Skip to content

O “VIRA”, UMA DANÇA PAGÃ

11, 07, 2009

É ponto assente que o “Vira”, dança popular Lusitana, nasceu no Minho (região da Calécia). Embora esta dança se encontre espalhada por todo o país, ela constitui a dança mais característica e representativa da região minhota, a ponto de se dizer que o Minho dança o “Vira”.
No reportório do grupo folclórico das Lavradeiras de Santa Marta de Portuzelo, de Viana do Castelo, anda um tipo de vira muito singular, que é apresentado como o mais castiço de toda a região minhota, que tem por título de “Vira de Santa Marta”. Apenas um único par, homem e mulher. Estes dois dançadores, de braços abertos, dançam frente a frente um para o outro, volteiam depois sempre ligeira e alternadamente desencontrados, para, finalmente, se colarem de flanco, cotovelo de um nas costas do outro, e assim juntos, se rodearem, dançando lentamente. A música instrumental, não é cantada, é o suporte de tal dança.
Dança singela, nitidamente erótica, não obstante um certo ar solene. Outros pares se juntam àquele, a formar um conjunto, de efeito espectacular, mas todos exibindo, isolados e independentes, a mesma coreografia e atitudes do par modelo. Se esta dança autêntica, e como tal cremos, deve ter sido recebida pelo grupo que a exibirá com a maior probodade; se o fornecedor tinha capacidade e não a ousadia de inculcar uma dança que não passava, afinal, de um arranjo e, portanto, de uma fantasia ou artifício, tão frequentes – e por isso de temer! – nos tempos de epidemia folclórica que estão correndo, estará aí a chave e a explicação do carácter particular das danças do Minho (portanto, da Lustânia caláica) de aspecto vertical que temos estado a encarar. É que estaremos, segundo o nosso modo de ver, em presença de uma dança ritual autenticamente pagã ou cerimonial de Fecundidade.
Esta dança de um só par, musicada mas não cantada, como dissemos, e que por isso não se ajusta ao tipo das de divertimento ou de baile, sempre constituídas, como ficou dito, por um conjunto de pares com cantador ou cantadora, deve ter vindo dos confins da magia com sentido propiciatório ou congratulatório: a mulher ou o casal que queriam ter filhos ou que tiveram a graça de os ter por um dom divino, sagrado ou mágico.

Fonte: Lista Arvore Sagrada

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: