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Qual a idade para se jogar RPG?

18, 08, 2009

A maioria dos tipos de entretenimento possui uma faixa etária recomendável. O Ministério da Justiça separa essas categorias por idade, da seguinte forma: Livre para todos os públicos ou Não recomendado para menores de 10, 12, 14, 16 ou 18 anos. Essas classificações visam livrar menores de perigos que esses tipos de entretenimento podem conter, como incitação a violência, sexo, entre outros.

Jogos de tabuleiro, como War ou banco imobiliário também possuem uma faixa etária (War é recomendado para crianças de 10 anos ou mais) não pela violência ou conteúdo do jogo de tabuleiro em si, mas pelo nível intelectual necessário para aprender e compreender o jogo.

Mas e o nosso hobby preferido? E o RPG? Não deixa de ser um meio de entretenimento. Será que o RPG é (ou deveria ser) também classificado por faixa etária, dependendo de seu conteúdo ou do nível intelectual necessário para absorver alguns cenários?

A Formação intelectual

Caminhando um pouco pela psicologia e biologia (não vou fazer você estudar, não se preocupe!), o desenvolvimento do ser humano pode ser dividido em 4 partes: Infância, Juventude, Vida Adulta e Velhice.

A Infância é uma etapa crucial do desenvolvimento do indivíduo. Já está provado que, a partir dos 3 anos de idade, começamos a absorver tudo que aprendemos, vemos, ouvimos e sentimos a nossa volta. Nossa psique e nosso comportamento pelo resto da vida é, boa parte dele, formado entre os 3 e 9 anos de idade. O que nos é apresentado nessa idade é muito importante para definir alguns de nossos comportamentos e gostos.

O RPG teria uma idade “certa” para começar a jogar?

O RPG é uma atividade lúdica, prazerosa, capaz de ensinar muitas coisas, divertida, que incentiva a leitura. Seria, portanto, ideal para crianças jogarem, correto. Correto! Porém, eis que é necessário fazer algumas ressalvas quanto a isso.

Pode parecer um discurso moralista bobo (e como eu ODEIO discursos moralistas e bobos!), mas é inegável que, sim, existem certas coisas que não devem ser apresentadas a crianças.

Os próprios livros de RPG possuem classificação indicativa, isso é um bom meio de saber o que jogar e com quem jogar. Os livros de Vampiro a Mascara (ou o Réquiem), por exemplo, assim como seus irmãos Lobisomens, Múmias e outros, são todos recomendados para maiores. Não estou dizendo aqui que um adolescente não deve jogá-los. Mas, é importante sim, saber que não se deve, por exemplo, jogar um RPG de alto terror psicológico com uma criança de 7 anos.

Não é uma questão de “achismo”. É uma questão cientifica, biológica. Crianças entre 3 a 9 anos estão em formação intelectual. Qualquer coisa que lhe são apresentadas IRÁ TER UMA INFLUÊNCIA em sua psique e seu desenvolvimento. Isso é um fato. Negar isso é ir contra dados científicos comprovados. Do mesmo modo que não se deve apresentar um filme de terror a uma criança.

Não se pode restringir

O maior erro, no entanto, é tentar restringir o jogo. “Recomendável” é muito diferente de “Proibido”. O Mangá Berserk (fantástico, alias) é Proibido para menores de 18 anos. Não pode ser vendido para menores, por conter violência extrema, cenas de sexo explicito entre outros.

Os RPGs de horror em geral, são Recomendados para maiores de 18 anos. Isso quer dizer que, menores podem obter a obra e podem jogar com ela, apenas precisam ter “discrição” quanto a seu uso.

Games também são assim. Não existe nenhum game proibido para menores. O que existem são games Recomendados para maiores. Recomendação é apenas uma “dica”. É como se estivessem te dizendo “Olha, é melhor você jogar esse jogo com pessoas maiores de idade”.

O que pode ser vendido ou não para um menor, é tema para outra discussão.

Eu sei, eu sei que esse discurso incomoda e parece moralista, ainda mais nesses tempos em que, novamente, a nossa querida e amada mídia volta com o tema do RPG como algo ruim. Mas não é. É preciso compreender que existe, mesmo dentro do nosso hobby, certas recomendações que precisam ser seguidas. A psicologia infantil é algo muito mais complexo do que parece. Os seres humanos crescem de maneira muito diferente. Existem crianças extremamente maduras com 8 anos de idade e existem adultos de 30 anos imaturos e infantis.

Eu acho que, nosso papel na campanha Bom é jogar RPG, é também ser críticos com nosso próprio hobby. Não adianta apenas falarmos de toda a beleza e magia que existe no RPG. É preciso também, falar das recomendações e dos “espinhos” que algumas pessoas se recusam a comentar.

Alguém pode dizer “Ah, eu joguei um RPG de horror extremo com 7 anos e não tive problema nenhum com isso” ótimo! Você pode garantir que para todas as bilhões de crianças do mundo vai ser igual?

RPG é um hobby maravilhoso. Porque não pegar seu filho pequeno e mostrar a ele o fantástico mundo de Arton ou as incríveis masmorras de Forgotten Realms em vez de exibir o horror psicológico intelectual de Call of Cthulhu? Talvez não seja uma boa hora para isso ainda.

Thiago Diniz é RPGista e Chefe de Redação da campanha Bom é jogar RPG.

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  1. 18, 08, 2009 11:48 am

    Com certeza, a faixa etária que acha o RPG mais divertido é a adolescência, mas é complicado falar de RPG porque diferente de jogos de video-game ou tabuleiro o jogo acaba extrapolando os limites do visual e do tátil, o role-play viaja na imaginação e pode acabar prejudicando a formação do pré-adulto se for tratado de forma irresponsável. Claro, se o assunto for levado a sério, da maneira correta, ele se transforma em algo muito maior que a diversão, incentivando a leitura, exercitando a inteligência e criatividade.

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