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iLL´s Closet apresenta: CROSSPLAY

17, 03, 2008

Até onde vai o limite para se fazer cosplay? Quais os requisitos para praticar o hobby? Semelhança física? Identificação com a personalidade? Recursos financeiros? Complexidade? Apelo visual? Ser do mesmo sexo? Para muitas pessoas, todos os itens acima são necessários na hora de se interpretar um personagem através do cosplay. Entretanto, para outras, o último não faz tanta diferença.

É cada vez mais crescente o número de cosplayers que decidem interpretar seus personagens favoritos independentemente do sexo. Hábito este, muito mais presente no meio feminino, devido a motivos como: androgenia dos personagens masculinos e menor preconceito por parte do púbico (acham mais comum mulher fazer cosplay de homem, do que o inverso); entre outros.

Esta prática de interpretar personagens de sexo alheio ao seu próprio, possui um nome próprio: Crossplay (do inglês, ao pé da letra, ‘crossed’ – cruzado, e ‘play’ -interpretar).

Dentro do universo masculino, esta prática está um pouco tímida, devido ao corpo esbelto das garotas de anime, que contrasta com a silhueta larga do corpo masculino real; da dificuldade de se esconder certas curvas e adquirir outras; da graciosidade do rosto das personagens; e, principalmente devido ao preconceito que se sofre por um homem estar vestido como e interpretando uma mulher. Preconceito que nós já conhecemos há tempos e que permeia a sociedade como um todo, não só no meio otaku, que aliás já deveria ter superado esses paradigmas devido a diversidade de pessoas, estilos, culturas e opções sexuais que se encontra nos eventos. Mas como nem tudo são flores, o público ainda guarda dentro de si um resquício deste tipo de preconceito. Taxam os cosplayers homens – que não se importam de interpretar personagens femininos – de homosexuais. Se estes o são, ou não, não cabe ao público julgar tais valores e sim a qualidade e fidelidade do cosplay em si que é o que realmente importa, além da diversão, é claro.

Muitas pessoas, apesar da vontade, se sentem intimidadas por causa de tamanha mentalidade primata, que se caracteriza principalmente pela falta de respeito do público. Porém, no próprio Fórum Cosplay Brasil temos alguns exemplos de pessoas que não se deixam levar pelas aparências ou pela opinião alheia e levam a sério suas ambições de cosplays, mesmo que estes não possuam o mesmo sexo que o seu. Poderia citar uma lista imensa de mulheres que são praticantes, mas não desmerecendo as crossplayers, hoje o holofote vai para os homens, que sentem o preconceito na pele e precisam de muita coragem e força de vontade para se vestir de mulher e não se deixar abalar com os comentários maldosos. Três deles foram escolhidos para uma pequena entrevista, são eles, Pizzaman, Nukenin e Kawaii Tifa.

CB – Quais crossplays vocês já fizeram?
Pizzaman – Amano Ai (Video Girl Ai) e uma versão “caminhoneira” de Sailor Moon.
Nukenin – Desespero de Sandman.
K.T. – Na verdade só fiz um até hoje, que é o da Yuffie de Final Fantasy VII! O KT (OCB) é um personagem afeminado, mas ele não chega a ser considerado um crossplay, embora tenha se inspirado no vestuário da Tifa (FFVII), né?

CB – Gostam mais de fazer cosplay ou crossplay?
Pizzaman – Cosplay é mais fácil. É um tanto difícil ser levado a sério fazendo Crossplay, além da zoação básica do público.
Nukenin – Eu não tenho nenhuma vergonha em fazer crossplay, mas acho que não tenho muito jeito pra fazer personagens femininos.
K.T. – Eu já disse para a KC (Kawaii Cloud) que se eu pudesse, minha “lista” (se é que eu tenho uma, mas digo em relação a planos mesmo) seria pelo menos 70% crossplay e os 30% restantes, cosplays! Portanto, prefiro crossplays. E não faço crossplay para zoação e sim com certa seriedade, igual tentei com o Sora (KH2) quando fiz no AnimeCon 2005, por exemplo!

CB – Qual a sensação de fazer crossplay? Como as pessoas a sua volta encaram?
Pizzaman – A Ai foi a primeira e a mais difícil. Primeiro, porque foi o 2º cosplay que eu fiz (desconsiderando os ‘cosplays de armário’), segundo, porque é uma Video Girl!
Eu fiquei BEM feliz em poder fazê-la, pois eu gostei bastante do resultado e eu ainda não havia visto um cosplay BEM FEITO de Video Girl (fora as japas apelonas :p). No inicio foi meio difícil do pessoal acostumar com a idéia, mas quando eu coloquei o cosplay o Jeff Pen² veio me falar que eu era a melhor Ai-chan que ele tinha visto!
Nukenin – A sensação de inicio é estranha, ainda mais quando a personagem é literalmente nua! As pessoas gostaram muito, porque várias me elogiaram. Em especial pessoas que nem são do meio otaku, mas adoram Sandman, me enviando scraps pelo orkut de elogio. Mas de certa forma, é meio que chocante para não dizer desesperador ver um homem gordinho “peladão” na sua frente, não é verdade?
K.T. – Não faço crossplay para chamar atenção do público, pelo menos isso nunca foi meu objetivo! Gosto de fazer crossplay porque eu me identifico bastante com a personalidade forte de algumas personagens femininas e tento refletir o máximo possível isso na personagem. Para mim a reação do público pode ser bem variada. Pelo menos comigo, quando fiz a Yuffie, não recebi nenhuma ofensa direta por estar vestido de mulher, a maioria fazia aquelas brincadeiras típicas sem querer te ofender, sabe? Claro, que tive olhares estranhos enquanto passeava pelo evento e tudo mais, mas isso é normal. Até quando a gente faz cosplay normal o tipo de olhar é parecido! xD

CB – Como é a reação do público nos eventos quando nota que é um homem vestido como uma personagem mulher?
Pizzaman – É difícil. Sempre tem um monte de gente idiota que fica gritando coisas ofensivas. Ainda mais eu que me apresentei no Ressaca Friends 2005 e o público daquele evento estava especialmente sem educação.
Nukenin – Como Sandman não é algo muito popular pelos eventos, muitos nem sabem que a personagem é mulher. Várias pessoas chegaram para mim na Dreams deste ano, perguntando que cosplay eu tava fazendo. E quando expliquei que era uma mulher, olharam meio que espantados.
K.T. – Eu nunca pensei que tipo de reação poderia passar para eles nessa situação, pois meu objetivo como crossplayer, além de tentar interpretar a personagem, é também tentar esteticamente ficar o mais fiel possível à ela, ou seja, não parecer que eu “sou um homem vestido de mulher”!

CB – Algum de vocês já sofreu uma situação de preconceito por causa disso?
Pizzaman – Só do publico gritando besteiras. Todos meus amigos e conhecidos me elogiaram muito! Inclusive eu acabei ficando em 5o lugar com a Ai-chan (Thanks à Aino que me ajudou gravando a voz).
Nukenin – Nunca passei não e mesmo que passasse não ligaria porque o que importa é que eu me sinta bem encarnando a personagem.
K.T. – Sim, com toda certeza, né? Mas como já disse, nunca recebi ofensas diretas, ainda bem! Embora no fundo, eu saiba de verdade quem gostou ou não do crossplay que fiz.

CB – Tem planos pra futuros crossplays? Quais?
Pizzaman – Atualmente meus planos estão numa lista BEM resumida de uns 2-3… e tudo homem. Fazer cross é legal, mas hoje em dia eu posso tacar minhas idéias insanas na Ju Tsukino ao invés de precisar fazer cosplay de menina de novo. Além do que eu tenho cintura demais… e fico parecendo um travesti. Ainda assim, acho que mais para frente eu faço para mim o cosplay de Sailor Moon pra dançar “La Soldier” num grupo só de “rapazes”.
Nukenin – Já pensei sim em fazer outros, vamos ver como será no futuro. Mas o que está mais próximo de acontecer é fazer a Éris de Saint Seiya, já que sou muito viciado neste desenho e entendo perfeitamente cada um dos personagens.
K.T. – Com certeza! E o incrível é que muitas personagens são de games. Não vou citar todas, mas tem a Tifa do filme e a Rinali-Li (D-Gray Man) por exemplo.

CB – O que vocês diriam para outros homens que têm vontade de fazer crossplay mas estão com vergonha ou inseguros?
Pizzaman – O público é mal educado. Sempre. Não adianta querer subir no palco e não ser chamado de “bicha”, “gay”, “emo”, dentre outros, porque será impossível. MAS… se é uma personagem que você realmente gosta e quer fazer o cosplay dela, não tenha medo! Com certeza seus amigos e outros cosplayers irão curtir pra caramba! Além de você mesmo!
Nukenin – Eu acho que se a pessoa curte a personagem, conhece bem e tem vontade, vai em frente! Porque acima de tudo é um hobby, é diversão. E se no teatro grego antigo era comum acontecer isso, porque em plena era digital, vamos ter vergonha de atuar só por causa do sexo da personagem?!
K.T. – Não tenho muito a dizer. Só digo que o mais importante, eu acho, é levar o crossplay com tanta seriedade quanto um cosplay masculino. Acredito que poucos fazem crossplay a sério por causa do preconceito do público, mas se você se esforçar e notarem que você quis levar a sério (o que pode ser relativo à percepção de cada um), com certeza poderão te admirar e não zoar, vai saber!

CB – Agora, uma pergunta individual para cada.
Pizza, como se sentiu quando as pessoas comentavam que a sua ‘Ai’ era melhor do que a de muitas mulheres?
Pizzaman – Eu achei engraçado, mas fiquei MUITO feliz, de verdade! O mangá que mais mexeu comigo e me emocionou foi Video Girl Ai! E eu sempre amei de paixão a Ai-chan!
Eu gostaria de ter o video da minha apresentação de Ai, pois foi um dos meus cosplays que eu mais gostei do resultado!

CB – Nukenin, como foi interpretar Desespero, de sandman? Repetiria o cosplay? O que as pessoas acharam?
Nukenin – Foi algo “desesperador”. Tu nem imagina o frio que é passar tinta guache na pele!!! Foi algo que sempre irei lembrar. E há planos sim, no futuro repetir o cosplay, já que parte do grupo está afim de repetir a dose. Mas nada ainda confirmado. As pessoas gostaram do resultado, não recebi nenhuma critica negativa até hoje!!

CB – K.T., sendo você grande fã da personagem Tifa, quando o veremos interpretando-a?
K.T. – Na verdade eu não fiz (ainda) o crossplay de Tifa. É sim um dos crossplays que mais quero, só que na época que tive essa vontade de fazê-la, foi pela mudança dela no filme (FFVII Advent Children). O mais próximo dela como já falei, é o KT do OCB, cujo personagem é afeminado e tem o vestuário totalmente inspirado nela, fazendo só as adaptações necessárias.

CB – Obrigada a todos pela participação de vocês!
Pizzaman – Thanks pela oportunidade de poder responder aqui e ajudar com o CB, além do reconhecimento!
Nukenin – Obrigado pela entrevista, foi interessante. No que precisar estamos às ordens!

Texto: Ill Anko
Revisão: Remy
Edição: Ferio Siqueira

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