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Aventuras e Desventuras – Pathfinder

29, 09, 2009

Como bem falado, estamos o grupo que participo de RPG estamos jogando o sistema Pathfinder da Paizo (ate adquirimos uma copia deste), então nosso querido mestre Alexandre Santana – Vulgo Dragão de Latão – vai sempre estar postando alguma coisa referente as aventuras que nossos personagem estão passando.

Vamos aos textos…

“(Página extraída do diário de Lena Carvin, Investigadora do Concílio de Altair)

Até aquele momento, parecia que o plano funcionaria a contento. Klaus  – ou, ao menos, era assim que ele se denominava; eu duvido que seja seu nome verdadeiro – estava sentado sozinho à última mesa à direita, no tal “setor reservado”, à minha espera, exatamente como combinado. Eu não dou a mínima para exibições baratas de conhecimento arcano, mas estando ali percebi o porquê de um informante real escolher um lugar tão… exótico para um encontro: qualquer curioso pouco habituado a estímulos mentais fortes seria capaz de se perder no espaço de menos de seis passos que separava aquele setor do resto da taverna, tamanho era o fluxo de energia mística distorcida, de forma que nosso assunto teria a dose certa de sigilo e discrição. Era como estar numa cela particular de proteção mágica, cercada por dezenas de pessoas, sem que ninguém nos notasse.

A fumaça do seu cachimbo era densa, adocicada. Tudo ali tinha um cheiro forte – suor, vinho tinto e couro velho, mas agora que estávamos frente a frente parecia que a fumaça que ele expirava engolfava tudo, até mesmo o ruído das risadas embriagadas ao nosso redor ou mesmo o som da banda que se apresentava no palco, poucos metros adiante.

– Está adiantada – ele disse. Sua voz impunha um tom firme e até mesmo autoritário, mas eu percebi o medo cuidadosamente oculto ali. Sentei-me à mesa, sem esperar que ele me cumprimentasse formalmente, e fingi não me importar com a fumaça.

– Nosso prazo está se esgotando – eu disse. – O que tem para mim?

– Direta ao ponto – disse ele, coroando com um sorriso torto a patética tentativa de parecer intimidador. – Imaginei que você viesse tratar de outro assunto – prosseguiu ele. – Tudo o que eu tinha para relatar sobre o desaparecimento da princesa já foi informado aos seus superiores.

Recostei-me à cadeira, encarando-o diretamente. – Bem; – eu disse calmamente, ignorando seu sarcasmo e respondendo no tom mais polido que era capaz de simular: – Parece que meus superiores tem motivos para acreditar que não é bem assim. Eles me mandaram procurar você porque acreditam que você está ocultando informações.

Senti o homem perder toda a compostura, enquanto seu feitiço de mascaramento pareceu oscilar sobre a expressão furiosa. Já era suficiente para um mercenário vindo de um reino machista saber que sua palavra tinha sido questionada por seu contratador, pensei. E não deveria ser nada confortável somar a isso o fato de que este mesmo contratador, aparentemente, resolvera enviar uma mulher para interrogá-lo. As coisas poderiam ficar perigosas, mas eu não estava ali para uma conversa amigável. Era preciso deixar bem claro para Klaus quem é que mandava dali por diante.

– Pois se o Concílio questiona minha capacidade, garota, então que não me contratassem, em primeiro lugar – ele disse, rilhando os dentes. – Estive trabalhando sozinho muito tempo antes de você resolver brincar de detetive com o consentimento deles. Consentimento, aliás, que não me diz respeito. Não irei me reportar a você. Não tenho nada para lhe dizer.

– Se você tivesse alguma coisa a me dizer, eu continuaria da mesma opinião, – retruquei, muito calma. – Eu diria, caro senhor Klaus, que pelo que pude analisar em seus relatórios anteriores, os quais tive acesso, o Concílio tem bons motivos para duvidar da qualidade de seus serviços. É de fato bastante provável que você esteja mentindo. Acho que a mentira é um de seus maiores talentos, e ao mesmo tempo, sua mercadoria mais lucrativa.

Klaus engasgou-se com a fumaça de seu próprio cachimbo, o qual atirou longe. Senti o sangue subir-lhe a cabeça enquanto ele tossia, furioso e humilhado. Ergueu-se da mesa e, ao perceber que chamara a atenção de um casal de feiticeiros na mesa ao lado, limitou-se a me encarar com fúria e baixar o tom de voz. – Tem sorte que eu não lhe ensine uma lição aqui mesmo, vadia atrevida! – ameaçou ele. – Perdeu seu tempo vindo até aqui, se acha que irei ajudá-la depois de ofender minha honra!

– Irá, se quiser receber a última parte de seu pagamento – respondi suavemente, para espanto de Klaus – Sim, é verdade. O Concílio só o pagará após um relatório meu. Isso se não decidirem pelo ‘destrato’ de seu contrato, caso você não resolva colaborar. Nesse caso, você estará por conta própria. O que não será nada bom para sua segurança, uma vez que os asseclas do Concílio tem plena ciência de que o pouco que você afirma saber já é o suficiente para que você seja considerado uma ameaça.

O homem empalideceu. Ele poderia se fingir de durão o quanto quisesse, mas já havia percebido que eu sabia, tanto quanto ele, que uma vez a serviço do Concílio de Altair, só há duas maneiras de sair – e uma delas é a sepultura.

– Está bem, – ele finalmente assentiu. Não era um homem estúpido, isso eu tenho que reconhecer. – Apresentarei a você as provas que encontrei, juntamente com os depoimentos transcritos e mapas com resultados das buscas. Mas já a alerto que, mesmo sem provas conclusivas, é possível adiantar que as notícias para o rei não são boas.

– A pequena Julia está morta – eu o interrompi – disso já sabemos. O mais importante agora é descobrir os motivos e descartar as possibilidades de um conflito entre os reinos.

– Essas não são as únicas notícias ruins… – ele tateou o chão à procura do cachimbo, e pude perceber, por seu tom satisfeito, que ele percebeu minha curiosidade.

– O que quer dizer? – perguntei, não resistindo ao seu jogo. – O que mais você sabe a respeito da morte da princesa que não incluiu nos relatórios?

– Que ela não foi a única! – disse ele, me encarando profundamente.

(…)

Despedi-me de meu questionável aliado, enquanto me dirigia à pequena taverna onde ele se hospedara, para tomar posse dos resultados de suas investigações. Não era seguro que deixássemos a taverna juntos – foi sua sugestão, mas eu concordei que isso levantaria suspeitas desnecessárias, mesmo entre tantas figuras estranhas que pareciam sentir-se em casa naquele lugar. Quando olhei para trás, já não consegui identificá-lo em meio à massa perturbadora de magos insanos e hedonistas, mas poderia jurar para mim mesma que ele estava rindo.

Não poderia confiar em Klaus. Perturbava-me o fato de que o espião provavelmente estava dizendo a verdade, ao revelar que a princesa Julia poderia ser apenas uma entre as vítimas de um assassino cujas motivações  – psicóticas? políticas – nós ainda ignorávamos.

Mas me incomodava ainda mais a sensação de que ele estava guardando segredos ainda mais importantes – talvez, para um segundo cliente.”

Texto por: Alexandre Santana

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