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O ESPÍRITO DO POVO CELTA

22, 04, 2009

A questão do espírito celta, tema sobre o qual, felizmente, os autores clássicos podem lançar uma luz considerável.

“Toda a nação é aguerrida até à loucura, e tão exuberante como pronta para combater, embora no resto se mostre simples e sem rudeza”.

Estas poucas palavras de Estrabão exprimem perfeitamente a impressão formada sobre os Celtas, como povo considerado no dia a dia, de todas as fontes escritas, de que a tradição local irlandesa não é a menos importante. Estrabão esclarece que a sua descrição dizia respeito ao tempo da independência celta, antes do domínio romano, e convém lembrar que tanto ele como Diodoro Sículo e outros cronistas se inspiraram largamente em autores anteriores, que tinham podido observar pessoalmente a vida dos Celtas.

As bravuras pessoais, levadas à temeridade no campo de batalha, e em casa a hospitalidade e um código estrito de etiqueta para com os hóspedes revelam-nos o chefe de família celta como uma pessoa comparável, se não melhor, do que muitos dos seus sucessores mais conhecidos da cena histórica européia. Para opormos à impressão geral de exuberância, para não dizer excitabilidade, e à falta de persistência nas decisões tomadas, temos provas do seu sentido da responsabilidade individual e dos deveres num sistema social rigidamente definido.

O gosto pelas cores berrantes, adornos, homenagens e recepções, festas e lutas, tudo isso faz parte ainda hoje dos pontos fracos europeus, assim as condições lhes permitam, e nada mais natural do que encontrá-los entre um povo rústico estabelecido nas regiões temperadas da Europa.

Sobre as mulheres celtas, especificamente, pouco há a acrescentar. Mas, para encerrar a questão, vamos mencionar um comentário breve e não depreciativo feito por Diodoro Sículo, que escreveu que as mulheres gaulesas não só eram como os homens, quanto à alta estatura, como nem sequer lhes ficavam atrás em valentia.

As instituições sociais dos Celtas têm o maior interesse, tanto por fornecer um espelho da vida da Europa Transalpina pré-romanizada como pelas suas ligações mais largas, recuando até àquela herança social e lingüística, que havia de sobreviver, sob várias formas, entre os mais importantes povos indo-europeus.

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