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“Ih, eu já vi isso antes…”

11, 04, 2008

Lady e seu Cavaleiro

A imprescindível mocinha e o inevitável herói: “Baby, nunca diga ´desta água não beberei!´”

Ah, a primeira vez de um Mestre… para muitos jogadores com alguma experiência, transcender ao status de Mestre (ou narrador, ou whatever) é uma espécie de rito de passagem – com todos os elementos característicos: nervosismo, expectativa, bloqueios e um medo danado de falhar na hora “H”. Afinal, lá estão eles: os jogadores, verdadeira platéia esperando seu “show de estréia”. E ele terá que ser divertido, empolgante, desafiador, inesquecível…

… e, claro, original.

A tal da originalidade é, para muitos mestres em início de carreira (ou mesmo para os nem tão calouros assim), um inimigo mais temido do que qualquer monstro do livro de regras. Afinal, quando se é um “simples” jogador, é muito fácil reclamar (em alto e bom som, muitas vezes) que a trama tá meio água-com-açúcar, que faltou dinamismo, criatividade e por aí vai. Mas quando você se muda para a cabeceira da mesa, descobre que a coisa não é tão simples assim: além de criar e conduzir a história – com toda sua complexidade e elementos aleatórios – o Mestre precisa se concentrar em parir, a todo momento, personagens secundários marcantes, cenários ricos, ganchos imprevisíveis em tramas mirabolantes, tudo conduzindo àquele clímax antológico que faz os jogadores pularem nas cadeiras e saírem dali querendo mais. E somando-se a tudo isso – de acordo com algum dogma que ninguém sabe ao certo quem definiu mas que todo mundo prega por aí – a história deve ser original, criativa, inédita! Clichês, chavões, e “adaptações” de histórias já contadas, nem pensar! Não é mesmo?

Pois eu digo: NHÉ! Pro diabo com a originalidade! Uma série de clichês de várias fontes, quando bem costurados, rendem aventuras fantásticas, sim senhor – e com a vantagem extra de não deixar o mestre em pânico, abrindo mão da sanidade e da vida social toda vez que precisa “preparar” a aventura com meses de antecedência só para apresentar uma nova Ilíada a cada mesa de jogo.

Peguemos um exemplo: o cara comum, que descobre por algum motivo ser designado a um destino maior que ele próprio e, de repente, vê-se obrigado a rever todos os seus conceitos. Ele deixa de lado tudo o que sua vida representava para embarcar em uma jornada difícil, extenuante tanto para o corpo quanto para o espírito, juntando-se a outros como ele em uma missão decisiva para seu futuro – e talvez para o futuro de toda uma civilização.

Pareceu familiar, né? Talvez porque “O Senhor dos Anéis” caiba inteirinho nessa síntese. Idem para “Matrix”. Alguém aí citou “Star Wars”? Também é a mesma coisa. O novo “Batman”, ou a “Odisséia”? Bingo! Caraca, até a “Branca de Neve” da Disney cairia como uma luva! Não é à toa que Joseph Campbell, em seus estudos sobre mitos, definiu essa “fórmula infalível” como “A Saga do Herói”: excluindo-se ou adicionando alguns elementos, praticamente TODAS as narrativas de aventura seguem patati-patatá a seqüência descrita no parágrafo anterior! Trata-se de um clichê, portanto – um clichezaço, talvez o maior de todos. Mas a maneira como esse clichê será conduzido é que dá o tal “colorido novo” às suas narrativas.

Então, tá combinado: pegue seu livro/filme/cantiga de roda preferida, mude alguns nomes e motivações, pinte o cenário de outra cor e arremesse tudo isso na mesa, caprichando no blablablá. Eu garanto que seus jogadores não vão se decepcionar – e ainda correm o sério risco de sair dali dizendo que nunca haviam participado de nada parecido. Então, tá…

Texto por: Alexandre Santana

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