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A casa de Chá – Parte 1

7, 05, 2008

Neste final de semana eu fui buscar uma caixa com um doutor nazista que era especialista em criptozoologia e microbiologia. Este estava em uma ilha de formação vulcânica, cujos habitantes eram pescadores xenófobos e chatos. Consegui ir parar lá com ajuda de uma agência não governamental que sabe uns podres meus e de alguns colegas que me foram apresentados naquele mesmo dia.

Um era homem branco, um metro e oitenta, ex-fuzileiro e iria ser nosso guarda-costas. Outro era um negro faz-tudo fortão, que conhecia alguma coisa sobre o homem que iríamos encontrar. Havia ainda uma mulher, não sei bem o que ela fazia lá. Eu era o especialista em monstros e magia em geral. Eu não sou um mago, isso é um erro comum, eu só reconheço a magia quando eu vejo, sei o que faz se for relativamente comum e o que eu posso fazer para evitar o pior, também não tive um monstro de estimação e o único monstro que vi até então me traumatizou profundamente. Eu sou um nerd de 42 anos!

Chegamos na tal ilhota e não vimos ninguém. Estava tudo silencioso e escuro, como se todos tivessem ido embora, mas eu não me preocupei com isso, porque estava chovendo como não chovia há anos e havíamos passado seis horas sendo jogados de um lado para outro em um barco pesqueiro para chegar até ali. Acho que esqueci de dizer também que sou preguiçoso e que disse para o negro, que tem o mesmo nome que eu – John – ser o líder da expedição, para que eu não tivesse de preencher a papelada que viria depois, mas sutilmente o comandava através de conselhos bem dados. Saímos debaixo de chuva assim que eu o convenci a arrebentar uma espécie de dispensa enorme, contígua à uma casa e depois de pô-lo para ficar de guarda, junto com o “fuzileiro”, fui dormir o sono dos justos, entre iscas de peixe e ratos.

Pela manhã chovia ainda mais que no dia anterior, se é que isso era possível, com direito a raios e trovões assustadores. Água, água e mais água. O outro John arrombou uma porta que levava para dentro da casa colada ao galpão de mantimentos para conversar com os moradores, logo após bater por uns cinco minutos inteiros e não obter respostas. Qualquer coisa, estávamos andando ainda com mil e seiscentos dólares que haviam sobrado dos dois mil que nos entregou a agência conhecida apenas por Casa de Chá.

Ninguém apareceu. Começamos a andar pela casa e os homens de ação sacaram seus revólveres. Cada um de nós recebeu uma Colt .45, com ordens de não atirar senão em caso de grande necessidade. Apesar de saber atirar muito bem, jamais atirei em nada além dos alvos nos campos de tiro e esperava que continuasse assim.

Eu não gosto de computadores. Sou mais antigo que os computadores pessoais e gosto de pesquisar em livro e desconfio da informação da Internet. Meu equipamento se resumia a papel, caneta, lanterna e arma. Fui eu quem lembrou de que carregávamos lanternas e acendi a coisa para ver por dentro da casa, que estava escura como o inferno. Ninguém aparecia, mesmo com o outro John chamando, chegamos em um quarto e o abrimos, nada, entramos, nada, iluminamos, nada. Nada exceto um cheiro de carne podre.

Andamos pelo aposento e todos se assustaram muito quando o outro John deu um tiro no chão. “O que?” perguntei. “Vocês viram isso?” foi a resposta.

– O que foi que você viu, caralho?
– Um zumbi!
– Um zumbi? Um zumbi de verdade? Cadê?
– Debaixo da mesa! Tentou comer minha bota.

Zombie

Texto por: Ricardo “Cão Babão”

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2 Comentários leave one →
  1. 7, 05, 2008 4:51 pm

    Zumbi comedor de botas?
    Essa é novidade pra mim
    rs…

    esperemos a proxima parte

  2. 8, 05, 2008 11:10 am

    Muitas emoções a caminho, entendeu agora porque do zumbi ae comendo óupelo menos dando uma lambidinha?

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