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RAÍZES DA DANÇA NA LUSITÂNIA

16, 07, 2009

A história da dança de uma nação começa sempre antes de esta se definir como um Estado: para se apresentar uma imagem do que seriam as manifestações bailatórias no período pré-romano, tem de se ir buscar muito para trás os elementos indispensáveis para o entendimento desse passado próximo. Antes do mais, há a considerar que a Lusitânia (embora menos do que Portugal) saiu do heterogéneo panorama cultural Ibérico, no qual se combinaram as estruturas ibéricas originais, as cónias, as lígures, as indo-europeias (principalmente céltica e germânica), as semitas (fenícia, judia, árabe e berbere), as latino-romanas, as germano-bárbaras (godos e suevos), as franco-cristã s e mais modernamente as hispânicas, que em fusão magmática alteraram as terras e as gentes da Lusitânia (e de Portugal). Desta variedade nos dão conta a história arqueológica e, mais tarde, os primeiros fenómenos de história literária, “resumidos” nos
cancioneiros que se apresentam como um “produto” da lenta evolução em que se caldearam aqueles elementos.
Na formação dos reinos peninsulares e mais tarde dos modernos países da Península, Portugal e Espanha, o agente aglutinador (e carrasco das danças e de toda a cultura pagã tradicional) foi a igreja católica romana, ainda hesitante no seu jogo de reminiscências judio-hebraicas e greco-romanas, e procurando sempre anular ou sublimar as forças pagãs naturais; mas, e tal como desde bem cedo o revelam as constituições dos sínodos reunidos em Espanha, não foi fácil o triunfo da Igreja sobre as tradições pagãs enraizadas na vida dos povos ibéricos convertidos, os lusitanos incluído. Todos os estratagemas e ameaças foram usados para reduzir o aspecto concorrencial dessas tradições pagãs em relação às liturgias cristãs, mas o resultado final foi, de certo modo, uma assimilação moderada das forças mais impulsivas. Por exemplo, no sul de Espanha, região desde sempre mais personalizada em termos culturais, esta tolerância dura até
aos nossos dias, com a prática reconhecida de um “cerimonial” divergente.
E, numa apreciação geral deste processo de cristianização (ou desersonalizaçã o), vamos verificar que as forças tradicionais, homogeneamente espalhadas pela Europa sob formas religiosas no fundo idênticas, vão ter reacções similares perante o avanço cristão (ortodoxo, católico ou protestante) , no sentido de uma integração de ideias em princípio antagónicas. No caso ibérico, há ainda a considerar que a tolerância dos godos para com os hispano-romanos e depois, a sua conversão ao catolicismo, terá feito diminuir a ofensiva cristã contra os “males” pagãos e os “vícios” bárbaros do arianismo. Aliás, os godos, mesmo após a conversão, conservaram sempre uma posição de supremacia social que lhes permitiu manter usos e costumes pagãos, sob a capa da conversão geral.
A região noroeste da Península manteve sempre uma arreigada independência de costumes em relação aos restantes povos da Ibéria, reagindo com especial denoto às sucessivas levas de conquistadores; à época da invasão árabe, por exemplo, aquela região pareceria indistintamente visigoda, mas sob ela viviam tradições suevas, celtas e sobretudo Lusitanas. Os cronistas romanos que se referem aos lusitanos, revelam com interesse o seu gosto pelas danças que se achavam intimamente ligadas à vida colectiva das comunidades nativas. Dizia Estrabão: “Mesmo bebendo os homens põem-se a dançar, ora formando coros ao som da flauta e da trombeta, ora saltando cada um por si a ver quem salta mais alto e mais graciosamente cai de joelhos. Os rituais fúnebres dos Lusitanos ficaram célebres e estão talvez na origem dos costumes carpideiros dos nossos irmãos portugueses. Chamavam-se NENIAS aos cantos acompanhados de dança em volta da pira em que se
incinerava o morto, e a que os romanos deram o nome de “LAUDES”. Silvio Itálico, outro romano, alude aos BARBARA CARMINA dos Lusitanos, os quais eram tão característicos para os romanos, que lhes chamavam “HIBERAE NAENAE”, como se acha num prolóquio latino coligido por Erasmo. No Concílio III de Toledo, se disse: “Proíbimos completamente o cantar dos “carnes fúnebres” que o povo costuma entoar aos mortos”. Possuímos mesmo uma evocação do funeral de Viriato, ocorrido em 132 a.c. e descrito no século II da Era cristã pelo escritor grego Appiano: “Ora pois tendo os Lusitanos vestido o corpo inerte de Viriato magnificamente, queimaram-no numa pira altíssima e sacrificaram- lhe muitas vítimas, correndo à roda, armados e em pelotões; dirigiam-lhe louvores à maneira Lusitana e até que a pira se extinguiu após vários dias, todos estiveram em volta dele. Acabada que foi a cerimónia fúnebre, celebraram-se combates corpo a corpo, até caírem
às centenas sobre o sepulcro. Muitos foram os guerreiros que quizeram morrer com honra e acompanhar o seu chefe no Além. Tal foi a saudade que Viriato deixou de si”.
Vindo ao encontro do gosto bárbaro dos Lusitanos pelos espectáculos violentos e pelas artes histriónicas, os romanos mandaram edificar teatros e circos na província ocupada da Lusitânia. Não se pode dizer porém que a inspitação romana tenha sido pura e simplesmente assimilada, antes devendo ter sofrido a influência das práticas do meio em que veio instalar-se. Desde a mais remota Idade Média, os eclesiásticos não cessam de usar os termos da antiguidade clássica: “MIMI”, “BISTRIONES”, e “THYMELICI”, para indicar gente da sua época ligada à prática de espectáculos indecorosos e condenáveis, portanto, pagãos. As três palavras designam tipos procedentes do teatro romano, que logo passaram a exibir-se nas praças, nas ruas ou nas casas, para divertirem um público mais reduzido, ou se estabeleceram nos palácios dos reis, como homens de divertimento.
O certo é que, confundindo ou fazendo coincidir as tradições próprias com as romanas, pagãs e cristãs, o povo Lusitano continuava a entregar-se mais ou menos veladamente ao culto das divindades da Natureza, celebrando-as ruidosamente com danças e cantares pouco cristãos e católicos, sobretudo no início das estações. De tal modo que, ao chegarmos à poesia dos Cancioneiros, vamos encontrar indeléveis reflexos das actividades bailatórias contemporâneas, ou das que em épocas anteriores mais vivamente se praticavam. Lembremos que as canções primitivas constituem uma tentativa de organização de um mundo primeira e imediatamente expresso através da dança, e que o processo se terá repetido na consolidação de outras formas folclóricas.
http://kol.home. sapo.pt/danca

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One Comment leave one →
  1. dete abigail gladis permalink
    27, 10, 2009 7:38 am

    caraca ein nao entendi o resumo ai nao ,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,falafalafala e nao fala nada de interessante ,,,pa fude ein ,,a mas da nada éa vida mesmo…valeu galera abraço

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