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“Quem eram os Celtas?”

26, 04, 2008

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1 – Introdução


“A Gália está toda dividida em três partes (…) a terceira pelos que em sua língua se chamam celtas, na nossa gauleses” – Júlio César em “Relatos Sobre a Guerra Gálica”.

Os dados para conhecimento da história celta, das origens até o seu desaparecimento como civilização individualizada, encontram-se em textos históricos da Antigüidade grega e romana, assim como em contribuições da arqueologia, da antropologia e da lingüística. No entanto, grande parte dos dados existentes permanece hipotética, em face da pouca unidade da organização política dos celtas e da existência de documentos originais sobre as primeiras fases de sua história.


Reconhece-se hoje que sua história se estendeu por cerca de dois mil anos, aproximadamente de 1800 a.C. até o final do séc. I d.C., compreendendo cinco períodos principais: o primeiro, de 1800 a 1200 a.C., é o da individualização dos celtas entre os demais grupos indo-europeus, com habitat inicial a sudoeste da Alemanha e depois diversos outros pontos da Europa ocidental e central; o segundo, de 1200 a 750 a.C., é marcado pelas invasões celtas até o sul da França e Espanha, crescente domínio das técnicas do bronze, da agricultura, habitação e cerâmica. O terceiro período, aproximadamente de 725 a 480 a.C., incluindo a chamada era de Hallstratt, traz a implantação do começo da civilização céltica do ferro, que se estende da atual Tchecoslováquia até a Grã-Bretanha, envolvendo a Áustria, o sul da Alemanha, o oeste da França e da Espanha. É a fase em que se consolidam os traços particulares da cultura e da civilização célticas, ao mesmo tempo em que essas absorvem influências decisivas, quer resultantes das invasões cimérias, quer do intercâmbio comercial com os gregos e etruscos no Mediterrâneo. É ainda nesse período, a partir do século V a.C., que os celtas adquirem verdadeira autonomia nacional.


De 480 até a metade do séc. II a.C., o quarto dos grandes períodos de sua história, os celtas expandem-se para leste até a Ucrânia, chegam à Grécia e Ásia Menor, ocupam toda a Gália, boa parte da Itália e da Espanha, indo em grandes vagas humanas para a Grã-Bretanha. É o apogeu conhecido como civilização de La Tène, que se ergue sobre fortes impulsos de crescimento econômico, tendo por protagonista uma aristocracia formada pelo conteúdo com os países mediterrâneos: deixou os traços de sua passagem em ricas sepulturas encontradas na França e na Alemanha, dentro das quais objetos de ouro e cerâmica revelam o adiantamento artesanal e artístico alcançado, bem como a viva influência das culturas grega e etrusca, assimilada, porém, com originalidade.
O último período assinala-se entre o início do séc. II a.C. e o ano 100 d.C.: é a fase de decadência e recuo dos celtas, minados pela desunião de suas tribos e pelo assédio dos exércitos romanos, que acabaram por submetê-los, depois de se apossarem do Piceno, da Gália, da Gália Cisplatina, da Península Balcânica, da Espanha e da Grã-Bretanha, restando apenas a Irlanda como última importante sobrevivência do império celta. No entanto, a sobrevivência cultural se firmara com relevo em diferentes campos, sobretudo no da língua, em que os celtas conseguiram unidade relativamente duradoura e que melhor se pôde estudar com objetividade.


As línguas celtas: Como parte integrante do complexo indo-europeu, intermediado o tronco ítalo-celta, depois cindido no itálico e no celta, as línguas celtas podem ser compreendidas em dois grupos principais: o do celta continental, representado pelo gaulês, que se falou na Europa central e na Ásia Menor antes da era cristã; e o do celta insular, que se reparte em dois subgrupos: o gaélico ou goidélico, a que pertencem o irlandês, o escocês e o manx (dialeto da ilha de Man), e o britônico, formado pelo câmbrico ou galês, o bretão — que chegou ao maciço Armoricano a partir das ilhas Britânicas — e o córnico, extinto, falado na Cornualha (Cornwall).


Religião: Definir e descrever precisamente a religião dos celtas, também chamada druidismo, não constitui tarefa simples. A escassez das fontes e as dúvidas que pairam sobre o valor de muitas, não autorizam conclusões definitivas. O grande número de povos celtas, desde a Ásia Menor até a Península Ibérica e as ilhas Britânicas, é também um obstáculo ao conhecimento do que lhes é comum e exclusivo. Além disso, a presença dos romanos, principalmente na Gália e na Bretanha, ocasionou grandes transformações na cultura desse povo, particularmente na sua religião, na qual nomes e ritos foram alterados. Também não se pode menosprezar a destruição de documentos causada pelos expurgos impostos pela igreja na Idade Média. Ademais, a natureza dos documentos é muito diversa, variando conforme a tribo de que provêm.


Pelo testemunho de fontes secundárias (informações dos geógrafos gregos), sabe-se algo do ritual do culto dos celtas gauleses, porém nada de sua mitologia. Entretanto, no caso dos celtas da Irlanda, a mitologia não se perdeu inteiramente, em virtude de os documentos serem posteriores ao desaparecimento da primitiva religião. Assim, elementos lendários e épicos constituem as únicas fontes do patrimônio mítico daquela cultura.
Ao que parece, a idéia central do druidismo era de que da união da deusa Mãe-Terra com o deus tribal procedia ao vínculo da tribo com seu território, simbolizando e garantindo a prosperidade da descendência, do gado, da agricultura, bem como o sucesso na guerra.Com o fenômeno das mudanças sociais, com a diferença de status, concentrando-se o poder em mãos de chefes ou grupos, surge a tendência para a adoção de deuses maiores, mas não há registro de um sistema hierárquico, como entre os romanos, os quais, entretanto, identificaram com os nomes de seus deuses principais alguns dos deuses celtas. Coexistia o culto dos animais e da natureza com o dos deuses-heróis, de algum modo identificado com o culto dos ancestrais. As festividades relacionavam-se com as estações, basicamente a do frio e a do calor. O calendário celta se relacionava com a agricultura, destacando-se como festas principais Samhain (1º de novembro) e Beltane (1º de maio). Realizavam em grande escala sacrifícios animais e humanos, utilizando-se, para estes caixões de carvalho nos quais eram queimadas as vítimas.


Arte: Devem-se aos celtas as manifestações mais ricas e mais realizadas da chamada “arte bárbara”. Trata-se principalmente de objetos pequenos e de uso cotidiano. Os celtas eram, nesse sentido, acentuadamente práticos, não separando utilidade e beleza. Via de regra, desenvolveram acima de tudo uma arte do metal, predominantemente do bronze e do ouro, mas também da prata. Nesse campo, orientavam-se por três finalidades prioritárias: a militar (todo armamento dos guerreiros: espadas, carros, punhais, pontas de lança, capacetes, escudos), a doméstica (envolvendo um sem número de recipientes para servir comida, bebida, etc.) e a do adorno pessoal, reunindo jóias e adereços de toda espécie, como colares, brincos, braceletes, fivelas, cintos, anéis e ainda peças de toucador, como espelhos espelhos e navalhas.

mulher

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2 Comentários leave one →
  1. GWYN SWYTTER permalink
    11, 08, 2008 4:10 pm

    MUITO BOM PELO QUE SE TEM, MAS AINDA ACHO QUE ESTA FALTANDO ALGUMA COISA:
    ELE ESTA MUITO RESUMIDO!

  2. 11, 08, 2008 4:53 pm

    Sim, esta um pouco resumido. Olhe o blog que ainda tem outras partes deste texto.

    Aproveite!

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