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Símbolos e Psicologia

2, 07, 2009

Cada um de nós sabe, por tê-lo experimentado um dia, que os sonhos são oceanos de símbolos que encerram parcelas de nosso interior. O ser contemplativo experimenta regularmente a emersão de imagens simbólicas, saídas do fundo de seu espírito.
Os cabalistas sabem como as forças ocultas reagem face aos símbolos.
O cosmo pluridimensional de nossa subconsciência funciona por meio de figuras abstratas. Fora de nosso mundo consciente tridimensional, as impressões que aqui se desenvolvem, se revelam, de forma oblíqua.  Estas aproximações sensíveis são os símbolos que nós trazemos das profundezas abissais de nosso inconsciente.
A formação do símbolo não está sistematicamente codificada, o ser humano cria símbolos instintivamente.
Ademais, mesmo que um símbolo tenha um valor convencional, é incontestável que esta significação se matizará em função da experiência individual.
Devemos acrescentar que os sentidos humanos limitam a percepção e modificam o acesso ao símbolo.
Para a Cabalá, o ser humano é escravo de seus sentidos, e somente quando estes sentidos se curvam a percepção espiritual da realidade é que se pode romper com os grilhões da alma.
A percepção que o ser humano possui do mundo a sua volta, é inevitavelmente decodificada por nossas impressões inconscientes, pois os sentidos invertem, incessantemente, o plano da realidade em plano simbólico e por sua vez, espiritual.  Assim, o símbolo é um explorador empírico do que está no plano de fundo da consciência individual e coletiva.
É um procedimento de concretização da espiritualidade supra-sensível.
A forma é então indissociável do espírito, ela é a expressão a desenvolver segundo a sensibilidade e a fantasia daquele que a observa, discerne suas múltiplas aparências e completa sua síntese.
Assim, o que vemos é então o resultado final da leitura de nosso próprio inconsciente e seus inúmeros símbolos, bem como a maturidade como nos relacionamos com esses mesmos símbolos. Se nos tornamos reativos aos eventos externos, isso significa pura e simplesmente uma falta de equilíbrio na nossa relação emocional com os símbolos que esses eventos remetem ao nosso inconsciente.
Para o cabalista, transformar a realidade física a sua volta em letras-símbolos, seria um meio inteligente de se deparar com a experiência inevitável do simbólico em seu estado primário e ainda não afetado pelas impressões passionais da mente.
A letra seria, desta forma a “síntese” do evento.

O termo “síntese” é bem importante, mas se quisermos ser ainda mais precisos “símbolo-semente” é o mais correto.
Nossa civilização já pratica este poder de síntese através da utilização da linguagem exageradamente, basta olhar a nossa volta a incrível quantidade de abreviações utilizadas: ONU, ADN, USA, WWW e outros.
O uso sintetizado simboliza em algumas letras uma grande atividade, uma ideologia, uma população, uma razão social.
Seria, por assim dizer, uma prática moderna da Notarika dos cabalistas.
Não é possível falar de psicologia do símbolo sem citar C.G.Jung que não hesitou em estudar a simbologia para melhor compreender o inconsciente.
Assim ele definiu o símbolo, em O homem e seus símbolos:

“O que chamamos símbolo é um termo, um nome ou uma imagem que, mesmo quando nos são familiares na vida quotidiana, possui implicações que, entretanto, se acrescentam a seu significado convencional e evidente.
O símbolo implica algo de vago, de desconhecido ou de misterioso para nós. Então, uma palavra ou uma imagem são simbólicos quando implicam algo a mais que seu sentido evidente e imediato.
Tal palavra ou imagem tem um aspecto inconsciente mais vasto, que nunca é definido com precisão, nem plenamente explicado.
Quando o espírito empreende a exploração de um símbolo, ele é levado a idéias que se situam além do que nossa razão pode captar. Pelo fato de inúmeras coisas se situarem para além dos limites do entendimento humano nós utilizamos constantemente termos simbólicos para representar conceitos que não podemos definir, nem compreender totalmente. Essa é uma das razões pelas quais as religiões usam uma linguagem simbólica e se exprimem por imagens. Mas o uso consciente que fazemos dos símbolos é somente um aspecto de um fato psicológico de grande importância: porque o homem cria símbolos de forma inconsciente e espontânea.”

De geração em geração aproveitamos a herança simbólica sem nunca diminuir seu patrimônio. Os símbolos vivem em nossa mente e formam sistemas conceituais e emocionais regidos por uma vitalidade formadora.
Na alma, eles são como modelos ordenados e ordenadores.
O simbolismo é o fio de Ariadne propondo sair do labirinto das inquietações formadas pelo subconsciente. Ele sinaliza ao espírito uma noção associada à forma, por meio de analogias naturais ou por relações convencionais simples.
O símbolo possui um significado cuja decriptação se abre sobre conteúdos psicológicos inconscientes.
Pelo simbolismo o inconsciente irrompe no consciente e produz fissuras no sistema de censura. Por isso o simbolismo do sonho é um elemento capital da psicanálise moderna, pois é o dialeto que dá a cada um a capacidade de descer as suas próprias profundezas.

A interpretação simbólica é antiga, maquinal e premonitória, a princípio a mesma para cada um. O indivíduo se nutre inconsciente e continuamente, com a ajuda do símbolo, nas zonas de sombra de seu ser.  É por isso que, na opinião de Rav Abuláfia, essa linguagem simbólica não pertence à lógica.

Assim Rav Abuláfia afirmava que a experiência com as letras hebraicas deveria ser uma pulsão vital, um reconhecimento instintivo, é uma experiência do sujeito total, que nasce de seu próprio drama pelo jogo imperceptível e complexo dos inúmeros elos que tecem seu inconsciente, ao mesmo tempo em que o do universo a que pertence e do qual ele retira a matéria de todos os seus (re)conhecimentos.

As figuras abstratas ou concretas resultantes do sonho ou da contemplação mística são indiferentemente inconscientes e não lineares, devemos encontrar entre elas os produtos de nosso próprio espírito.

Fonte: Lista Arvore Sagrada

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