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A FESTA DO SOL

26, 06, 2009

Um Marco da Tradição Meridional

Uma das mais belas festividades que o mundo conhece é realizada nos Andes peruanos a cada ano, para celebrar o início do Ano Novo no Hemisfério Sul. A Festa do Sol –ou Inti Raymi em quéchua–é celebrada na data de 24 de Junho, poucos dias após o Solstício. Não por coincidência, é o mesmo dia do Natal do Hemisfério Norte, a 24 de Dezembro, que nasceu da festa dedicada ao deus solar Mithra, considerando as diferenças das Estações entre ambos os Hemisférios.
Por que razão não se marca a data nos próprios Solstícios de Inverno, a 21 de Dezembro no Hemisfério Norte, e a 21 de Junho no Hemisfério Sul? Sucede que o dia de 24 representa o recomeço do percurso solar e o aumento dos dias, após ter ficado o Sol aparentemente “três dias parados” na transição de ciclos, fato este comumente observado nos mitos solares e nos relatos bíblicos, sinalizando o “Sol invicto”. Tampouco é casual a coincidência da data com a da Festa de São João, quando se acendem fogos para incitar ou para anunciar o fortalecimento das “luzes” do mundo.
Nos Andes, milhares de pessoas se reúnem para celebrar esta grande Festa que é um verdadeiro patrimônio cultural da humanidade, atraindo turistas e peregrinos de todo o mundo, revivendo esta tradição milenar que certamente os Incas herdaram de outras culturas.
Atu­­almente está havendo um gran­de mo­vi­mento de res­tau­ração da cultura pré-co­lom­biana, e Cuzco está se mo­bi­lizando até ao nível ad­mi­nis­trativo para recu­pe­­rar mui­to de sua antiga face, inclusive devolvendo os nomes incaicos de suas ruas e re­­­cons­tru­indo a Plaza de Armas onde ficavam o Palácio do Inca e o Tem­plo do Sol, o Coricanha. A antiga ban­­deira incaica de arco-íris (sim­bo­­­lizando entre outras coisas ao setenário saturno-sols­ti­ci­al) já havia sido in­cor­porada, e agora a cidade adotou tam­­­bém o símbolo do Sol-criança, afir­man­do a simbologia natalina de uma forma muito plena. Este disco solar foi a única peça de ouro que sobreviveu do espólio do Coricancha, cujo revestimento de placas de ouro foi retirado para (debalde…) pagar o resgate do imperador incaico Atualpa.
O culto ao Sol no Peru é, po­­rém, anterior à cul­tura inca e re­­monta à ci­­vilização de Tiwanaco, com sua famosa “Porta do sol”, onde os esotéricos também se reúnem para realizar ce­­lebrações na época do Solstício do Equinócio. E se acendem fo­gueiras como na Cuzco pré-colombiana, quan­do o Inca man­­­dava apagar todos os fogos do Império, sim­boli­zan­do o momento de su­prema obs­cu­ridade para o mundo que é todo o final de Era. Com a che­gada do dia, e após os sa­­­­­­crifícios re­­a­­lizados, um novo fogo era acendido e dis­tri­buído a todos, sinalizando uma nova dis­pensação da luz e a renovação de tudo.

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One Comment leave one →
  1. isabel permalink
    21, 11, 2009 11:09 am

    ta legal esse treco

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