, num mês que tem 31 dias, pagaremos verbas salariais a maior, no caso de gozo de férias no período.

Se dividirmos o salário mensal de fevereiro por 30 e multiplicarmos por 28, estaremos subtraindo deste trabalhador 2 dias de remuneração proporcional, no caso de férias.

EXEMPLOS:

Mês de 28 Dias

Empregado entra em gozo de férias do dia 01.02.2007 a 02.03.2007. Salário mensal de R$ 1.200,00.

Neste caso o salário do mês de fevereiro, R$ 1.200,00, corresponde a 28 dias, faltando assim a complementação de 2 dias do mês de março para se determinar o valor total das férias (o salário do mês de março será dividido por 31 e multiplicado por 2, para serem somados ao valor dos outros 28 dias):
Cálculo no mês de Fevereiro
Cálculo no mês de Março

R$ 1.200,00 : 28 dias = R$ 42,857
R$ 1.200,00 : 31 dias = R$ 38,710

R$ 42,857 x 28 dias = R$ 1.200,00
R$ 38,710 x 2 dias = R$ 77,42

Valor Total Férias = R$1.277,42

O saldo de salário desse empregado no mês de março será correspondente a 29 dias:

R$ 38,710 x 29 dias = R$ 1.122,58.
Mês de 29 Dias

Empregado entra em gozo de férias do dia 01.02.2008 a 01.03.2008 (2008 – ano bissexto). Salário mensal de R$ 1.420,00. Neste caso o salário do mês de fevereiro, R$ 1.420,00, corresponde a 29 dias, faltando assim a complementação de 1 dia do mês de março para se determinar o valor total das férias (o salário do mês de março será dividido por 31 e multiplicado por 1 para ser somado ao valor dos outros 29 dias):
Cálculo no mês de Fevereiro
Cálculo no mês de Março

R$ 1.420,00 : 29 dias = R$ 48,966
R$ 1.420,00 : 31 dias = R$ 45,806

R$ 48,966 x 29 dias = R$ 1.420,00
R$ 45,806x 1 dia = R$ 45,81

Valor Total Férias = R$1.465,81

O saldo de salário desse empregado no mês de março será correspondente a 30 dias:

R$ 45,806 x 30 dias = R$ 1.374,19.
Mês de 31 Dias

Empregado entra em gozo de férias do dia 01.08.2008 a 30.08.2008. Salário mensal de R$ 1.700,00.

Neste caso, o salário do mês de agosto, R$ 1.700,00, corresponde a 31 dias. Devemos dividir o valor do salário mensal por 31 e multiplicarmos por 30, para obtermos o valor total das férias e pagarmos 1 dia de salário em folha de pagamento:
Cálculo no mês de Agosto

R$ 1.700,00 : 31 dias = R$ 54,839

R$ 54,839 x 30 dias = R$ 1.645,16

Valor Total Férias = R$ 1.645,16

O saldo de salário desse empregado no mês de agosto será correspondente a 1 dia:

R$ 54,839 x 1 dia = R$ 54,84.

CONCLUSÃO

O que deve ser entendido é que, a partir de 20.07.2006, as férias do empregado doméstico correspondem a 30 dias e não a um mês, em conseqüência reflete-se na sua remuneração também.

Ou seja, se o mês tem 31 dias, paga-se 30 dias de férias e 1 dia de salário.

Depois de encontrado o valor correspondente aos dias de férias calcular-se-á o um terço constitucional e os encargos sociais.

Até 19.07.2006

Até 19.07.2006, a cada doze meses de serviços prestados ininterruptamente à mesma família o doméstico teria direito a vinte dias úteis de férias. Estes dias úteis são calculados contando-se de Segunda a Sábado, inclusive dias santos e feriados, sendo que o Domingo não entra no cálculo, pois é considerado descanso remunerado, assegurado pela Constituição Federal.

Desta maneira, vinte dias úteis correspondem a vinte e quatro dias de um mês padrão. As férias devem ser calculadas dividindo-se o salário mensal por trinta e multiplicando o resultado por vinte e quatro. Dividindo-se o valor obtido por três, obtém-se o terço de férias. Somando-se o valor do salário de férias com o valor do terço de férias, obtemos o valor total da remuneração de férias dos domésticos.

Esta forma de cálculo é oriunda de informações do próprio MTE que constavam em sua cartilha sobre domésticos.

Exemplos de cálculos até 19.07.2006:

1. Férias de empregado mensalista:

Empregado com salário mensal de R$ 600,00.

1) Divida o salário mensal por trinta dias: 600,00 : 30 = 20,00 por dia.

2) Multiplique o resultado por 24 para ter o valor dos dias de férias: 20,00 x 24 = 480,00.

3) Divida o valor obtido por três, para ter o total do abono: 480,00 : 3 = 160,00

4) Some o valor das férias com o abono: 480,00 + 160,00 = 640,00 (valor devido).

Se o pagamento for proporcional a menos de um ano, divide-se esse total por doze e multiplica-se pelo número de meses trabalhados.

Como, no exemplo acima, foram pagos 24 dias de férias, o saldo (6 dias para completar o mês) será pago como o salário respectivo:

6 x R$ 20,00 = R$ 120,00 (saldo de salário do mês). Este saldo de salário poderá ser pago até o 5o. dia útil do mês subsequente.

Nota: no exemplo acima, utilizamos um mês de 30 dias. Caso o mês de gozo de férias tiver 28, 29 ou 31 dias, os cálculos deverão levar em conta os dias efetivos do mês. Neste caso o salário/dia para cálculo das férias será:

Mês de 28 dias = R$ 600,00 : 28 = R$ 21,43/dia

Mês de 29 dias = R$ 600,00 : 29 = R$ 20,69/dia

Mês de 31 dias = R$ 600,00 : 31 = R$ 19,35/dia.

O ajuste para o saldo de salários também levará em conta os dias efetivos do mês.

2. Férias de Empregado Horista:

Salário-hora de R$ 4,80.

- número de horas trabalhadas nos 12 meses de aquisição do direito ás férias = 2.235,36 dividido por 12 = 186,28 horas.

- número de horas correspondente ao descanso semanal remunerado (DSR) = 439,8 dividido por 12 = 36,65 horas

(*) o número de horas está sendo considerado em sistema centesimal.

Nota: Os valores de número de horas acima são apenas exemplificativos, devendo cada empregador verificar o número exato de horas trabalhadas, assim como as horas do respectivo DSR em cada mês no período de aquisição das férias. Convém salientar que no mês em que o empregado foi admitido, deve-se considerar para efeito do cálculo o número de horas como se ele tivesse trabalhado o mês todo, para que o mesmo não seja prejudicado.

- Cálculo:

R$ 4,80 x 186,28 horas trabalhadas = R$ 894,14

R$ 4,80 x 36,65 h/DSR = R$ 175,92

Total da média mensal = R$ 1.070,06

Se no mês de gozo de férias houver 30 dias, então:

1) Salário + DSR/dia = R$ 1.070,06 dividido por 30 = R$ 35,67

2) Multiplique o resultado por 24, para ter o valor dos dias de férias: R$ 35,67 x 24 = 856,08.

3) Divida o valor obtido por três, para ter o total do abono: R$ 856,08 : 3 = R$ 285,36

4) Some o valor das férias com o abono: 856,08 + 285,36 = R$ 1.141,44 (valor devido).

PAGAMENTO DAS FÉRIAS

As férias devem ser pagas até 2 (dois) dias ANTES ao início do gozo do respectivo período.

CÁLCULO DO INSS

O desconto do INSS e o encargo respectivo do empregador devem incidir sobre o total da remuneração (férias + 1/3).

Assim, se as férias correspondem a R$ 640,00 (incluído aí o 1/3 constitucional) e o saldo de salários a R$ 120,00, teremos:

Remuneração do mês (férias + 1/3 + saldo de salários) R$ 640,00 + R$ 120,00 = R$ 720,00.

O desconto do INSS será sobre este valor (parcela do empregado), calculado segundo a tabela do INSS.

O encargo do empregador será de 12% x R$ 720,00 = R$ 86,40.

Veja exemplos de comprovantes de pagamentos à empregado doméstico no tópico Empregado Doméstico (recibo mensal, férias, 13º salário e rescisão).

JURISPRUDÊNCIA

EMBARGOS. FÉRIAS EM DOBRO, PROPORCIONAIS E DE 30 DIAS ANUAIS. EMPREGADO DOMÉSTICO. A Constituição da República, ao estabelecer o rol dos direitos trabalhistas com status constitucional, assegurou aos empregados domésticos o direito à fruição das férias, com o respectivo adicional, em igualdade com os demais trabalhadores. Nota-se, assim, o intuito do poder constituinte originário de melhor amparar os trabalhadores domésticos. Ressalte-se ainda que recentes modificações legislativas autorizam a conclusão de que há um movimento histórico que revela a tendência normativa de tornar cada vez mais eqüitativos os direitos dos trabalhadores domésticos em relação aos direitos usufruídos pelos demais empregados. Com efeito, a Lei nº 11.324/2006 alterou o art. 3º da Lei nº 5.859/72, ampliando o período de férias dos empregados domésticos para 30 dias, em paridade com os demais trabalhadores. A mesma lei estendeu às empregadas domésticas gestantes o direito à estabilidade desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. A Lei nº 10.208/2001, por sua vez, acrescentou o art. 3º-A à lei de regência do empregado doméstico, para autorizar a inclusão facultativa do empregado no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS. Essas alterações legislativas, lidas à luz do princípio da igualdade, autorizam a concluir que, cada vez mais, tem se tornado insustentável a manutenção da desigualdade de direitos entre os empregados domésticos e os demais trabalhadores. Ressalte-se que, confirmando o acima disposto, o Decreto nº 71.885 (que regulamentou a Lei nº 5.859/72), já em 1973, reconheceu que, no tocante às férias entre as quais se inclui a indenização por sua não-concessão -, as disposições da CLT são aplicáveis também ao empregado doméstico. Assim, é mera decorrência do princípio do igual tratamento o reconhecimento de que os empregados domésticos têm o direito à dobra legal pela concessão das férias após o prazo. Nesses termos, nego provimento ao Recurso de Revista da Reclamada. PROC: E-RR – 13145/2000-652-09-00. Ministra Relatora MARIA CRISTINA IRIGOYEN PEDUZZI. Brasília, 19 de novembro de 2007.

EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. DOMÉSTICO. PAGAMENTO EM DOBRO DE FÉRIAS USUFRUÍDAS A DESTEMPO. DEVIDO. Versa a presente controvérsia sobre a extensão ou não do pagamento em dobro previsto pelo artigo 137 da CLT aos empregados domésticos que não usufruíram de suas férias dentro do prazo previsto em lei. Com efeito, não obstante o artigo 7º, a , da CLT exclua aquela categoria do campo de abrangência das leis previstas na própria Consolidação, a mens legis do Constituinte originário, revelada no artigo 7º, XVII e parágrafo único, da Constituição Federal de 1988, foi de conceder isonomia entre empregados domésticos, por um lado, e aqueles regidos pela CLT, por outro, no que tange às férias. Realmente, não seria razoável cogitar-se de inaplicabilidade aos domésticos de todos os dispositivos da CLT relativos às férias apenas porque não repetidos no parágrafo único ou no inciso XVII da Constituição Federal de 1988. Acrescente-se que, no caso análogo das férias proporcionais de doméstico (tampouco previstas expressamente no art. 7º, XVII e parágrafo único, da Constituição Federal de 1988), esta e. Subseção tem decidido favoravelmente à pretensão obreira (TST-E-RR-733/1994-302-01-00.5, Rel. Min. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, DJU de 6.6.2008; TST-E-RR-1877/2002-441-02-00.5, Rel. Min. Lelio Bentes Corrêa, DJU de 22.2.2008). Finalmente, mantenho o entendimento consagrado no julgamento do processo nº TST-E-RR-13145/2000-652-09-00.8, Rel. Min. Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, DJU de 7.12.2007, mencionado pelo v. acórdão embargado, e nego provimento ao recurso de embargos. PROC: E-RR – 1053/2003-052-15-00. Ministro Relator HORÁCIO SENNA PIRES. Brasília, 18 de agosto de 2008.

Base Legal: Lei 11.324/2006;

Lei 5.859/1972;

Decreto 71.885/1973 e os citados no texto.

Fonte: Lista RH Manaus

Método para Organização de mesas em Eventos

Uma sugestão de forma de organizar mesas de jogo em encontros, visando diminuir o tempo de cada jogador na fila!!!

O sistema, criado por Norson Botrel e Claus Rieger, era usado na USPCON.

Método Norson/Claus para Organização de Mesas de RPG
criado por Norson Botrel e Claus Rieger

Fonte: Site da Daemon

0o) Deixe os Mestres entrarem cerca de 20min antes no evento

1o) Forme uma fila para Mestres e outra para jogadores.

2o) Um fiscal pergunta ao Mestre que está em 1o da Fila de Mestres que sistema e quantos jogadores (x) ele aceita.

3o) O fiscal pega o Mestre pelo braço e vai com ele até a fila de jogadores. O Fiscal anuncia (falando ou com uma placa) o sistema que está sendo oferecido.

4o) Os primeiros (x) que se manifestarem, obedecendo a ordem da fila, vão jogar essa mesa.

5o) O Fiscal junta o Mestre com os (x) jogadores, leva-os até uma mesa, põem todo mundo lá, anota Mesa e sistema em uma planilha e volta para a fila para pegar outro Mestre.

As mesas vão sendo preenchidas em Ordem de ocupação.

Vantagens desse método:

* Acaba com a necessidade de uma pré-inscrição.
* Acaba com as mesas montadas pela metade (Mestre com x-3 jogadores), pois ele só vai pra mesa com o grupo completo. Se ele concordar com uma mesa menor (caso poucos jogadores topem jogar com ele), pelo menos ele saberá disso logo, e por decisão dele.
* Acaba com os sumiços (jogadores e Mestres que se inscrevem e ficam passeando enquanto a mesa não está completa).
* Acaba com a decepção pois o jogador não vai para a fila achando que há vagas em uma mesa que se preenche antes da sua vez.
* Reduz o tempo de espera na fila de 3h para 20 minutos.
* Reduz a equipe necessária de 45 pessoas para 5

A gente chamava este método de “à prova de chatos”, porque se a pessoa está a fim de jogar qualquer sistema, ele consegue lugar na mesa de jogo muito rápido, por outro lado, se ele quer jogar um sistema específico, pode ficar horas parado em 1o lugar na fila sem nenhum Mestre do sistema Y que ele quer jogar.

Imagem do Dia – 24/08/2009

21, 08, 2009

Imagem do Dia – 21/08/2009

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