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Bahir – O Caminho da Iluminação – Parte 1

22, 06, 2009

O Bahir é um dos mais antigos e importantes textos clássicos da Cabalá Contemplativa. Até a publicação do Zohar, o Bahir era a principal fonte de informação sobre os ensinamentos cabalísticos, a obra mais influente e largamente citada. É mencionado em quase todos os trabalhos relevantes que tratam da Cabalá Profética.
O nome Bahir deriva-se do primeiro versículo citado no texto (Jó 37:21):


“E agora não se vê a luz, o céu é luminoso (Bahir),”
É, também, chamado de “Midrash do Rav Nehuniá ben Hakana”, particularmente por Maimônides. Embora o Bahir seja um livro bastante pequeno, contendo ao todo cerca de 12.000 palavras, era altamente conceituado entre aqueles que indagavam seus mistérios. E é claro igualmente citado nas referências de Rav Avraham Abuláfia e seus discípulos.
Grande parte do texto é de difícil compreensão, e diz o Rabino Moshé Cordovero (1522-1570), diretor da escola de Cabala da cidade de Sfat:

“As palavras desse texto são luminosas (Bahir) e cintilantes, mas o seu brilho pode cegar.”

É por isso que, assim como acontece com o Sêfer Yetzirá, o Bahir só poderá ser amplamente compreendido através da orientação de um mestre cabalista.
Rav Nehuniá ben Hakana, foi um sábio talmúdico do séc. I e principal místico de sua geração. Sendo o marco inicial dentre os grandes cabalistas de tendência a escola contemplativa. Saber-se ter sido ele o líder de uma importante escola mística que floresceu na Terra Santa.

O sábio mais destacado do Bahir, mencionado com maior freqüência do que qualquer outro, é o Rabino Rahumai, cujo nome aparece treze vezes no texto. Nenhuma menção ao Rabino Rahumai é encontrada no Talmud ou no Midrash, mas no Zohar constatamos ter ele conhecido o Rav Pínchas ben Yair, sogro do autor do Zohar, Rav Shimon bar Yochai.
Dizem que Rav Rahumai estava com o Rav Pínchas, no dia em que o Rabino Shimon emergiu da caverna onde o Zohar lhe fora revelado. No próprio Bahir encontramos evidência de ter sido o Rabino Rahumai quem dirigiu a escola após a morte do Rabino Nehuniá.
Também proeminente no texto é o Rabino Berachia, mencionado sete vezes ao todo. No Bahir, é ele quem define numerosos termos difíceis do Sefer Yetzirá (106), e explica o significado do Olam HaBá (160). A partir do contexto de uma afirmação (97), parece ter sido ele discípulo do Rav Rahumai. Isso, juntamente com o fato de ser o segundo mencionado no Bahir, ajuda a apoiar a teoria de ter sido o Rav Berachia quem dirigiu a escola cabalística depois do Rabino Rahumai. Seu destaque pode ser devido também ao fato de o rascunho inicial do Bahir ter sido composto sob sua influência.
Rav Yochanan tem, igualmente, destaque no Bahir, sendo mencionado seis vezes ao todo. Sabe-se ter sido discípulo do Rav Nehuniá também nas artes místicas. É óbvio que esse Rav Yochanan foi um cabalista, pois, no Talmud, são relatadas quatro coisas que lhe foram ensinadas pelos anjos.
Outro sábio que podemos tentar identificar é o Rav Levitas ben Tavros. É de especial importância, pois, em certa passagem, parece que o Rabino Rahumai responde aos seus ensinamentos (23). Sabe-se que grande parte de suas atividades como cabalista ocorreram na cidade de Ako. Esse fato permite-nos afirmar que a cidade de Ako possa ter sido um dos maiores centro de atividades cabalísticas da época. Isso justificaria a iniciativa de Rav Avraham Abuláfia ter procurado construir uma Academia de Cabalá nesta cidade durante a suas peregrinações.

Na época de Rav Nehuniá, essa escola de Ako manteve-se ativa durante todo o período talmúdico.
Outros grandes sábios da Academia de Rav Nehuniá foram Rav Rabá e Rav Zeirá que eram grandes conhecedores dos sistemas de cura espiritual. Mas, é fato conhecido que o grande sucessor do modelo acadêmico de Rav Nehuniá foi sem dúvida o Rav Akiva.
Com o encerramento do período talmúdico, o círculo de cabalistas diminuiu e, em certas épocas, pode não ter ultrapassado uma parca dúzia de indivíduos. Tão unido era esse grupo que, muitas vezes, pessoas estranhas nem suspeitavam de sua existência. Embora fosse importante manter a tradição da Cabala, era igualmente importante que não caísse em mãos erradas.
Durante alguns períodos da história da Tradição Contemplativa, a liderança dessa academia era de líderes desconhecidos do meio acadêmico tradicional judaico, enquanto em outros pode ter incluído indivíduos cujos nomes se perderam totalmente. Uma coisa é certa, o Bahir era o centro de grande parte das atividades. Não se sabe quão amplo era o círculo de pessoas que teria acesso ao texto durante esse período, mas não devia ser grande. Podem ter existido manuscritos, mas permaneciam nas mãos dos líderes dos grupos, enquanto as demais pessoas recebiam oralmente a tradição. Os membros do grupo prestavam juramento de não revelar seus mistérios aos outros, e a existência do grupo era desconhecida por toda a comunidade.
Por isso não surpreende que eméritos eruditos, nunca tivessem visto o Bahir, ou não fizesse qualquer menção a ele. O texto era de domínio privado e restrito a uma pequena sociedade secreta, onde pessoas estranhas ao círculo não deviam sequer saber de sua existência. Assim sendo, em um dos mais antigos textos cabalísticos publicados, o Rav Avraham ben David, declara:
“Todas essas coisas e seus mistérios eram transmitidos apenas de mestre para discípulo. “

Isto não causa nenhuma surpresa, pois os mistérios da Cabala não deviam ser transmitidos a todos. Alude-se a muitos desses mistérios nos primeiros capítulos de Ezequiel, e, em geral, a Cabala é muitas vezes chamada de “mistérios da Carruagem”, termo também empregado no Bahir. Segundo a norma, os sábios declaravam que esses mistérios nem mesmo podem ser analisados por um único indivíduo. Mesmo assim, a tradição completa era apenas concedida a poucos , membros do grupo, que então restringiria sua instrução àqueles que considerasse aptos. Apenas os indivíduos possuidores das mais elevadas qualidades de erudição e espiritualidade seriam admitidos ao círculo de iniciados.
Por volta do ano 1100, alguns dos ensinamentos do Bahir eram conhecidos por um pequeno grupo na Espanha. E essa região tornou-se um importante núcleo da Cabala e lá foi tomada a decisão de publicar o Bahir.

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