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Quem eram os Celtas? – Parte 3

2, 05, 2008

3 – Costumes religiosos dos celta

Carvalho

3.1 – O culto do carvalho

Na história religiosa da raça ariana na Europa, o culto das árvores teve um papel importante. Nada podia ser mais natural, pois, no alvorecer da história, a Europa estava coberta de imensas florestas primevas, onde as clareiras esparsas devem ter parecido pequenas ilhas num oceano verde.

Entre os celtas, o culto do carvalho pelos druidas é conhecido de todos, e a palavra antiga que usavam para santuário parece ser idêntica, na sua origem, ao latim nemus (“bosque”) que ainda sobrevive no nome de Nemi.


(…) Ao passarmos do sul para o centro da Europa, continuamos a encontrar o grande deus do carvalho e do trovão entre os árias bárbaros que viviam nas florestas primevas. Assim, entre os celtas da Gália, nada havia de mais sagrado para os druidas do que o visco e o carvalho no qual este crescia: escolhiam os bosques dessa árvore como cenário de suas celebrações solenes e nenhum dos ritos era celebrado sem as suas folhas. “Os celtas”, diz um autor grego, “adoram Zeus, e a imagem celta de Zeus é um alto carvalho”.


3.2 – Veneração do visco

Desde os tempos imemoriais, o visco era objeto de veneração supersticiosa na Europa. Foi cultuado pelos druidas, como nos diz um trecho de Plínio. Depois de enumerar os diferentes tipos de visco, ele prossegue: “Ao tratar o assunto, a admiração que se tem pelo visco em toda a Gália não deve passar despercebida. Os druidas, pois é assim que os gauleses chamam seus magos, não consideram nada mais sagrado que o visco e a árvore na qual ele cresce, desde que essa árvore seja um carvalho. Mas, à parte isso, eles sempre escolhem bosques de carvalhos para seus bosques sagrados e não realizam nenhum rito sagrado sem as folhas dessa árvore; de modo que o próprio nome de druidas pode ser considerado como um nome grego derivado de seu culto do carvalho. Eles acreditam que tudo o que cresce nessas árvores é proveniente do céu e constitui sinal de que a árvore foi escolhida pelo próprio deus. O visco é encontrado raramente; mas quando o encontram, colhem-no com solenidade. E o fazem, sobretudo no sexto dia da lua, do qual datam o início de seus meses, de seus anos e de seu cilho de trinta anos, porque, no sexto dia, a lua tem muito vigor e não percorreu ainda metade de seu curso. Depois dos devidos preparativos para um sacrifício e uma festa sob a árvore, eles a saúdam como um remédio universal e levam ao local dois touros brancos cujos chifres nunca foram aparados. Um sacerdote vestido de branco sobe na árvore e, com uma foice de ouro, corta o visco, que é colhido numa toalha branca. Em seguida sacrificam as vítimas, orando para que Deus possa fazer prosperar seus escolhidos. Acreditam que uma poção preparada com o cisco fará com que os animais estéreis reproduzam e que a plante é remédio que vale contra todos os venenos. Uma parte tão grande da religião dos homens é habitualmente dedicada a essas insignificâncias”.
Num outro trecho, Plínio nos diz que o visco que cresce num carvalho era considerado o mais eficaz na medicina e que sua eficácia era tida, por pessoas supersticiosas, como maior se a planta fosse colhida no primeiro dia da lua sem o uso de ferro e se, ao ser colhida, não tocasse a terra. O visco do carvalho assim obtido era considerado como um remédio para a epilepsia; se fosse sempre levado pelas mulheres, ajudava-as a conceber; curava ulcerações com grande eficiência, se o enfermo mastigasse um pedaço da planta e colocasse outro sobre a ferida. Plínio diz ainda que o visco era considerado, como o vinagre e o ovo, um meio excelente para extinguir o fogo.

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