Suserania’s Weblog

3, 04, 2008

D20 Baré

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Querido Latão,

Eu me amarro no sistema D20, mas tô meio cansado desses cenários de Fantasia Medieval. Não tem nada a ver com a nossa realidade! Será que seria possível adaptar o sistema e fazer um “Manaus D20″, heim? Como seriam as regras, os personagens, a campanha… Me ajuda a imaginar! Te dou os créditos do livro-suplemento!

Abração,

Aderbaldo Tupinambá

Manaus - AM

 

Caríssimo Aderbaldo, como vai?

Depois de um rápido cochilo, que culminou em queixas por minha ausência (eu não tenho culpa se vocês humanos vivem tão pouco e não conseguem conceber cochilos com 8 meses de duração), muito me alegra responder uma cartinha de alguém que realmente ama sua terra natal! Nós, dragões, também somos extremamente territorialistas, de forma que farei o possível para sugerir uma campanha D20 utilizando Manaus como cenário - e com aspectos beeem característicos, para que você se sinta realmente em casa!

Mas, claro, toda campanha D20, independentemente de onde se localize, segue algumas premissas essenciais. Pra início de conversa: seu personagem vai ser POBRE. É uma espécie de tradição, cuja origem eu nunca soube muito bem. Mas todo mestre faz questão, no início de uma nova campanha, de te deixar à beira da miséria e desespero absoluto. Tipo, se a campanha é numa vila litorânea, o mestre permite que você tenha no máximo uma vara de pescar - sem linha nem anzol, que é pra você se lascar tentando pescar na base da bordoada e com isso talvez ganhar uns XPzinhos extras, como recompensa por este esforço ridículo.

Pra seguir a tradição - e já que estamos em Manaus - seu personagem baré teria que morar de favor na beira do igarapé, contando só com a (pouca) roupa do corpo e a habilidade de respirar (porque pelo menos pra respirar Deus não cobra imposto) e correr (pra aumentar suas chances de sobrevivência após assaltos). Como feats de raça (Cabôco) e classe (Biscateiro), você teria “Digerir Farinha”, “Performance: Forró, Pagode e Boi-Bumbá” e “Armas Simples: Terçado, Pedra e Garrafa”. Eu sou um mestre bonzinho e vou te dar, por minha conta, uns benefícios a mais. Aí vai a campanha:

Seu nome é Waldirgleyson de (***) (o nome é clássico e os asteriscos fazem parte: como tu não tiveste pai, é assim que eles inscrevem a tua filiação na carteira de identidade.)

À primeira vista, tu és um caboquinho periférico feito todos os outros. Seu “Kit do Aventureiro Feliz” inclui itens mundanos, algumas relíquias e armas mágicas típicas da rapiocagem baré: um moquifo básico - longe pra cacete e sempre em obra, mas já com upgrade de laje e puxadinho pra abrigar teus parente desocupado; um fusca 74 vermelho cheio de adesivos “Jesus Salva” e “Eu Amo Minha Esposa”; cinco curumins barrigudos que vivem te pedindo dinheiro pra torrar com Lan House e cerol de papagaio; um pôster da Calypso autografado pelo Chimbinha (a versão autografada pela Joelma era muito mais cara) e um monte de contas vencidas pra pagar com empréstimo da Karolaine Financeira. Mas o que nem tuas vizinhas futriqueiras sabem é que, na verdade, tu és um super-herói regional com poderes especiais - e faz parte de um famoso Esquadrão Ultra Secreto de Combate ao Crime, Divisão Anti-Galeral - o “Jarakillers”! (uma banda aí copiou o nome, mas teus brother desistiram do processo para não ter que revelar sua organização secreta).

Tudo começa durante um fim de semana normal em seu quartel-general: de folga das missões, tu mais uns caléga fizeram uma cotinha e tão armando aquele pagodão na laje, comendo chusgato assado em aro de fusca, com direito a bica de borracha pra acudir o mormaço e garantir aquele bronzeado de jibóia - todo manchado, que deixa a marquinha do sungão do Flamengo lá na altura do imbigo pra quando chegar segunda-feira tu poder se exibir pras catirinas lá do teu silviço. Pra mais tarde, teus únicos planos são botar a beca C&A “chic pra di noitche” e ir levar chicotada de Kolene das gueguete lá no Forrozão Suvaco da Cobra.

Mas teus planos são miseravelmente interrompidos por uma pedrada vindo lá da rua, que te acerta bem no meio dos chifres. Aquela não é uma pedrada qualquer, e nem foi arremessada por um trombadinha qualquer: aquele era um dos office-boys do Esquadrão Jarakillers! Amarrado à pedra, você encontra um pedaço de papel pardo com a mensagem “Agradecemos a Preferência Volte Sempre Padaria Jesus Me Deu”. É um código clássico dos Jarakillers: você sabe que precisa ouvir o rádio AGORA - pois, num programa específico, haverá uma mensagem cifrada indicando qual será sua próxima missão!

Só que teu micro-system Crown tá quebrado e tu não quiseste mandar pro conserto. Felizmente, maninhozinho, tu tens 5 graduações na perícia “Gambiarra” e tira um 20 no dado - sucesso absoluto! Tu consegues remendar a antena do bregueço com durex e liga de dinheiro, e ainda espeta um bombril na ponta pra pegar melhor. Tudo bem a tempo de sintonizar no “For Making Love” e ouvir o F. Cavalcante, com aquela voz tipo tomei-Gardenal-e-fui-trepar, anunciar a tradução de “Total Eclipse of the Heart” - oferecida pela Leidivânia do São Lázaro ao seu amado Ozivaldo da Betânia.

É o código! Depois de ouvir a tradução e anotar a mensagem cifrada, tu já sabes onde tens que ir e o que precisa fazer. Se despede rapidamente dos amigos de laje (ninguém tá nem aí se tu vais ficar ou não, o mais importante pra eles é que ainda tem cerveja) e segue para sua missão: salvar Nhanhá Palmira, a gentil e indefesa matriarca de um clã aliado, que está sendo mantida cativa num esconderijo na tenebrosa Comunidade Sharp. Como extra, você ainda terá que desmontar um esquema de fuga do Presídio do Puraquequara, planejado pra ocorrer durante o jogo do Payssandu.

Os combates são terríveis: Galerititos calibrados de corote e Meganhas noiados de tóchico te abafam num fight e largam a borrachada no teu lombo - te deixando todo ticado, guisado, embonecado e com a lata espocada. Mas como constituição de periférico é Épica, tu não apenas escapas fedendo como ainda larga umas boas terçadadas no escutador de novela dos galerititos e os deixa todos estropiados, empenados, desovados e fazendo as tripa de pano-de-chão no pronto-socorro do João Lúcio.

Sucesso! Embora quase morto, tu consegues salvar Nhanhá Palmira e impede a fuga do Puraquequara. O Maskate registra tudo e tu ainda vira celebridade na Comunidade da Sharp, com direito a entrevista no programa do Lupércio.

E Latão, seu bondoso Mestre, te recompensa com uma arma mágica utilíssima: uma Peixeira Mística +2 (+5 se utilizada para arrancar casco de bodós e de posseiros paraenses). E viva o heroísmo baré!

Texto por: Alexandre Santana

1, 04, 2008

Quem é o Dragão de Latão?

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Pergunte ao Dragão de Latão

Tá lá no Draconomicon: Dragões de Latão gostam de falar. Bastante. Um tanto quanto demais, até.
Daí não foi surpresa pra ninguém quando, durante uma reunião do Conselho Suserano pra decidir quem seria responsabilizado pela seção de dúvidas do Feudo de RPG, um Dragão de Latão apareceu do nada e prontamente se ofereceu ao cargo.

Pois taí. Ninguém tava lá muito a fim de discutir com um Latão Grand-Great Wyrm já meio gagá (nem muito menos ficar com o abacaxi de responder os e-mails de dúvidas…) e o Vovô Latão ganhou o emprego na hora!

Então, o que estão esperando? Mandem suas dúvidas mais inquietantes para latones@suserania.com e aproveite essa oportunidade única de receber esclarecimento (ou quase..) de uma criatura lendária!

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20, 03, 2008

Duvidas da Hello Kitty

hello kitty

Oieeee lataumzinhuuu fofiX!!!!!!! Tipassim sou suuuuuper fan sua mas naum sabe muinta coiza dessi joguinhu naum… o livru eh muinto grande e tem figurinhaZ muinto feias naum teim nada rozinha neim dolls cabeçudas neim nada assim fashion eu e meuZ miguxos emo tentamus jogah mais a genti num intendi nada dessas firulinhaZ de períçia o ki eh períçia????? Dah pa eu botah um monti dessas tal períçia pa jogah cum a Hello Kitty???? Ai eu amuuuuuu a Hello Kitty!!!!! Bejuuu lataumzinhow tah add!!!!!!

=^,^=

Polly Penélope

Comunidade Mundo FofiX – Orkut

Saudações cor-de-rosa para você, Penélope! Desculpe-me por não retribuir sua fofíssima cartinha virtual com o mesmo entusiasmo, mas é que na minha idade é preciso tomar cuidado com os excessos – principalmente o excesso de pontos de exclamação. Confesso que me esforcei ao máximo para responder suas dúvidas, movido não apenas pelo dever, mas também pela mais pura compaixão. Pobre menina… além desse seu alinhamento Caótico e Fresco ser relativamente prejudicial aos seus pontos de Carisma, sua penalidade em Inteligência deve ser altíssima: nem Língua Comum você fala direito!

Até onde puder decifrar, pelos raros caracteres inteligíveis em sua mensagem, você quer aventurar-se em uma campanha adaptando sua personagem preferida - aquele gato/monstro-mutante/ser indescritivelmente deformado conhecido como Hello Kitty – a partir das intrincadas regras de aplicação de perícias do sistema D20.

Caso suas sérias restrições interpretativas lhe permitam passar da página 12 do livro do jogador (aqueeeele das figuras feias), posso lhe dizer de pronto – pra facilitar bastaaaaaante pra você, viu, miga? - que Hello Kitty já começa com um mínimo de nível 10 nas seguintes perícias: Irritar Pessoas, Expulsar Nerds, Recursos (Pappy e Mommy), Contatos e Aliados (MeeGos, Miguxos, Emos e Calégas), Encantar (Crianças), Enfeitiçar (Patricinhas Retardadas), Línguas (Miguxês e MSNês), Decifrar Escrita (e-mails em MiguXês), Heráldica (especialização em sprites de dolls cabeçudas), Senso Estético (Fashion), Grito Ensurdecedor (pré-requisito: Ataque de Frescura nível 5), Esquiva Aprimorada (desviar de pessoaZ feiaZ no xópiZ), Dissimulação Básica (Sonsa), Paquerar, Vontade de Ferro (burra demais pra ser convencida de qualquer coisa racionalmente), Identificar Acessórios (Última Moda), Mascar de Boca Aberta, Tingir (Cabelos), Escovar e Chapear (idem), Acrobacia (Funk e Batidão Jovem Pan), Montaria Aprimorada (Carro de Playba), Disfarce (maquiagem) e Falsificação (carteira de identidade). Não é meigo?

Lógico, você vai ter que identificar todas essas perícias no livro do jogador, estudar suas aplicações de acordo com cada situação de campanha e decorar o que cada uma delas faz. E escrever muuuuuuito na sua fichinha - que aliás, é preta e branca e cheia de tabelas suX. Na boa? Você vai achar chato. Baixe o joguinho das superpoderosas no seu celular que você vai ser mais feliz! Titio Latão agradece mais uma vez sua linda cartinha e pede ao pappy do céu para que você consiga tudo o que quer da vida, à vista ou no cartão. Bejuuuuuuuuu! T+!

Atenciosa e Fofamente,

Dragão de Lagão (cortando a crista em forma de franja pra tentar virar Emo)

Texto por: Alexandre Santana

19, 03, 2008

Dragões de meltal enferrujam?

Latones

Salve, nobres aventureiros! E muitíssimo obrigado a todos os que manifestaram saudades deste velho dragão. Sabe como é, na minha idade é comum dar um cochilo após o almoço e acordar dali a uns três meses. Principalmente quando o almoço em questão passa metade desse tempo lutando pra que você o cuspa de volta. Ossos do ofício. Mas agora, vamos ao que interessa: responder cartinhas!

“Olá, Sr. Lata Velha! Me esclareça uma dúvida que me consome há anos: dragões metálicos enferrujam?”

Paulo Prata – Ouro Preto, Minas Gerais

Olá, Sr. Prata! É com muito prazer que aterrorizo mais um escriba indefeso para que ele rabisque, em trêmulas linhas, minha resposta à sua cartinha cheia de amor e plenitude. Trata-se de uma dúvida persistente entre os estudiosos de dragões, uma vez que o tenebroso fantasma da oxidação aterroriza a nós, dragões enlatados, de formas diferentes. Dragões de metal enferrujam? Oh, sim! Mas depende do dragão, do metal e das CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão. Não lembram? Vão estudar física e química, humanóides estúpidos!).

Assim sendo, vamos fazer como eu fiz com aquele cavaleiro mané e dividir o tema em pedaços. Vou descrever a questão Ferrugem x Dragões falando sobre cada um dos INSUPORTÁVEIS dragões de metal nobre - aqueles novos-ricos esnobes – e seus primos pobres e patéticos, os Dragões de Bijuteria. Prepara o Bombril pra polir essa moçada - mas sem aranhar!

Dragões de Metal Nobre

São imponentes, altivos, elegantes, sábios, vaidosos… umas ladies. Pra eles, todos os demais dragões são ralé. Especialmente o pobre Latão velho que vos fala. Mas isso não impede que uma criatura magnânima e absolutamente não-rancorosa como eu exalte as boas (?) qualidades (??) destas criaturas tão adoráveis (???) e que não enferrujam quase nunca. Luz na passarela, que lá vêm eles!

Dragões de Ouro : enferrujar? Jamé, meu bem! Dragão de Ouro nunca enferruja, vira purpurina. Aí a gente derrete, faz cordão e penhora lá no prego da Caixa Econômica, até o prejuízo passar. Dragões de ouro acham que têm o rei na barriga. Mas a verdade é que reis de verdade raramente se submetem a fazer parte da dieta de um Dragão de Ouro: dá muito trabalho digerir os antepastos que precedem o prato principal – no caso, centenas de cavaleiros que têm muita espinha (as lanças) e carapaças de aço que dão uma azia desgraçada. Mesmo em ocasiões especiais, os Dragões de Ouro têm que se contentar em ter um barão ou um conde na barriga. E olhe lá.

Dragões de Prata : não enferrujam, mas você tem que ter pele boa pra usar. Senão ele fica logo preto, um horror. Aí tem que esfregar o bichinho com Polidor Brasso, que tem aquele cheiro medonho, pra ele voltar a refletir o luar em todo o seu esplendor. Ai, ai.

Dragões de Platina : ferrugem pra chegar até aqui tem que malhar muuuuuito, meu amor. Os de platina são inoxidáveis, inquebráveis, inabaláveis, não têm cheiro e não soltam as tiras. As únicas coisas que os afetam genuinamente são o tédio e os vícios: depois de milênios sendo tão absolutamente perfeitos e adoráveis, acabam acometidos de uma deprê existencial ter-rí-vel e se chapam com barbitúricos suíços - no entanto, só aqueles de formulações experimentais e aviadas (noss…) por laboratórios mortos de exclusivos. Acho digno.

Dragões de Bijuteria ou Wannabes

São uns dragões novos-ricos que querem abalar de qualquer maneira, mas não têm berço e por isso são discriminados, coitadinhos. A muito custo, conseguiram mudar suas referências no Draconomicon: de Dragões Ouro-de-Tolo ou Dragões Folhados, passaram a ser chamados de Dragões Semijóias - um termo muito mais politicamente correto, mas que ainda trai o “pé na cozinha” desses emergentes.

Dragão Michelin : são muito disputados por aventureiros de classe mais baixa, e tidos como o presente perfeito para aquela ladina biscateira que ainda tem níveis baixos em Avaliação e não consegue reconhecer dragões realmente valiosos. Olhando assim rapidinho, o Dragão Michelin até parece Ouro - mas com o tempo eles descascam e ficam pretos. Dá dó.

Dragão Romannel : evolução natural dos Dragões Michelin. Algumas celebridades instantâneas juram que gostam deles, mas os substituem por dragões mais caros assim que ganham status. Os Dragões Romannel não descascam com tanta facilidade e não ficam escuros com o tempo, mantendo seu douradinho ilusório por uma ou duas estações. Mas entortam e dão alergia. Evitáveis.

Então, é isso. Espero ter esclarecido nessas breves linhas parte de suas dúvidas sobre o processo degenerativo dos dragões enlatados. Mas lembre-se: mantenha seu dragão metálico sempre reluzindo, evite o excesso de água e não os alimente demais: eles se tornam Metais Pesados, que são muito tóxicos e acabam sendo abatidos pra serem transformados em bateria de celular – um destino tão terrível que me arranca faíscas das escamas só de imaginar! Isola! Queima, Bahamut!

Texto por: Alexandre Santana, vulga latones.

10, 03, 2008

Duvidas a mil de D20

Dragão de Latão

Saudações, aventureiros! Lembram quando suas mamães mandaram vocês criarem vergonha na cara e irem cursar Direito, que é uma faculdade decente? Pois é: hoje nós vamos descobrir que elas tinham lá suas razões!

No “Latão Responde” de hoje, vamos descobrir que ser nerd já foi mais fácil: agora, para jogar RPG, um anel de advogado pode ser o item mágico mais valioso do planeta. Duvidam? Então, saquem só o drama do nosso amigo Cão Babão, que mandou meia tonelada de perguntas sobre “a tal Open Gaming License” do Sistema D20 (e provavelmente vai sair daqui mais confuso do que quando entrou). É isso aí, pessoal! A Justiça é cega… mas isso não torna as coisas mais fáceis! Ela poderia ser surda, muda e paralítica, que ainda seria um desafio de Nível Épico…

Cartinha do Sr. Cão Babão:

Olá, Latão!

Gostaria de saber váááárias coisas a respeito do sistema D20:

É necessário pagar para se publicar um trabalho em que irei ganhar dinheiro (um livro básico) baseado no sistema D20?

Excluindo-se os custos normais (e geralmente exorbitantes) necessários para se publicar qualquer coisa no nosso país, caro Cão, a resposta é “não” - no sentido de que você não terá que pagar direitos autorais para a Wizards of the Coast, que inventou o sisteminha do qual você pretende (ab)usar. O que você precisa fazer, antes de mais nada, é ir nesse link aqui ( http://www.wizards.com/default.asp?x=d20/welcome) e ter a heróica paciência de ler, na coluna direita, todas as “Official Licenses” que definem “pequenos termos” necessários à liberação das regras para você usar como der na telha. Separe um dia de ócio, arme-se de muita dedicação e um dicionário jurídico inglês-português: as tais regras estabelecem condições para liberação dos direitos autorais em termos beeeeem detalhadinhos, que não interessariam a ninguém exceto um advogado recém-formado e louco pra mostrar serviço. A boa notícia é que, embora chatas, as regras não são tão complicadas assim. Depois de digerir o calhau, você volta lá no mesmo link que eu passei acima e clica na parte que interessa: ” For Publishers “. Lá você encontra uma ficha de cadastro pequenininha, na qual se compromete a respeitar direitinho os termos da Open Game License do sistema D20. Daí, você manda essa ficha pro e-mail da Wizards of The Coast e espera a resposta deles autorizando você a ser o novo milionário da indústria do entretenimento.

Eu preciso fazer alguma coisa compatível com o D&D para usar o sistema D20?

Nada disso! Caso você opte por utilizar apenas a parte “mecânica” das regras do sistema D20, pouco importa se seu jogo será sobre Fantasia Medieval ou sobre Baleias Albinas Psiônicas Superinteligentes Que Pretendem Estabelecer Um Império No Lado Escuro Da Lua Utilizando A Energia Das Ondas Cerebrais De Escoteiros Mirins Chineses. Se a Wizards of the Coast liberou, tá liberado (um bom exemplo são os Star Wars D20 e Call of Chtulhu D20 que andaram fazendo sucesso por aí).

Devo salientar, no entanto, que o jogo das Baleias citado no exemplo já é meu: nem pense em copiar sem me pagar royalties. Hmpf.

É necessário ter um dos livros básicos do D&D para manjar o sistema D20?

Ter os livros ajuda bastante, mas o mundo mágico da internet está aí pra facilitar a sua vida: há trocentos milhões de sites, mailing lists e fóruns, oficiais ou não (como este aqui, ó: http://boards1.wizards.com/forumdisplay.php?s=&forumid=259) voltados especificamente para designers que pretendem desenvolver jogos baseados no sistema D20, esmiuçando as regras de uma por uma.

Existe um livro, um site, colégio só para explicar o sistema D20?

Eu aconselharia a ir ao site oficial da Wizards of The Coast (aquele mesmo que eu citei lá em cima), por dois motivos: 1) - É o site oficial, ora bolas; 2) - Não tenho conhecimento de sites em português que sejam suficientemente complexos ou que não façam “releituras” das regras, que podem acabar te confundindo mais ainda, e 3) - Você fica por dentro das atualizações em primeira mão, caso hajam. Eu disse que eram só dois motivos? Dane-se, eu sou um cara expansivo.

A ficha produzida pelo sistema D20 vai acabar ficando muito parecida com aquela do D&D, que é minuciosa demais para o meu gosto?

Aí depende de quantas regras do sistema D20 você vai sugar para o “seu” jogo, que tipo de cenário você vai querer montar e quão eficiente será o designer que você vai contratar para criar o layout da sua ficha. Ela pode ter apenas meia dúzia de números riscados em papel higiênico ou virar a nova edição de “Guerra e Paz” - ilustrada.

Pessoalmente, eu gosto de detalhes. E figurinhas. E aquelas coisinhas redondas com números dentro. E linhas retas. E tons pastel. E descrições de perícias. E ilustrações de monstros em 3-D. E… Ah, e daí que minha ficha de personagem é maior que o Livro do Jogador?

Tenho de botar o selo da TSR ou da Wizards Of The Coast para usar o sistema D20?

Ah, você tem que colocar a logo do D20 System, sim. E nas dimensões e proporções e cores corretas - rola toda uma frescura com isso. Senão eles ficam muuuuuito chateadinhos. E os advogados deles ficam muuuuuuito alegrezinhos.

Tenho de vender o meu trabalho para o pessoal supracitado se usar o sistema D20?

Não. Mas aí vem a armadilha da Open Gaming License: como as regras do “jogo aberto” são as mesmas para todo mundo, tudo o que você publicar dentro dos termos da mesma passam a ser considerados… Open Game, ora essa. E nada impede que outro designer de jogos ou que os próprios caras da Wizards of The Coast, caso tenha achado sua idéia muito bacana, utilizem o SEU material em produtos que ELES venham a criar - sem te pagar um centavo. Adorável, não?

Posso mexer à vontade no sistema D20?

Não. Dentro da Open Gaming License, você pode escolher quais regras utilizar dentre as que já existem. Não gostou do sistema de classes, raças, magia ou hit points, por exemplo? Beleza, simplesmente descarte essas regras no seu jogo. Para modificar ou acrescentar suas próprias regras, bem como incluir qualquer material original (a maior parte), você vai ter que identificar, claramente, quais partes do trabalho são “abertas” (utilizando as regras do D20) e quais partes são “fechadas” (criação original sua, que você não quer ver copiada de jeito nenhum). Vale esclarecer que qualquer coisa que você escrever e não deixar BEM CLARO que é CRIAÇÃO SUA, inclusive protegida por direitos autorais (e aí cabe a você desenbolsar uma grana para registrar tais direitos de acordo com a legislação brasileira), significa que todo o conteúdo está automaticamente “liberado”. Da mesma forma, se você pegar qualquer regra do sistema D20 e indicar como “conteúdo fechado” - ou seja, de criação sua - os caras vão cair em cima de você feito Dragão com fome. Sugiro não arriscar..

Já existe qualquer outra coisa baseada no sistema D20 além do D&D?

Ih, uma pá de coisas. De jogos “oficiais” como o Star Wars e Cthulhu D20, que eu citei lá em cima, a sarros despretensiosos como Munchkin, ou até jogos “independentes” que você só encontra pela internet - como adaptações do Mundo das Trevas para o D20 (o que não deixou o povo da White Wolf lá muito satisfeito). A maioria das empresas desenvolvedoras de jogos, principalmente as pequenas, fazem uso de sites como o RPG Now ( http://www.rpgnow.com/) para vender suas invenções baseadas no D20 direto ao consumidor, no formato PDF - evitando custos de editoração e distribuição, o que torna as coisas beeeem mais baratas. Dá uma olhada neste link, por exemplo ( http://www.rpgnow.com/default.php?cPath=_1) pra você ver algumas idéias criativas e mais um monte de aberrações.

Devo ter me esqueci de alguma coisa por perguntar, mas aí eu mando outra coisa para vocês se entreter, dragão!

Pode deixar. Vou aguardar com muito carinho, amor e plenitude. Mas acho que dá pra resumir tudo deizendo o seguinte: a Wizards of The Coast criou e liberou as regras do D20 para qualquer um usar - mas continua sendo a “dona” dessas regras. É mais ou menos como emprestar a bola do seu irmão mais velho: se ele estiver de bom humor, você pode jogar com ela à vontade - mas se você furar a desgraçada da bola, ele vai te estraçalhar de pancada e pedir pra você comprar outra pra ele - mais cara que a original. Sabendo jogar direitinho, dá pra se divertir numa boa.

Até a próxima, aventureiros!

Dragão de Latão
Texto por: Alexandre Santana

5, 03, 2008

Magos por Latão

Arquivado em: Dragão de Latão — latones @ 10:41 am
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Salve, Dragão de Latão!
Eu e meu parceiro de jogo nunca entendemos direito esse lance dos magos especialistas e temos dúvidas em algumas escolas de magia. Gostaríamos de saber no que é necessário investir para fazer um bom mago ilusionista.(Leia Mais…)

Obrigado,

Sigfried & Roy,
Hotel dos Felinos Albinos - Las Vegas, Nevada

Salve, aventureiros! É com muita emoção que respondo a este primeiro e-mail, e logo com uma dúvida tão cabulosa - digna de meus infindáveis conhecimetos, portanto. Olha, não vou mentir pra vocês: esse papo de “investir” é meio complicado quando se trata de ilusionistas. Até uma sumidade incomparável, infinitamente brilhante e insuperavelmente humilde como eu se atrapalha um pouco.

Eu já ouvi falar de um ilusionista investidor, claro, há muito tempo. Ele tinha pirado o cabeção de tanto falhar nos save tests de fortitude e acabou desistindo da vida de aventureiro pra montar - imagine só - uma agência imobiliária. Especializada na venda de casas feitas de doces para bruxas inválidas, que não conseguiam mais caçar criancinhas por conta própria. Era um lance meio underground, entende? A maioria dos reinos não via com muito bons olhos essa coisa de comer criancinhas - era ruim pras pesquisas eleitorais e afetava o crescimento vegetativo, principalmente quando muitos pixotes eram degustados de uma vez, o que se refletia em menos impostos recolhidos mais mais tarde. Daí as pobres bruxas foram meio que excluídas da sociedade - tinham que ir pra camelódromo de periferia, ganhar a vida contrabandeando muamba de anão de quinta categoria, fazendo mandinga de amor por encomenda pra barangas meio-orcs encalhadas e vendendo balinhas de gengibre nos engarrafamentos de carruagens - uma coisa meio triste, se você me perguntar.

Daí o tal ilusionista, que tinha virado Leal e Mal de tanto levar porrada, morreu de pena das coleguinhas bruxas sem-terra e farejou uma oportunidade de ajudá-las - e ainda ganhar dinheiro - com a tal imobiliária que eu falei lá em cima. Mas o único jeito de burlar o fisco era construir as tais casas de doces em florestas, meio longe das vilas (o IPTU era menor…) e tentar atrair a pirralhada pra lá. Parecia um negócio da China (e olha que a China nem tinha sido descoberta ainda!) e, de fato, até deu certo por um tempo - mas depois a coisa deu xabu. Tipo, já viu filhote de humano pobre como é, né? Aquelas pestinhas ranhentas e cheias de vermes passam o maior perrengue a vida inteira e aprendem a ser espertas na marra - por isso que existe essa verdadeira praga de ladinos na edição 3.5. E as bruxas, coitadinhas, eram todas meio gagás, meio burras, meio cegas ou completamente isso tudo aí junto. Os trombadinhas acabavam matando as pobres das velhas e comendo a casa toda.

As seguraduras perceberam o golpe e ficaram tiriricas da vida com o prejuízo: não queriam mais cobrir o seguro, então começaram a cobrar quase o preço das próprias casas como franquia. Vieram os empréstimos de gnomos banqueiros - cada taxa de juros que eu vou te contar, você morre pra pagar e eles ainda arrendam teu cadáver pro primeiro necromante que aparecer, um absurdo. Aí, o ex-ilusionista viu seus investimentos irem à bancarrota e acabou completamente quebrado - mesmo: ele foi fiscalizar a última obra, feita já com chocolate de terceira, e uma chaminé de alcaçuz despencou na cabeça do infeliz. Daquela altura, devem ter rolado uns 20 d10 de dano, e isso calculando por baixo, sem save throw. Imagino quantos hit points negativos o desgraçado levou.

É isso. Espero ter esclarecido satisfatoriamente a sua dúvida e lamento ter sido tão breve - é que esses Suseranos mãos-de-vaca me deram um espacinho mínimo. Obrigado por sua consulta, e até a próxima!

Lacônica e amavelmente,
Dragão de Latão.

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